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Brasil: onde a vida humana é desprezada, odiada, perseguida e discriminada.
13-11-2017, 02:45 PM (Resposta editada pela última vez em: 13-11-2017 11:30 PM por Cimberley Cáspio.)
Resposta: #1
Brasil: onde a vida humana é desprezada, odiada, perseguida e discriminada.
Por Cimberley Cáspio

   

O Brasil precisa ser refeito. Refazer a Nação de forma geral. O desprezo pela vida humana é uma prática monstruosa. Ha exceção? Claro que sim. Mas o bloco dos maus é muito grande e os recursos para praticar a maldade são vastos e enormes. E por mais que a exceção se faça notar, não tem força para virar esse quadro social de tamanha tragédia.

Se o ser humano não tiver um capital significativo, sua vida não valerá um níquel sequer. E mesmo tendo um capital significativo, se não tiver guarda-costas,ou, até mesmo tendo guarda-costas, a vida pode ser ceifada por uma traição, assalto, ou até mesmo uma emboscada.Fora isso, a vida dos demais brasileiros é útil para servir os ricos; útil para servir o mercado através do trabalho e consumo.

Nada contra os prósperos e abastados, mas contra a forma com que o serviçal é tratado. Há desprezo e discriminação. O próprio salário que o serviçal recebe, já é um flagrante da prática discriminatória; além de se alimentarem e ficarem em aposentos separados; que digam os jardineiros, motoristas, empregadas domésticas, porteiros, e até mesmo vigilantes.

Alguns são ricos, porque teve ajuda do pobre. Alguns permanecem ricos, devido o trabalho de um número significativo de pobres que trabalham com sacrifício para a cada dia dobrar mais e mais às riquezas de seus patrões. Outros são ricos devido manobras do sistema que os favorecem, e ao mesmo tempo, prejudicam uma legião dos menos favorecidos. Há também ricos que se tornaram prósperos devido o esforço pessoal, mas que foram ajudados pelo sistema. E outro grupo de abastados que ficaram ricos através do confisco ilegal dos direitos alheios, inclusive de herança.

Não sou contra a prosperidade, pelo contrário, acho justo que todos os homens tenham acesso à prosperidade, porém no mínimo, o que à Constituição determina: que é ganhar um salário mínimo que possa cobrir os custos de moradia,alimentação, escola, saúde e vestuário, o que não acontece. A Constituição proíbe à discriminação, mas na prática e de forma flagrante, ela acontece às claras e sem nenhum constrangimento. Exemplo:

Classe superior - ganha salário que cobre todas às determinações sociais básicas constitucionais, e ainda sobra um montão.

Classe dos servidores da classe superior - ganha salário que cobre todas às determinações sociais básicas, e sobra um pouco menos. Mas ainda assim, o salário permite sair de Brasília na hora do almoço e ir almoçar em Salvador.

Classe inferior - é a classe que serve não só à classe superior, como também seus servidores. Grande parte são terceirizados, como contínuos, garçons, camareiras, cozinheiros,porteiros, motoristas, jardineiros e vigilantes. Já o salário dessa gente na maioria das vezes, acaba antes de findar o mês, e grande parte está no SPC. Exatamente porque o salário não cobre o básico que se necessita para viver. E aí vai deixar de possuir o básico? Que se dane.

Classe dos comprovadamente pobres - essa classe só é lembrada em tempo de campanha eleitoral, passada às eleições, é matar um leão a cada dia. É luta acirrada pela sobrevivência, e muitas das vezes o leão sai vencedor. Geralmente na capela mortuária, são dois, três corpos velados no mesmo dia.

O Brasil precisa urgente de uma reforma moral e social. Voltar ao começo de tudo.
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13-11-2017, 03:53 PM
Resposta: #2
RE: Brasil: onde a vida humana é desprezada, odiada, perseguida e discriminada.
Concordo, mas qual atitude deve ser feita para mudar o que temos hoje? Estão ocorrendo manifestações em todo o Brasil nos dias 12 a 15 agora pedindo a intervenção militar para limpar os bandidos que tomaram conta do congresso e muitos não estão fazendo sua parte nesta nação. Estamos nas ruas estes dias clamando por mudanças, venha fazer parte desta mudança também. Senão ficar só reclamando não irá resolver. Esperar eleições para 2018 também não. Um milagre divino em 2020? esqueça. FAÇA ALGO AGORA, POIS AGORA É A HORA. DE UM PASSO PARA FRENTE E PEÇA A INTERVENÇÃO VOCÊ TAMBÉM.
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14-11-2017, 08:10 AM
Resposta: #3
RE: Brasil: onde a vida humana é desprezada, odiada, perseguida e discriminada.
Muito bom.

Acrescentaria a formação Brasileira.

País dos privilegiados, porem para entrar nessa cota de privilegiado tinha que ser Europeu e quanto mais rico melhor os regalos.

Homens negros e indígenas eram praticamente proibidos de casar, restavam então uma grande quantidade de mulheres que os europeus poderiam abusa-las, seduzi-las e engana-las ao bel prazer. Os padres e a coroa ficaram tão indignados com isso que chegaram a fazer condenação perpetua, em vão, os homens brancos europeus so faziam distanciar ainda mais dos costumes europeus e adentrar mais ainda em busca de mulheres e prestigio.

O romântico conto dos brasileiros: "meu bisavô pegou minha bisavó no laço" demonstra um pouco dessa quadro, mais ignora que em cada cartório registrava uma nova esposa.

E a ferida ate hoje não cicatrizada: a escravidão.

Para um bugre, um gentil, um Brasileiro de verdade, a escravidão era a "justa" exploração dos brancos civilizados cristãos aos bárbaros sem fé africanos.
Para os europeus, com seu vasto território colônia, era qualquer um que não faziam parte da metrópole.

Sem contar que quanto mais os brasileiro, os negros e os pobres europeus iam conquistando o Brasil, mais os ricos iam registrando essa terra em seu nome. Os primeiro (gentil, negros e pobres) enfrentava as adversidades, lutavam com índios, roubavam mulheres, amansavam a terra, depois chegava um privilegiado em São Paulo e registrava em seu nome uma grande porção de terra que ele nunca viu.

Sem contar a característica humana de culpar o jagunço, mais nunca o senhorzinho. O ódio vai contra a mão que bate, mais nunca contra quem deu a ordem.

Primeiro temos que nos livrar do nosso estado colonial, depois resolvendo nossas divergências internas.

Porem como nos libertar do império se dentro das nossas divergência interna ainda existem privilegiados que ganha por manter o Brasil em estado de colônia?

Ainda continuamos amansando a terra e a FIESP continua nos roubando e enviando nossa riqueza para o Império.

Volkswagen, Ford, Hyundai, Honda, Peugeout, Fiat agradecem.

E nos preocupados com o ladrão de galinha, ou pior, o nordestino bom vivam.
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14-11-2017, 03:53 PM
Resposta: #4
RE: Brasil: onde a vida humana é desprezada, odiada, perseguida e discriminada.
Em Portugal a situação e´parecida

DEUS escreve direito por linhas tortas
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marcosarierom (14-11-2017), OfimDoComeço (14-11-2017)
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19-11-2017, 07:28 PM
Resposta: #5
RE: Brasil: onde a vida humana é desprezada, odiada, perseguida e discriminada.
(14-11-2017 03:53 PM)Nelson Ferreira Escreveu:  Em Portugal a situação e´parecida

Em Portugal somente não, no MUNDO.
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marcosarierom (Ontem), Nelson Ferreira (Ontem)
19-11-2017, 09:23 PM
Resposta: #6
RE: Brasil: onde a vida humana é desprezada, odiada, perseguida e discriminada.
Mas o Portugal em comparação com o Brasil não está tão ruim assim.
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marcosarierom (Ontem), Nelson Ferreira (Ontem)
Ontem, 12:52 PM
Resposta: #7
RE: Brasil: onde a vida humana é desprezada, odiada, perseguida e discriminada.
"SCRAVIDÃO E MODERNIDADE A escravidão concentrava-se nas partes mais modernas da economia e tornara-se menos relevante nos setores atrasados ou decadentes. Em 1887, o Ministério da Agricultura, em seu relatório anual, contabilizava a existência de 723.419 escravos no País. Desse total, a Região Sudeste (São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo), produtora de café, abarcava uma população cativa de 482.571 pessoas. Todas as demais regiões respondiam por um número total de 240.848.

Ao mesmo tempo, o País passara a incentivar, desde 1870, a entrada de trabalhadores imigrantes – principalmente europeus – para as lavouras do Sudeste. É um período em que convivem, lado a lado, escravos e assalariados. Os números da entrada de estrangeiros são eloquentes. Segundo o IBGE, entre 1871 e 1880, chegam ao Brasil 219 mil imigrantes. Na década seguinte, o número salta para 525 mil. E, no último decênio do século XIX, após a Abolição, o total soma 1,13 milhão.

A implantação de uma dinâmica capitalista – materializada nos negócios ligados à exportação de café, como casas bancárias, estradas de ferro, bolsa de valores etc. – vai se irradiando pela base produtiva. Isso faz com que parte da oligarquia agrária se transforme numa florescente burguesia, estabelecendo novas relações sociais e mudando desde as características do mercado de trabalho até o funcionamento do Estado.

Para essa economia, o negro cativo era uma peça obsoleta. Além de seu preço ter aumentado após o fim do tráfico, em 1850, o trabalho forçado mostrava-se mais caro que o assalariado. Caio Prado Jr. (1907-1990), em seu livro História econômica do Brasil, joga luz sobre a questão:

“O escravo corresponde a um capital fixo cujo ciclo tem a duração da vida de um indivíduo; assim sendo, (...) forma um adiantamento a longo prazo do sobretrabalho eventual a ser produzido. O assalariado, pelo contrário, fornece este sobretrabalho sem adiantamento ou risco algum. Nestas condições, o capitalismo é incompatível com a escravidão”.

O economista João Manuel Cardoso de Mello escreve em seu O capitalismo tardio que:

“O trabalho assalariado se tornara dominante e o abolicionismo, a princípio um movimento social amparado apenas nas camadas médias urbanas e que fora ganhando para si a adesão das classes proprietárias dos Estados não-cafeeiros, na medida em que o café passara a drenar para si escravos de outras regiões, recebera, agora, o respaldo do núcleo dominante da economia cafeeira. Abolicionismo e Imigrantismo tornaram-se uma só e mesma coisa”.

CARA E OBSOLETA Esta condição – da escravidão ser uma relação de trabalho obsoleta – acentuou a necessidade de sua superação, tanto no plano econômico quanto no social e político.

A Abolição não era apenas uma demanda por maior justiça social, mas uma necessidade premente da inserção do Brasil na economia mundial, que já abandonara em favor do trabalho assalariado, mais barato e eficiente.

Um artigo publicado no semanário abolicionista Revista Illustrada, em 30 de abril de 1887, argumenta que a economia brasileira àquela altura já não dependia majoritariamente do trabalho servil:

“Pelos dados do Ministério da Agricultura, calcula-se que a cifra dos escravizados não chegue a 500 mil. Tirem-se as mulheres (50%), tirem-se os escravos das cidades, que nada produzem, e ver-se-á que o que fica para auxiliar a produção nacional é uma cifra tão irrisória, que podemos, com orgulho, afirmar, que a produção do nosso país já é devida aos livres”.

Os números não são exatamente iguais aos do Relatório do Ministério da Agricultura, já mencionado. Mas o comentário é digno de nota.

O fim do regime de cativeiro em São Paulo, em fevereiro de 1888, por exemplo, é ilustrativo. Às rebeliões de escravos ao longo da década de 1880 vieram se somar o formidável fluxo de mão-de-obra imigrante que chegava para a lavoura e para a incipiente indústria, inaugurando o regime de trabalho livre. A província já iniciara uma arrancada econômica – com a construção de ferrovias, instalação de casas bancárias e aumento das exportações – que a colocaria, na segunda década do século XX, na dianteira do desenvolvimento nacional. A libertação não representou nenhum abalo de monta para a economia regional.

A situação era diversa na província do Rio de Janeiro. A região enfrentava uma crise, com vários produtores rurais endividados em bancos. A libertação poderia representar um sério abalo. Com isso, os fazendeiros fluminenses ficaram contra a libertação.

LIMITES DO ABOLICIONISMO Apesar da ênfase abolicionista de setores das camadas médias e mesmo das elites em alguns centros urbanos, a pregação libertária tinha limites. Eles tornam-se perceptíveis quando examinamos que tipo de campanha os ideólogos da elite pretendiam realizar. Vale a pena conhecer as ideias do mais importante intelectual da emancipação, Joaquim Nabuco. Como deputado, ele liderou a jornada no parlamento.

Um trecho de sua obra mais importante, O abolicionismo, escrita em 1882, é esclarecedor. Nesta, Nabuco alega ter um “mandato da raça negra” (embora escravos não votassem):

“O mandato abolicionista é uma dupla delegação, inconsciente da parte dos que a fazem, (...), interpretada pelos que a aceitam como um mandato a que não se pode renunciar. Nesse sentido, deve-se dizer que o abolicionista é o advogado de duas classes sociais que de outra forma não teriam meios de reivindicar seus direitos, nem consciência deles. Essas classes são: os escravos e os ingênuos. Os motivos pelos quais essa procuração tácita impõem-nos uma obrigação irrenunciável não são puramente - para muitos não são mesmo principalmente - motivos de humanidade, compaixão e defesa generosa do fraco e do oprimido”.

Rico, filho do senador José Tomás Nabuco de Araújo (1813-1878), o parlamentar é membro de uma importante família pernambucana que teve entre seus membros altos funcionários do Império. Sigamos suas concepções:

“A propaganda abolicionista (...) não se dirige aos escravos. Seria uma covardia, inepta e criminosa e, além disso, um suicídio político para o partido abolicionista, incitar à insurreição, ou ao crime, homens sem defesa e que a lei da Lynch, ou a justiça pública, imediatamente, haveria de esmagar”.

Por que Nabuco pensa assim? Acompanhemos:

“A escravidão não há de ser suprimida no Brasil por uma guerra servil, muito menos por insurreições ou atentados locais. (...) A emancipação há de ser feita entre nós por uma lei que tenha os requisitos, externos e internos, de todas as outras. É, assim, no Parlamento, e não em fazendas ou quilombos do interior, nem nas ruas e nas praças das cidades que se há de ganhar ou perder a causa da liberdade”.

Sintetizemos: para Nabuco, o negro não tem consciência nem voz. Precisa de alguém para defendê-lo. É natural que quem o faça seja um branco, culto e influente. Mesmo assim, o negro não pode participar das mobilizações que visem mudar sua sina, sob pena de termos um cenário imprevisível.

Mesmo José do Patrocínio (1853-1905), tido como um abolicionista radical, não apresenta visão muito distinta. Pregava, no entanto, a necessidade de a campanha ganhar as ruas. O chamado Tigre da Abolição falava em “revolução”. Mas apontava ressalvas, dizendo ser necessária uma “aliança do soberano com o povo”:

“É uma revolução de cima para baixo. O povo não teria força por si só para realizar a abolição da escravidão”.

LEGALIDADE MONÁRQUICA As pregações de Nabuco e de Patrocínio envolviam duas vertentes principais.

A primeira é que o abolicionismo deveria ser conduzido nos estreitos limites da legalidade monárquica e escravocrata, no Parlamento e, no máximo, em salões e saraus. Deveria ser fruto de uma solução negociada entre o Estado e os fazendeiros, no espaço institucional e não no espaço social e público, sem risco de perda de controle.

A segunda é que os negros seriam sujeitos passivos nesse conflito. A essência da campanha abolicionista da chamada elite branca era clara: a emancipação deveria libertar os cativos sem tocar na ordem econômica vigente, centrada no latifúndio. Para isso, havia ao receio de que o movimento ganhasse as ruas, envolvendo seus principais interessados, os negros, e tivesse contornos de desobediência civil.

Em seu livro Onda negra, medo branco, Celia Maria Marinho de Azevedo chama a atenção para algumas decorrências dessa situação:

“Tudo se passa, enfim, como se os abolicionistas tivessem dado o impulso inicial e dirigido os escravos nestas rebeliões e fugas (...).Quanto aos escravos, tem-se a impressão de que são vítimas passivas, subitamente acordadas e tiradas do isolamento das fazendas pelos abolicionistas; ou então (...) a ideia que se passa é a de que o negro, apesar de toda a sua rebeldia, estava impossibilitado de conferir um sentido político às suas ações”.

Foi com esse caldo de cultura que se preparou a Abolição como uma intervenção restrita à libertação, sem medidas complementares, como reforma agrária, ampliação do mercado de trabalho, acesso à educação, saúde etc.

O que estava em jogo para a elite branca não era principalmente uma reforma social, mas a liberação das forças produtivas dos custos de manutenção de um grande contingente de força de trabalho confinada. A escravidão, no final do século XIX, tornara-se um obstáculo ao desenvolvimento econômico."

http://www.ipea.gov.br/desafios/index.ph...&Itemid=23

Este artigo me abriu muito os olhos sobre a abolição da escravatura.

Vale a pena a leitura completa do link.

É exatamente isso. A cultura do privilégio que ridiculariza o trabalhador braçal e os escraviza dentro do sistema.

É tão cruel que a propriedade predial está nas mãos da classe mais alta e só a residência dos assalariados leva quase a totalidade de seus ganhos.

Ou seja, o antigo senhor de escravo (que, aliás, tem seus herdeiros legislando em causa própria nesse momento no Congresso) lucra mais com o salário do que com o escravo.

E esse governo implantado está aí para legitimar (por lei) esse privilégio ainda mais.

Mas a propaganda na mídia está a todo vapor, comprando a leniência.

"Não é quem eu sou por dentro e sim o que eu faço é que me define." Batman.
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