27/12/2011 - 07h02
Estoque investido pelo Brasil no Peru cresceu 286% em quatro anos.
O Peru, centro sul-americano dos conflitos entre empresas, indígenas e ambientalistas, caminha para ultrapassar o Uruguai e se tornar o segundo maior destino de investimentos brasileiros na região, só superado pela tradicional Argentina.
Segundo os dados do Banco Central sobre estoques de investimento direto do Brasil no exterior, o volume aplicado no Peru cresceu 286% nos quatro anos entre 2007 e 2010, coincidindo com a parceria estratégica firmada pelos governos Lula (2003-2011) e Alan García (2006-2011).
O crescimento só foi superado pela Colômbia como destino (390%), mas o total investido, segundo os registros do BC, é quase três vezes maior no Peru --US$ 2,254 bilhões, contra US$ 872 milhões.
Os números do BC apontam uma tendência, mas são subestimados, uma vez que dependem de informação voluntária das empresas e não incluem aplicações realizadas por subsidiárias das múltis brasileiras --que costumam abrir companhias com personalidade jurídica própria para tocar negócios no exterior.
Mas a tendência é confirmada por um banco de dados sobre investimentos brasileiros na América do Sul e México feito pelo Cindes (Centro de Estudos de Integração e Desenvolvimento), do Rio.
O banco de dados, que registra operações anunciadas pelas empresas, mostra que em 2010 o Peru ficou no mesmo nível da Argentina (23% para cada um) em número de novos projetos brasileiros na região.
Somados, todos os empreendimentos anunciados e iniciados entre 2007 e outubro deste ano, segundo o banco, chegam a US$ 16 bilhões --dos quais pouco mais de US$ 5 bilhões na Argentina, US$ 3,3 bilhões no Peru e US$ 5,5 bilhões no Chile. Deste último, a maior parte corresponde a um projeto de usina termelétrica da MPX (subsidiária da EBX, de Eike Batista).
Sandra Rios, do Cindes, aponta que, enquanto as operações na Argentina e no Uruguai são diversificados, incluindo a indústria manufatureira, no resto da América do Sul os empreendimentos brasileiros estão concentrados em infraestrutura e recursos naturais, justamente os que mais sofrem oposição de comunidades locais.
O governo estimula a expansão das empresas, mas também cresce a preocupação em "desmontar a ideia" de que exista um "subimperialismo brasileiro" na região. "Nossas empresas não podem reproduzir um padrão de comportamento que não deixa nada para a área. Tem que ter efeito social, transferir tecnologia e acatar a legislação local", diz a assessoria internacional do Planalto.
EMPRESAS
As próprias empresas reconhecem que nem sempre o trabalho com as comunidades locais é bem feito. "Erramos no Chile e tivemos que corrigir", diz Roberto Gonzales, da MPX, sobre a contestação de uma comunidade do deserto de Atacama, no Chile, à construção da termelétrica.
Os moradores foram à Justiça e conseguiram sustar o empreendimento por três meses, entre o final de 2010 e o início do ano passado. Segundo Gonzales, por erro do governo, a emissão de poluentes prevista para a usina havia aparecido no relatório de impacto ambiental com um volume maior do que o real.
Quando o empreendimento não enfrenta resistência por razão ambiental ou por afetar área indígena, as exigências mais comuns das comunidades se referem a contrapartidas sociais. Foi o que aconteceu com a Vale em duas operações, de potássio na Argentina e de fosfato no Peru.
No caso peruano, em Bayóvar, no deserto de Sechura (norte), houve movimento pela contratação de mão de obra local. A companhia diz que está oferecendo cursos de capacitação para aumentar o percentual de funcionários da própria região, hoje 23% do total de 773. Afirma também que investiu US$ 4 milhões em programas sociais e que pagou ao governo, no contrato para a exploração da mina, US$ 2 milhões destinados a fundações de Sechura. O valor total investido no projeto é de US$ 566 milhões.
Na província argentina de Mendoza, o desenvolvimento da produção de potássio na bacia do rio Colorado chegou a ser sustado por pouco menos de duas semanas, neste ano, pelo governo regional, que exigia maior conteúdo local no projeto.
Segundo a Vale, foi assinado um acordo que garante a contratação de 75% da mão de obra na própria província, além da compra de insumos de fornecedores locais. A companhia diz que investiu mais de US$ 500 milhões no cumprimento do acordo, quase 10% do valor total aplicado no empreendimento, que chega a US$ 5,9 bilhões.
USINAS
A Odebrecht, que tem longa experiência no Peru (atua no país há 32 anos), diz que tem se associado a ONGs para trabalhar com comunidades atingidas por suas obras, como a rodovia Interoceânica Sul, inaugurada neste ano e que liga o Acre ao litoral peruano, no Pacífico. Afirma também que não teve problemas no projeto da hidrelétrica Chagalla, na região central do Peru, no qual investe US$ 1 bilhão.
A companhia desistiu de construir a hidrelétrica Tambo 4 --uma das cinco previstas em acordo firmado no ano passado entre os governos brasileiro e peruano-- ainda na fase de estudos preliminares, quando constatou a resistência da população atingida.
Depois, segundo o embaixador brasileiro em Lima, Carlos Alfredo Teixeira, o próprio governo peruano sustou a luz verde para quatro usinas. Um consórcio formado por Eletrobrás, Furnas e OAS espera autorização para iniciar a que sobrou, Inambari.
O processo de Ibambari foi atrasado pela troca de ministro de Minas e Energia feita pelo presidente Ollanta Humala, na reforma ministerial provocada pelos protestos em Cajamarca (norte) contra a mina de ouro Conga, empreendimento americano-peruano. A expectativa, diz o embaixador, é que seja concluído no início de 2012.
FONTE -
http://www1.folha.uol.com.br/mundo/10264...anos.shtml
O ministro Guido Mantega (Fazenda) comentou nesta segunda-feira estudo que aponta o Brasil como a sexta maior economia do mundo, ultrapassando o Reino Unido.
Para o ministro, o país tende a consolidar a posição diante da crise que atinge economias de países desenvolvidos, mas prevê que pode demorar de 10 a 20 anos para ter um padrão de vida europeu.
"Isso significa que nós vamos ter que continuar crescendo mais do que esses países, aumentar o emprego e a renda da população", disse o ministro, reconhecendo que o país ainda precisa investir mais nas áreas social e econômica.
O comentário foi feito sobre projeções do CEBR (sigla em inglês para Centro de Pesquisa Econômica e de Negócios) de que o Brasil deve terminar o ano como a sexta maior economia do mundo.
A subida do Brasil no ranking das maiores economias, no entanto, já era prevista pelo Fundo Monetário Internacional e pelas consultorias EIU (Economist Intelligence Unit) e BMI (Business Monitor International), conforme noticiou a Folha em outubro deste ano.
Para Mantega, o país tende a se consolidar na posição porque continuará a crescer em um ritmo maior que as outras economias.
"Os países que mais vão crescer são os emergentes como o Brasil, a China, a Índia e a Rússia. Dessa maneira, essa posição vai ser consolidada e a tendência é de que o Brasil se mantenha entre as maiores economias do mundo nos próximos anos", disse o ministro, de acordo com nota divulgada pelo Ministério da Fazenda.
ECONOMIA
De acordo com a consultoria britânica especializada em análises econômicas, a queda do Reino Unido no ranking das maiores economias continuará nos próximos anos, com Rússia e Índia empurrando o país para a oitava posição.
A entidade prevê ainda que a economia britânica vai superar a francesa até 2016.
O estudo aponta que a economia da zona do euro encolherá 0,6% em 2012, "se o problema do euro for resolvido", ou 2%, caso a crise financeira que assola os países que adotam a moeda não encontre solução.
O executivo-chefe da CEBR, Douglas McWilliams, disse, em entrevista à BBC, que esta mudança de posições entre Brasil e Reino Unido faz parte de uma tendência mundial.
"Eu acho que isto é parte da grande mudança econômica, onde não apenas estamos vendo uma mudança do Ocidente para o Oriente, mas também estamos vendo que países que produzem commodities vitais --comida e energia, por exemplo-- estão se dando muito bem, e estão gradualmente subindo na 'tabela do campeonato econômico'", afirmou.
PROJEÇÕES
Como a economia brasileira cresce em ritmo menor que a de outros emergentes asiáticos, em 2013, o país deverá perder a sexta posição para a Índia, de acordo com a EIU (Economist Intelligence Unit). Mas voltará a recuperá-la em 2014, ano da Copa do Mundo, ao ultrapassar a França.
Até o fim da década, o PIB brasileiro se tornará maior do que o de qualquer país europeu, de acordo com projeções da EIU. Depois de passar Reino Unido e França, a economia brasileira deverá deixar a alemã para trás em 2020.
A tendência de ascensão dos emergentes já era esperada por especialistas há anos, mas tem ganhado velocidade devido à crise global.
Quando o banco Goldman Sachs inventou o acrônimo Brics (que se refere a Brasil, Rússia, Índia e China) em 2003, previa que a economia brasileira ultrapassaria a italiana por volta de 2025 e deixaria os PIBs francês e britânico para trás a partir de 2035.