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Financiamento privado de campanhas políticas
01-10-2012, 12:50 PM
Resposta: #1
Financiamento privado de campanhas políticas
Com muita competência, o economista Ladislau Dowbor, faz uma análise apurada (e muito bem fundamentada) dos impactos relacionados ao financiamento das campanhas políticas. Trata-se uma prática legalizada no Brasil, mas que consiste em uma legalização truculenta de um crime que alcançou proporções colossais (muito conveniente para a elite financeira). Os efeitos são catastróficos e sistêmicos. Podemos senti-los no sucateamento das instituições públicas e na precarização dos serviços sociais. Eis que o artigo nos revela o centro de toda a corrupção neste país...

Os descaminhos do dinheiro: a compra das eleições

Ladislau Dowbor

Fonte: Carta Maior

[Imagem: foto_mat_38088.jpg]


No quadro acima, o crescente custo das campanhas nos Estados Unidos, segundo The Economist, Sept. 8th-14th p. 61


“The idea that in a democracy you should be able to trade your wealth
into more influence over what the government does is just wrong.”Lawrence Lessig [1]

“Les vices n’appartiennent pas tant à l’homme qu’à l’homme mal gouverné”
Rousseau [2]

Transformar o exercício da justiça em espetáculo midiático não é correto nem ético. Fazê-lo em nome da ética, menos ainda. Para muita gente, parece tratar-se de uma catarse política, canalização de ódios acumulados. Não se resolve grande coisa desta maneira. e gera-se sim dinâmicas perigosas. E sobre tudo, canaliza-se toda a energia contra pessoas, obscurecendo os vícios do sistema. O sistema agradece, e permanece. A realidade, é que há um imenso desconhecimento, por parte de não economistas, de como se dão os grandes vazamentos de recursos públicos.

Bem, vamos por partes. Primeiro, a grande corrupção, a grande mesmo, aquela que é tão grande que se torna legal. Trata-se do financiamento de campanhas. A empresa que financia um candidato – um assento de deputado federal tipicamente custa 2,5 milhões de reais – tem interesses.

Estes interesses se manifestam do lado das políticas que serão aprovadas, por exemplo contratos de construção de viadutos e de pistas para mais carros, ainda que se saiba que as cidades estão ficando paralisadas. As empreiteiras e as montadoras agradecem. Do lado do candidato, apenas assentado, já lhe aparece a preocupação com a dívida de campanha que ficou pendurada, e a necessidade de pensar na reeleição. Quatro anos passam rápido. Entre representar interesses legítimos do povo – por exemplo, mais transporte coletivo, mais saúde preventiva – e assegurar a próxima eleição, ele que estudou economia ou direito, e por tanto sabe fazer as contas e sabe quem manda, está preso numa sinuca.

O próprio custo das campanhas, quando estas viram uma indústria de marketing político, é cada vez mais descontrolado. Segundo The Economist, no caso dos EUA, os gastos com a eleição de 2004 foram de 2,5 bilhões de dólares, em 2010 foram de 4,5 bilhões, e a estimativa para 2012 é de 5,2 bilhões. Isto está “baseado na decisão da corte suprema em 2010 que permite que empresas e sindicatos gastem somas ilimitadas em marketing eleitoral”. Quanto mais cara a campanha, mais o processo é dominado por grandes contribuintes, e mais a política se vê colonizada. O resultado é a erosão da democracia. E resultam também custos muito mais elevados para todos, já que são repassados para o público através dos preços. [3]

Comentando os dados dos gastos corporativos na campanha eleitoral de 2010, Robert Chesney e John Nichols, da universidade de Illinois, escrevem que os financiamentos corporativos “se traduziram numa virada espetacular para a direita: a captura da vida política por uma casta financeira e midiática mais poderosa do que qualquer partido ou candidato.

Não se trata apenas de um novo capítulo no interminável romance entre o dinheiro e o poder, mas de uma redefinição da própria política pela conjunção de dois fatores: o fim dos limites de doações eleitorais por parte das empresas e a renúncia por parte da imprensa ao exame dos conteúdos das campanhas. Resulta um sistema no qual um pequeno círculo de conselheiros mobiliza montantes surrealistas para orientar o voto para os seus clientes. Este ‘complexo eleitoral dinheiro-mídia’ constitui presentemente uma força temível, subtraída a qualquer forma de regulação, liberada de qualquer obrigação de prudência por uma imprensa que capitulou. Esta máquina é permanentemente mediada por cadeias comerciais de televisão que faturaram, em 2010, 3 bilhões de dólares graças à publicidade política”. [4]

No Brasil este sistema foi legalizado em governos anteriores. A lei que libera o financiamento das campanhas por interesses privados é de 1997. [5] Podem contribuir com até 2% do patrimônio, o que representa muito dinheiro. Os professores Wagner Pralon Mancuso e Bruno Speck, respectivamente da USP e da Unicamp, estudaram os impactos. “Os recursos empresariais ocupam o primeiro lugar entre as fontes de financiamento de campanhas eleitorais brasileiras. Em 2010, por exemplo, corresponderam a 74,4%, mais de R$ 2 bilhões, de todo o dinheiro aplicado nas eleições (dados do Tribunal Superior Eleitoral)”. [6]

E a deformação é sistêmica: além de amarrar os futuros eleitos, quando uma empresa “contribui” e por tanto prepara o seu acesso privilegiado aos contratos públicos, as outras se vêm obrigadas a seguir o mesmo caminho, para não se verem alijadas. E o candidato que não tiver acesso aos recursos, simplesmente não será eleito. Todos ficam amarrados. Começa a girar a grande quantidade de dinheiro no sistema eleitoral. Criminalizar as empresas, ou as pessoas, não vai resolver, ainda mais se os criminalizados são apenas de um lado do espectro político. É preciso corrigir o sistema.

Mas custos econômicos incomparavelmente maiores resultam do impacto indireto, pela deformação do processo decisório na máquina pública, apropriada por corporações. O resultado, no caso de São Paulo, por exemplo, de eleições municipais apropriadas por empreiteiras e montadoras, são duas horas e quarenta minutos que o cidadão médio perde no trânsito por dia. Só o tempo perdido, multiplicando as horas pelo PIB do cidadão paulistano e pelos 6,5 milhões que vão trabalhar diariamente, são 50 milhões de reais perdidos por dia. Se reduzirmos em uma hora o tempo perdido pelo trabalhador a cada dia, instalando por exemplo corredores de ônibus e mais linhas de metrô. serão 20 milhões economizados por dia, 6 bilhões por ano se contarmos os dias úteis. Sem falar da gasolina, do seguro do carro, das multas, das doenças respiratórias e cardíacas e assim por diante. E estamos falando de São Paulo, mas temos Porto Alegre, Rio de Janeiro e tantos outros centros. É muito dinheiro. Significa perda de produtividade sistêmica, aumento do custo-Brasil.

Este tipo de corrupção leva a que se deformem radicalmente as prioridades do país, que se construam elefantes brancos. A deformação das prioridades mediante desvio dos recursos públicos daquilo que é útil em termos de qualidade de vida para o que é mais interessante em termos de contratos empresariais, gera um círculo vicioso, pois financia a sua reprodução.

Uma dimensão importante deste círculo vicioso, e que resulta diretamente do processo, é o sobre-faturamento. Quanto mais se eleva o custo financeiro das campanhas, conforme vimos acima com os exemplos americano e brasileiro, mais a pressão empresarial sobre os políticos se concentra em grandes empresas. Quando são poucas, e poderosas, e com muitos laços políticos, a tendência é a distribuição organizada dos contratos, o que por sua vez reduz a concorrência pública a um simulacro, e permite elevar radicalmente o custo dos grandes contratos. Os lucros assim adquiridos permitirão financiar a campanha seguinte.

Se juntarmos o crescimento do custo das campanhas, os custos do sobre-faturamento das obras, e sobre tudo o custo da deformação das grandes opções de uso dos recursos públicos, estamos falando em muitas dezenas de bilhões de reais. Pior: corrói o processo democrático, ao gerar uma perda de confiança popular nos processos democráticos em geral.

Não que não devam ser veiculados os interesses de diversos agentes econômicos. Mas para a isto existem as associações de classe e diversas formas de articulação. A FIESP, por exemplo, articula os interesses da classe industrial do Estado de São Paulo, e é poderosa. É a forma correta de exercer a sua função, de canalizar interesses privados. O voto deve representar cidadãos. Quando se deforma o processo eleitoral através de grandes somas de dinheiro, é o processo democrático que é deformado.

A moral da história é simples. Comprar votos é ilegal. Vincular o candidato com dinheiro não é ilegal. Já comprar o voto do candidato eleito é de novo ilegal. A conclusão é óbvia: vincula-se os interesses do candidato à empresa, o que é legal, e tem-se por atacado quatro anos de votação do candidato já eleito, sem precisar seduzi-lo a cada mês [7]. O absurdo não é inevitável. Na França, a totalidade dos gastos pelo conjunto dos 10 candidatos à presidência em 2012 foi de 74,2 milhões de euros. [8]

A grande corrupção gera a sua própria legalidade. Já escrevia Rousseau, no seu Contrato Social, em 1762, texto que hoje cumpre 250 anos: “O mais forte nunca é suficientemente forte para ser sempre o dono, se não transformar a sua força em direito e a obediência em dever” [9]. Em 1997, transformou-se o poder financeiro em direito. O direito de influenciar as leis, às quais seremos todos submetidos. Ético mesmo, é reformular o sistema, e acompanhar os países que evoluíram para regras do jogo mais inteligentes, e limitaram drasticamente o financiamento corporativo das campanhas.

(*) Ladislau Dowbor, economista, é professor da PUC de São Paulo, e consultor de várias agências das NNUU. http://dowbor.org

NOTAS
[1] “A ideia que numa democracia você deveria poder trocar a sua riqueza por maior influência sobre o que faz o governo é simplesmente errada” – Lawrence Lessig – Republic Lost: how money corrupts congress – and a plan to stop it – Twelve, New York, 2011, p. 313

[2] “Os vícios não pertencem tanto ao homem, quanto ao homem mal governado” – J.J. Rousseau, Narcisse

[3] Ver dados completos em The Economist, Of Mud and Money, September 8th 2012, p. 61; Sobre esta decisão da corte suprema americana, Hazel Henderson produziu uma excelente análise intitulada “Temos o melhor congresso que o dinheiro pode comprar” (We have the best congress money can buy).

[4] Robert W.McChesney e John Nichols – Et les spots politiques ont envahi les écrans – Le Monde Diplomatique, Manière de Voir, n. 125, Où va l’Amérique, Octobre-Novembre 2012, p. 62 – A liberação do financiamento corporativo das campanhas eleitorais foi conseguida pelo lobby conservador Citizens United, junto à Corte Suprema dos Estados Unidos, em 21 de janeiro de 2010, em nome da “liberdade de expressão”.

[5] O financiamento está baseado na Lei 9504, de 1997 "As doações podem ser provenientes de recursos próprios (do candidato); de pessoas físicas, com limite de 10% do valor que declarou de patrimônio no ano anterior no Imposto de Renda; e de pessoas jurídicas, com limite de 2%, correspondente [à declaração] ao ano anterior", explicou o juiz Marco Antonio Martin Vargas, assessor da Presidência do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de São Paulo.” – Revista Exame, 08/06/2010, Elaine Patricia da Cruz, Entenda o financiamento de campanha no Brasil.

[6] “Pouquíssimos candidatos conseguem se eleger com pouco ou nenhum dinheiro”, comenta Mancuso, que coordena o projeto de pesquisa Poder econômico na política: a influência de financiadores eleitorais sobre a atuação parlamentar. Ver em Bruna Romão, Agência USP.

[7] No plano propositivo, há um excelente trabalho de Lawrence Lessig, professor de direito da Universidade de Harvard, Republic Lost: how money corrupts Congress and a plan to stop it, Twelve, New York 2011, em particular p. 266 e seguintes.

[8] Le Monde Diplomatique, Manière de Voir, Où va l’Amérique, Octobre-Novembre 2012, p.11

[9] “Le plus fort n’est jamais assez fort pour être toujours le maître, s’il ne transforme sa force en droit et l’obéissance en devoir”. Du Contrat Social, 1762. “Maître” em francês é muito mais forte do que “mestre” em português, implica força, controle.

"Quando é preciso escolher entre a economia e a democracia,
nosso dever é salvar a economia."

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02-10-2012, 10:17 AM
Resposta: #2
RE: Financiamento privado de campanhas políticas
nao li uma frase, mais nao é preciso ser especialista para saber que o interesse privado em financiameento a campanha é antidemocratico e contra o interesse publico. o dinhiero que leva de gargalo a iniciativa privada poderia ser investido pelo governo,assim tendo superavit para o dinheiro publico ser usado em campanha politica,todos com mesmo valor.tempo. isso sim seria democracia.
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27-11-2012, 12:39 PM (Resposta editada pela última vez em: 27-11-2012 12:41 PM por Lord Ravenous.)
Resposta: #3
RE: Financiamento privado de campanhas políticas
Agora todos podem ver...

Quem bancou a campanha dos prefeitos nas capitais

Excluídas as chamadas doações ocultas, empreiteiras, bancos e indústrias foram os principais financiadores dos eleitos nas nove capitais que decidiram a disputa no primeiro turno

fonte: Brasil de Fato

Três construtoras, um banco, uma indústria de bebidas e recursos retirados da própria conta bancária do candidato lideram o ranking de maiores doadores dos nove prefeitos de capital eleitos no primeiro turno, de acordo com as prestações de contas entregues pelos próprios candidatos à Justiça eleitoral. Na verdade, de acordo com o pequeno percentual do qual de fato é possível rastrear o financiador. Afinal, como mostrou o Congresso em Foco na última quinta-feira (22), 75% dos recursos declarados pelos prefeitos eleitos em primeiro turno tiveram origem oculta, ou seja, foram repassados pelos comitês financeiros ou diretórios partidários.O Congresso em Foco apresenta, a seguir, uma compilação das informações declaradas por esses nove prefeitos de capital à Justiça eleitoral. Amanhã (27), vence o prazo para os eleitos apenas no segundo turno entregarem suas prestações de conta.


Márcio Lacerda

Candidato que mais arrecadou, dentre os eleitos em primeiro turno, o prefeito reeleito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB), declarou ter arrecadado R$ 21,5 milhões. Desse total, R$ 15,3 milhões tiveram origem oculta. Saíram do comitê financeiro municipal e dos diretórios municipal e nacional do PSB. Márcio foi o candidato que mais tirou dinheiro do próprio bolso para botar na campanha eleitoral. Foram R$ 4 milhões. Entre os principais doadores dele, estão a Constran S/A Construções e Comércio, com R$ 500 mil, e os bancos BMG e Itaú Unibanco, com R$ 300 mil cada.

Descrição detalhada

Eduardo Paes

Quase 90% dos recursos declarados pelo prefeito reeleito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), tiveram origem oculta. Nada menos que R$ 18,7 milhões, dos R$ 21,2 milhões arrecadados, vieram do comitê financeiro municipal e dos diretórios estadual e nacional do PMDB. Depois dessas fontes, os maiores doadores de Paes foram o Banco Itaú Unibanco e a Multiplan Empreendimentos Imobiliários S/A, empresa que controla o BarraShopping, entre outros centros comerciais.

Descrição detalhada

Geraldo Júlio

Metade dos R$ 7,1 milhões arrecadados pelo prefeito eleito de Recife, Geraldo Júlio (PSB), foi repassado pelos diretórios estadual e nacional do PSB, ou seja, por meio de doação oculta. O candidato teve outras 27 fontes de financiamento. O maior repasse foi feito pela Indústria de Bebidas Igarassu, que contribuiu com R$ 600 mil. Depois, apareceram a Indústria de Alimentos Bom Gosto, com R$ 550 mil, e a Schincariol, com R$ 400 mil. Entre as empreiteiras, a maior doadora foi a OAS Ltda, que repassou R$ 500.000 à campanha do candidato.

Descrição detalhada

José Fortunati

O prefeito reeleito de Porto Alegre, José Fortunati (PDT), informou ter recebido R$ 6 milhões (97,5%) dos R$ 6,2 milhões que arrecadou do Comitê Financeiro Municipal. Foi o segundo maior percentual de doações ocultas entre os eleitos em primeiro turno nas capitais. Só há uma pessoa jurídica entre os demais financiadores do candidato, o Banco Itaú Unibanco, que contribuiu com R$ 150 mil. Há mais quatro doadores, pessoas físicas, que destinaram R$ 1 mil cada para a campanha.

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Paulo Garcia

O prefeito reeleito de Goiânia, Paulo Garcia (PT), declarou ter arrecadado R$ 5,6 milhões. Desse total, R$ 3,8 milhões (69%) tiveram origem ocultam, vieram dos diretórios estadual e nacional do PT. Além dos repasses partidários, Paulo Garcia recebeu de outros 44 financiadores. A maior contribuição foi dada pela Porto Belo Engenharia e Comércio, que destinou R$ 200 mil à campanha. O Itaú Unibanco doou R$ 150 mil e a Goiânia Agrocomercial, R$ 135 mil. A maior doação de pessoa física foi feita pelo deputado Sandro Mabel (PMDB), aliado do petista, que repassou R$ 100 mil para a campanha do prefeito reeleito.

Descrição detalhada

João Alves

De volta à prefeitura de Aracaju, mais de 30 anos após sua primeira passagem pelo comando da capital sergipana, João Alves Filho (DEM) arrecadou R$ 4 milhões. Desse total, R$ 3,7 milhões (93%) tiveram origem oculta, foram intermediados pelo comitê financeiro e pelo diretório nacional do Democratas. Entre os demais financiadores, estão dez empresas privadas. A Construtora Cunha Ltda, com R$ 150 mil, a Cencosud Brasil Comercial e a Votorantim Industrial, com R$ 50 mil cada, foram as principais incentivadoras financeiras.

Descrição detalhada

Rui Palmeira

Dos R$ 3.741.116 declarados pelo prefeito eleito, R$ 3.173.066 (85%) tiveram origem oculta, foram repassados pelos diretórios municipal e nacional do PSDB. Além desses repasses, Rui Palmeira recebeu de oito doadores particulares. Ele próprio contribuiu com R$ 12 mil. As maiores contribuições foram dadas pela DP Barros Pavimentação e Construção Ltda., que contribuiu com R$ 300 mil, pelas Usinas Reunidas Seresta S/A, com R$ 100 mil, e pela Editora Cered, que destinou R$ 60 mil.

Descrição detalhada

Carlos Amastha

Entre os prefeitos de capital eleitos em primeiro turno, o colombiano naturalizado brasileiro Carlos Amastha (PP) foi o que teve menos doações ocultas. Apenas 10% (R$ 408 mil) dos R$ 4 milhões por ele declarados. O prefeito eleito de Palmas foi o segundo que mais usou recursos próprios. Ele foi o principal financiador de sua campanha, com R$ 3,1 milhões. Entre as pessoas jurídicas, a maior doadora foi a Sociedade Técnica Educacional da Lapa, mantenedora da Faculdade Educacional da Lapa, do Paraná, com R$ 210 mil.

Descrição detalhada



Teresa Surita

A prefeita eleita de Boa Vista, deputada Teresa Surita (PMDB), declarou ter recebido R$ 1,96 milhão do diretório estadual do partido. Ou seja, é a única, dentre os prefeitos de capital eleitos em primeiro turno, a ter 100% dos recursos arrecadados vindos de origem oculta. “Como candidata, não cuidei de doações. Tudo foi feito seguindo a norma do Tribunal Superior Eleitoral. Não tive relação com nenhum doador”, disse a deputada, por meio de sua assessoria.

Descrição detalhada


Doações ocultas

Dos R$ 75,5 milhões arrecadados pelos nove prefeitos de capital eleitos em primeiro turno, R$ 57 milhões (75%) tiveram origem oculta. Esse montante foi atribuído pelos candidatos eleitos a repasses dos comitês financeiros e aos diretórios de seus partidos políticos.

Apesar de os comitês e os diretórios também serem obrigados a informar de quem receberam, não é possível precisar o destino final da doação, já que os recursos são pulverizados entre diversos candidatos. Para o juiz Márlon Reis, coordenador do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral e um dos idealizadores da Ficha Limpa, as doações ocultas são um mecanismo de autoproteção de empresas que não querem ter seus nomes vinculados a candidatos. “Isso impede o eleitor de conhecer o caminho do dinheiro”, avalia.


Nota do Ravenous: Como sempre disse Jesse Ventura: "Follow the money..."

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Zunim (27-11-2012)
27-11-2012, 03:16 PM
Resposta: #4
RE: Financiamento privado de campanhas políticas
E podemos ter certeza de uma coisa: estas empresas não doaram por caridade, não... Elas vão querer muitos favores em troca...

No mais, excelente tópico, muito esclarecedor!

Gentileza gera gentileza. Smile
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Pescada (27-11-2012)
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