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James Lovelock, “A Terra é um ser vivo do qual somos o sistema nervoso”
24-01-2016, 11:34 AM
Resposta: #1
James Lovelock, “A Terra é um ser vivo do qual somos o sistema nervoso”
[Imagem: 24cgz9x.png]

Ele é o inventor da hipótese Gaia.


Falar de James Lovelock é falar de paradoxos. A começar por sua reputação de teórico inflamado e visionário e por sua aparência: magrinho, olhos azuis-claros, voz suave e sorriso infantil.

Difícil imaginar que esse vovô alegre e brincalhão publicou um dos livros mais sombrios dos últimos anos sobre o futuro do planeta.

Da mesma forma, é difícil acreditar que, por trás do ar inofensivo de aposentado, esse homem provocou mais de 40 anos de polêmicas no mundo da ciência com sua hipótese Gaia que ele batizou com o nome da deusa grega da Terra, segundo a qual nosso planeta seria um ser vivo.

Foi a quase meio século que Lovelock, na época com 42 anos, assumiu algo por acaso, o destino de teórico da ciência bem como o de semeador de encrencas.

Ele era, então, um obscuro biofísico britânico, médico de formação, que concebera vários aparelhos engenhosos “naqueles tempos, os cientistas fabricavam eles mesmos seus instrumentos, pois ninguém tinha dinheiro para comprá-los nas lojas”, recorda ele.

Alguns desses aparelhos permitiam a detecção de substâncias em concentrações muito baixas, pelo método da cromatografia gasosa, e interessaram à NASA, que então desenvolvia um programa de exploração de Marte.

Para obter esses detectores, a agência norte-americana trouxe seu inventor, que chegou em 1961 ao Jet Propulsion Laboratory (JPL), na Califórnia, com a missão estritamente técnica de adaptar os aparelhos às exigências das naves espaciais.

Mas traço indelével de seu caráter o inventor logo resolveu se meter onde não era chamado.

Logo de cara, disse aos biólogos da NASA que as experiências que eles planejavam eram ridículas: implicitamente, elas partiam do princípio de que as formas de vida em Marte seriam semelhantes àquelas do deserto da Califórnia!”.

O tom das discussões engrossou e Lovelock foi chamado ao escritório do diretor, furioso por causa do clima de conflito entre os biólogos que ele trouxera a peso de ouro para o JPL. “Você tem três dias para me trazer uma proposta construtiva”, ele disse a Lovelock.

Um sistema que favorece a vida

Três noites em claro mais tarde, Lovelock voltou ao JPL. Trazia um projeto ao mesmo tempo nebuloso e preciso. Sua ideia? Buscar uma “assinatura” global da vida, mais que dissecar algumas amostras demasiadamente locais.

E a audácia de sustentar que, ao desvendarmos a composição química da atmosfera marciana pela análise da luz oriunda do Planeta Vermelho, poderíamos talvez perceber se essa atmosfera carrega a marca de seres que nela colhem nutrientes e nela lançam seus dejetos.

Ou se, ao contrário, ali simplesmente nada acontece. A ideia de que um simples telescópio munido de um espectrofotômetro permitiria detectar a vida recolocava em questão todo o programa em curso.

Os cientistas presentes imediatamente puseram cadeados nas portas, e solicitou-se ao sujeito que voltasse a seus instrumentos… e retomasse sua condição de homem livre e descompromissado o mais rapidamente possível.

Estudar a chance de vida em marte ajudou na criação da hipótese Gaia


A NASA ficou para trás, mas isso pouco importava. Lovelock havia encontrado uma pista e, como bom sabujo da ciência, nunca mais a abandonaria.

Em 1965, ele publicou na revista Nature um primeiro artigo sobre a análise a distância da vida em Marte.

Dois anos depois, divulgou algumas das primeiras conclusões, amparadas no estudo da radiação infravermelha desse planeta comparada à da Terra.

Eram conclusões extremamente engenhosas e inovadoras, baseadas no segundo princípio da termodinâmica, segundo o qual a matéria tende a uma crescente desordem, à qual se opõe a ação organizadora da vida.

Expliquei que Marte estava próximo do equilíbrio químico e dominado em 95% pelo dióxido de carbono (uma molécula muito estável), enquanto a Terra estava num estado de profundo desequilíbrio químico”, recorda Lovelock. Em nossa atmosfera, o dióxido de carbono é raro.

Aqui, porém, encontramos oxigênio em abundância, que coexiste com o metano e outras substâncias muito reativas.

Ora, essa combinação é improvável num planeta onde atuam apenas as leis da química. Para o pesquisador, uma conclusão se impõe: é a vida que renova sem cessar todas essas moléculas e afasta a Terra do equilíbrio químico visto em Marte e Vênus.

Esses dois planetas, portanto, estão mortos, enquanto a Terra está viva.
Num planeta no qual há vida, essa característica fica perceptível na atmosfera, onde seres animados colhem nutrientes e lançam dejetos.

Lovelock, que quando muito jovem queria ser médico, se debruça finalmente sobre as propriedades da Terra. E verifica que sua atmosfera, de composição química tão distante do equilíbrio, permaneceu notavelmente estável ao longo das eras.

Um pouco como o sangue de um ser vivo. O mesmo se observa no que diz respeito à temperatura: à escala de centenas de milhões de anos, ela exibe uma surpreendente estabilidade. A radiação solar, no entanto, aumentou um terço desde o surgimento da vida na Terra.

A propriedade de conservar sua temperatura constante enquanto a do meio circundante varia a homeotermia, é característica dos animais mais complexos.

Enfim, o raciocínio chega à terceira etapa, a mais controvertida de todas. Lovelock constata que tanto a temperatura como a composição química tendem a valores quase ótimos para a criatura viva como se o “objetivo” do sistema fosse favorecer a vida.

De fato, uma atmosfera com duas vezes mais oxigênio causaria incêndios incessantes, enquanto o oxigênio mais rarefeito acarretaria vários problemas metabólicos para os seres vivos.

Segundo Lovelock, a causa é bem clara e, após publicar artigos de grande repercussão, ele resumiu esses pensamentos em 1979 em sua obra de referência:

A Terra É um Ser Vivo A Hipótese Gaia. Nela, defende a ideia de que a Terra é uma espécie de simbiose (uma associação biológica favorável a todas as partes que a compõem) gigante entre todos os seres vivos e o meio mineral, um superorganismo que se conserva no estado mais favorável possível à vida por meio de mecanismos de retroação (ou seja, o efeito agindo sobre a causa).

Marte (acima), pelas análises de Lovelock, tem uma atmosfera próxima do equilíbrio químico. Já a da Terra se encontra em profundo desequilíbrio químico – fator que indica a existência de vida. Isso levou o cientista britânico a criar a hipótese Gaia, nome da deusa grega (abaixo) associada ao nosso planeta.

Semente da discórdia


Um dos mais eminentes climatologistas norte americanos da atualidade, David Archer, comenta: “Durante meu primeiro curso de biogeoquímica, fizeram-me ler os primeiros capítulos desse livro. Desde então, impus sua leitura a todos os alunos dos quais me tornei orientador.”

A ideia, hoje mundialmente aceita, de que é preciso pensar a Terra como um sistema no qual todas as partes interagem, e que biólogos, oceanógrafos, geólogos, meteorologistas, etc. devem trabalhar juntos para conseguir antecipar seu funcionamento, deve muito a Lovelock.

Mas, ao batizar seu objeto de estudo “Gaia”, nome de uma divindade feminina (aconselhado por William Golding, Prêmio Nobel de Literatura em 1983), o teórico foi, para muitos, longe demais. Passou-se a recomendar muita prudência na leitura de seus livros, e em várias universidades ele passou a ser tratado como místico e teólogo, pelo fato de que sua teoria parece conferir um sentido para a vida e a evolução.

Imperdoável, para um cientista! Jovens pesquisadores foram inclusive advertidos de que o uso do nome “Gaia” num título de artigo ou trabalho científico podia arruinar ou macular seriamente uma carreira de cientista.

Os biólogos, sobretudo Richard Dawkins, acusaram-no com virulência de questionar o darwinismo. Como caracteres “altruístas”, favorecendo a biosfera em seu conjunto, e não o indivíduo ou a espécie poderiam ter sido selecionados pela evolução? Quer-se introduzir aqui uma mão divina, argumentavam indignados.

E não faltaram sequer aqueles que lembravam que o segundo nome de Lovelock, Ephraim, dá testemunho de suas origens familiares rigidamente protestantes…

A independência de pensamento de Lovelock incomoda muita gente. Os ambientalistas, por exemplo, apreciam a metáfora de Gaia, mas se irritam com a defesa histórica que seu criador faz da energia nuclear para o cientista, a principal fonte energética do futuro.

A simples menção dessas críticas consegue apagar o luminoso sorriso de Lovelock.

Os biólogos tornaram-se exageradamente belicosos por causa dos repetidos ataques desferidos contra eles pelos criacionistas. Assim que alguma coisa sai do seu padrão de pensamento, eles a interpretam como criacionismo e partem para o ataque.

Além disso, fazem-no usando as próprias armas dos religiosos, um pouco como se A Origem das Espécies, de Darwin, fosse à nova Bíblia. Não estou minimamente em desacordo com o darwinismo.

Minha teoria o engloba, mas em um nível superior. Um pouco como a teoria da relatividade supera, sem a contradizer, a física newtoniana.

Mas, assim sendo, o planeta vivo é apenas uma metáfora? “Claro, ele não é vivo como nós ou uma bactéria, e, nesse sentido, é mesmo uma metáfora”, admite Lovelock. “Mas acho que a definição de vida dada pelos biólogos é demasiado restritiva. Afinal, falta a Gaia apenas a reprodução!

Pode-se apostar que se, em vez de lançar mão do termo Gaia, ele tivesse batizado sua tese de “teoria biogeoquímica”, como lhe fora aconselhado, teria evitado muitos aborrecimentos e gozaria de todas as merecidas honras de grande cientista.

Mas, como um Dom Quixote da ciência, a obstinada doutora recusa baixar o tom de seus escritos, não admite a retirada de uma única vírgula e se mantém em permanente disputa com seus adversários.

Isso lhe valeu um estatuto original de “cientista independente”, fora das grandes instituições, inteiramente consagrado à defesa e à consolidação de sua teoria mas não o impediu de publicar em sua carreira mais de 200 artigos, 30 dos quais na Nature, e de fazer várias descobertas importantes.

Por exemplo, a do DMS, aerossóis sulfurosos emitidos pelas algas e capazes de esfriar a atmosfera oceânica. Eles constituem um bom exemplo de retroação “à moda de Gaia”: se a temperatura aumenta, as algas proliferam, produzem mais aerossóis… o que, por sua vez, faz baixar a temperatura do oceano.

Tarde demais?


Em relação fria com a maioria das instituições científicas, Lovelock poderia ter se refugiado no seio de uma nova família que lhe estendia os braços: o movimento ecológico.

Entusiasmados pela metáfora de Gaia, os ecologistas dos anos 1970 piscam os olhos para seu inventor. Mas desde o início o paradoxal Ephraim não pôde ser digerido pelo movimento verde.

É que o homem, que não hesita em se declarar ecologista, é ao mesmo tempo um tecnófilo decidido. Claro, ele manifesta hostilidade à poluição e à excessiva intrusão humana no funcionamento normal de Gaia. Mas isso não o impede de ser, por exemplo, um defensor histórico da energia nuclear e isso muito antes de a questão do aquecimento global aflorar.

O aquecimento global afetará profundamente a agricultura mundial, deixando-a inviável em diversas regiões do mundo.

Numerosos verdes franceses, donos de belas mansões na Dordonha (sudoeste do país), vêm a mim para elogiar as vantagens do TGV, o trem ultra-rápido, conta o cientista.

Então, digo a eles: Mas vocês sabem que se trata de um transporte nuclear? Eles, claro, soltam gritos de protesto. Mas isso é verdade! A maior parte dos verdes é feita de burgueses urbanos e bem posicionados na vida. São cheios de boas intenções, mas não entendem nada de ciência nem da realidade.

Embora sempre denunciando as ações poluidoras e os atentados aos ciclos naturais, Lovelock tem se mantido a boa distância de um catastrofismo muito em moda nos meios ecologistas.

Para ele, Gaia é bem mais forte que os homens e, no fundo, apenas superficialmente atingidos por seus caprichos, mesmo os mais insanos. Ou, melhor dizendo, ele pensava assim: recentemente, mudou quase que radicalmente de posição e, em sua última obra, A Vingança de Gaia, dá um verdadeiro grito de alarme.

Esse livro”, diz ele, nasceu de uma visita ao Hadley Centre (centro de estudos do clima britânico) em janeiro de 2005.

À medida que passava de departamento a departamento, dos especialistas da banquisa polar aos do oceano, e depois aos da floresta, o repicar do sino era sempre o mesmo: as coisas se degradam e a retroação será positiva.

Ou seja: por exemplo, o desaparecimento da banquisa oceânica no Ártico irá acelerar o aquecimento do oceano, o oceano não conseguirá mais absorver o carbono, o aquecimento da floresta irá liberar ainda mais CO2… O perigo é mortalmente sério.

Gaia, portanto, está em perigo? “Gaia, precisamente, não”, estima Lovelock, mas, se o aumento da temperatura que prevejo, de 6 a 8 graus centígrados, se produzir, a civilização poderá ser ameaçada: teremos uma extinção em massa de espécies e a agricultura se tornará impossível em boa parte da superfície do planeta.

O alimento será insuficiente, haverá migrações de populações inteiras, conflitos, a humanidade se concentrará ao redor das regiões polares… Esse prognóstico se justifica, segundo Lovelock, pelo fato de modelos atuais subestimarem as retroações.

Fazer as pazes com a Terra

Em seu último livro, A Vingança de Gaia (Editora Intrínseca), Lovelock traça um prognóstico pessimista, julgando que nosso planeta está febril e que sua saúde declina. Ele pede uma reação enérgica para salvar aquilo que ainda pode ser salvo – “fazermos as pazes com Gaia enquanto ainda somos fortes o bastante para negociar, e não quando tivermos nos tornado uma multidão dividida e vencida, em via de extinção”.

O momento atual, para ele, é o de uma “retirada sustentável”, mais que de um “desenvolvimento sustentável”. Para ilustrar a situação, ele costuma usar a metáfora de Napoleão às portas de Moscou em 1812: “Acreditamos ter vencido todas as batalhas, mas a verdade é que avançamos demais, temos demasiadas bocas para alimentar e o inverno se aproxima…” E o Protocolo de Kyoto? Nova metáfora: “É como os acordos de Munique que vivi na minha juventude. O mundo inteiro percebe o perigo que se aproxima e os políticos pronunciam belas frases e fazem de conta que estão fazendo alguma coisa.”

A humanidade representa uma grande oportunidade para Gaia, diz Lovelock. “Somos, de certa forma, seu sistema nervoso”, ressalta o cientista. “Ela perderia muito se nos perdesse.”

Medicina planetária


Diante da gravidade do momento, e fiel a seu gosto pela tecnologia, Lovelock concebe sem reticências uma “medicina planetária”. Ela inclui estratégias para refrescar artificialmente o planeta, seja na forma de aerossóis sulfurosos, seja na de espelhos gigantes instalados em órbita no espaço, e várias outras soluções paliativas.

Ele preconiza uma nuclearização maciça da eletricidade mundial e sugere inclusive que uma parte de nossa alimentação seja produzida artificialmente, em fábricas, para minimizar nossa utilização do espaço natural.

Programa surpreendente, que demonstra a independência de pensamento de um homem que, apesar de quase meio século de uso da palavra livre, é agora recebido pelos grandes do planeta, como Al Gore, ex-presidente norte-americano e Prêmio Nobel da Paz de 2007.

E como estão as relações entre o homem e Gaia? Será preciso ver nossa espécie como um tipo de câncer do planeta, paralisando pouco a pouco suas funções reguladoras? “A aparição da humanidade constituiu uma grande oportunidade para Gaia”, protesta o cientista.

Somos, de certa forma, seu sistema nervoso. Em todo caso, é graças a nós que ela de algum modo tomou consciência de si mesma e inclusive conseguiu se ver a partir do espaço exterior. Ela perderia muito se nos perdesse.”

E conclui com uma última metáfora: “Gaia, vocês sabem, é como uma avó que recolheu em sua casa um bando de adolescentes demasiado indisciplinados e turbulentos. Ela poderá – talvez com a morte na alma trancar a porta e deixá-los do lado de fora.

James Lovelock é doutor honoris causa de uma dezena de universidades ao redor do mundo. Ganhou prêmios científicos de vários organismos, tais como a Organização Mundial de Meteorologia, a Academia de Ciências da Holanda, a Sociedade Norte-Americana de Química e o Laboratório Marinho de Plymouth.

FONTE: revistaplaneta.com

Reproduzido por: http://verdademundial.com.br/2016/01/jam...a-nervoso/
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fallen1232 (25-01-2016), Infinite (25-01-2016)
Óleo de Copaíba é na Tudo Saudável
25-01-2016, 01:42 PM
Resposta: #2
RE: James Lovelock, “A Terra é um ser vivo do qual somos o sistema nervoso”
Esse video é bastante esclarecedor:






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John Dickinson (25-01-2016)
25-01-2016, 04:56 PM
Resposta: #3
RE: James Lovelock, “A Terra é um ser vivo do qual somos o sistema nervoso”
Esse é o pai do aquecimento global.

O Gandhi nuclear

Eduardo Szklarz

Quem diria. A energia nuclear, alvo histórico dos protestos ambientalistas, pode ser a chave para nos salvar do aquecimento global. Mais surpreendente ainda: quem defende a idéia é o inglês James Lovelock, uma espécie de guru dos ecologistas. Aos 84 anos, o cientista afirma que precisamos interromper imediatamente a queima de combustíveis fósseis, que piora o efeito estufa. “A única forma de energia imediatamente acessível que não causa aumento de temperatura é a nuclear. Não temos tempo para experimentar”, diz. A idéia logo foi rechaçada por organizações ambientais como Greenpeace e Amigos da Terra. E fez o cientista ver renegado o apelido que ganhou da revista New Scientist: “Gandhi da ciência”.

Na teoria que o consagrou, Lovelock descreve a Terra como uma espécie de superorganismo formado pela superfície, ar e oceanos. O planeta funcionaria como um sistema vivo capaz de regular a composição atmosférica, o clima e a salinidade dos mares, o que o manteria sempre adequado para a vida. Fez um baita sucesso com os verdes. O problema é que agora o aquecimento global agiria como uma armadilha para Gaia: o calor proveniente do efeito estufa gera ainda mais calor, num círculo vicioso.

Químico com doutorado em medicina e biofísica, Lovelock foi um dos primeiros ambientalistas a falar do aquecimento global, num relatório elaborado em 1989 para o gabinete da primeira-ministra inglesa Margaret Thatcher. Best sellers como As Eras de Gaia o tornaram um dos cientistas mais influentes do século 20, com títulos de doutor honoris causa em diversas universidades ao redor do mundo. Lovelock concedeu esta entrevista de sua casa em Launceston, na Inglaterra.

Por que usar energia nuclear e não outras formas tidas como ecologicamente corretas, como a eólica e a solar?

Seria ótimo se pudéssemos contar somente com essas fontes de energia, mas elas não satisfazem nossas necessidades. Se houvesse 1 bilhão de pessoas no mundo, bastaria usar as energias solar, eólica, hidrelétrica e uma quantidade modesta vinda da queima de madeira. Mas já somos mais de 6 bilhões e a população continua aumentando. A energia nuclear é limpa e não provoca aquecimento. Uma estação pode ser construída em três anos. É também uma fonte de energia altamente disponível, não está acabando nem ficando mais cara, como o petróleo.

Um desastre como o de Chernobyl, na União Soviética, não seria suficiente para banir as usinas nucleares?

Há muita mentira em torno desse assunto. De acordo com informes da ONU, houve 45 mortos em conseqüência da explosão do reator em Chernobyl. Quase todos eram trabalhadores da usina, bombeiros e integrantes das equipes que sobrevoaram o fogo para apagá-lo. Os 45 morreram principalmente devido à radiação recebida pelo reator aberto e pelos escombros altamente radioativos que se espalharam ao redor dele. Aqueles que moravam perto da usina foram expostos à radiação, mas continuam vivos. É verdade que alguns podem morrer antes do esperado com cânceres provocados por radiação, mas lembre-se: em 1952, 5 mil pessoas morreram em Londres, num único dia, envenenadas por fumaça de carvão. Estima-se que centenas de milhares morreram desde então em decorrência de câncer do pulmão causado pela inalação de substâncias cancerígenas na fumaça. Mas a mídia não fala da queima de carvão como causa massiva de tumores.

Por que, então, há tanta oposição ao uso da energia nuclear?

As pessoas sempre têm medo de algo. Antes, eram fantasmas e vampiros. Hoje, energia nuclear. A oposição baseia-se numa ficção hollywoodiana, na mídia e em lobbies do movimento verde.

Você sempre foi considerado um guru dos ecologistas e agora não perde uma oportunidade para criticá-los. Qual é o motivo desse desentendimento?

Os verdes são importantes, mas estão errados. Eles se preocupam com as pessoas e esquecem da saúde da Terra. Não percebem que somos parte do planeta e dependemos dele. Eu mesmo sou um verde, mas tento mostrar que estão errados sobre energia nuclear.

Ao quebrar átomos, as usinas nucleares não alteram o equilíbrio de Gaia?

Ao contrário. Se você olhar para o Universo, verá que sua energia natural é nuclear. Toda estrela é uma estação nuclear, inclusive o Sol. O único método anômalo de obtenção de energia é a queima de combustíveis aqui na Terra. É muito mais natural usar energia nuclear do que queimar carvão e mandar gás carbônico para a atmosfera.

Você pede o fim da queima de óleo e carvão. Mas muitos países, como o Brasil, têm na água a maior fonte de energia. Como a troca que você propõe mudará um quadro com tantas variáveis?

Concordo que diferentes países terão soluções distintas para o problema. Mas, no momento, usar energia nuclear é a saída mais acessível e realista para o aquecimento global. Estados Unidos, China e Europa precisam cortar imediatamente 60% do combustível fóssil queimado para não termos conseqüências desastrosas. Segundo o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, a temperatura no planeta aumentará em média 3,5 graus até 2100. Para comparar, na última era do gelo, que terminou há 12 mil anos, a média de temperatura era 3,5 graus menor que em 1900. Ou seja: a mudança até 2100 será comparável àquela entre a era do gelo e 1900. A floresta amazônica não existia naquele tempo. E ela pode também não existir no fim deste século.

Basear a eletricidade em energia nuclear não provocará uma exploração desenfreada de urânio que ameaçaria a natureza de países como o Brasil?

Não, porque as quantidades são pequenas. Um quilo de urânio produz aproximadamente 10 milhões de vezes mais energia que a mesma quantidade de carvão ou petróleo. Na verdade, o Brasil poderia ter benefícios econômicos com a mudança, tornando-se um grande provedor mundial de urânio.

E o que faremos com o lixo atômico?

O volume de lixo atômico de alto nível produzido pelas usinas nucleares do Reino Unido, em seus 50 anos de atividade, equivale a 10 metros cúbicos. É tamanho de uma casa pequena. Se colocado numa caixa de concreto, esse lixo seria totalmente seguro e a perda de calor ainda poderia ser aproveitada para aquecer minha casa.

As usinas nucleares não podem se tornar alvo preferencial de terroristas?

Não creio. As estações nucleares estão localizadas em construções fortes. Parecem mais bunkers que edifícios normais. Tenho informações de que elas podem suportar o choque de um avião, por exemplo. O grande perigo em relação aos terroristas é que eles roubem plutônio ou urânio em quantidade suficiente para fazer uma bomba atômica rudimentar. Enormes estoques desses elementos foram armazenados na Europa, na ex-União Soviética e Estados Unidos durante a Guerra Fria.

Você acredita que as multinacionais do petróleo podem encampar sua proposta e produzir energia nuclear?

Certamente. Elas não se consideram companhias de petróleo, e sim energéticas. Não lhes importa de onde a energia vem, mas o lucro que conseguem nesse preocesso. Creio que elas poderiam, inclusive, investir na construção e operação de usinas nucleares.

James Lovelock

• Tem quatro filhos e nove netos

• A organização de sua lotada agenda é feita pela mulher, Sandy, que mudou duas vezes a data da entrevista com a Super

Fonte: http://super.abril.com.br/ideias/o-gandhi-nuclear
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John Dickinson (25-01-2016)
25-01-2016, 09:52 PM
Resposta: #4
RE: James Lovelock, “A Terra é um ser vivo do qual somos o sistema nervoso”
É nítido que precisamos interrompe o mais rápido possível a queima de hidrocarbonetos, mas ao passo que estamos em energias renováveis como eólicas e energia solar, vamos entrar numa idade da pedra, pelo menos aqui no Brasil aonde o governo ao invés de incentivar com custo operacional para a população começar a mudar seus usos, ela quer sufocar a população com mais impostos sobre estes produtos.

A ideia da energia atômica é boa, mas ao passo de arranjarmos uma solução para o lixo radioativo que vamos adquirir com seu uso, o que fazer?

Encisto em dizer que nosso caminho mais provável é a energia eólica e a solar no mais, vamos arranjar mais problemas para resouver no futuro.
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Urtiga (26-01-2016)
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18-09-2018 06:14 PM
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Daciolo denuncia Nova Ordem Mundial e pede volta de voto em papel em debate
Última Resposta Por: Nikoloz
18-09-2018 03:42 PM
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Governo estuda tornar obrigatória vacinação de crianças.
Última Resposta Por: Cimberley Cáspio
18-09-2018 03:15 PM
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Grécia:"o sentimento no país é de que não há futuro.O pessimismo chegou para ficar."
Última Resposta Por: Nikoloz
18-09-2018 02:54 PM
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Tudo que está na Wikipédia é confiável?
Última Resposta Por: pablo_hp
18-09-2018 10:10 AM
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Para a NOM, é proibido permitir uma vida decente para todos.
Última Resposta Por: pablo_hp
18-09-2018 09:07 AM
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União Europeia: 84% querem que a Europa pare de mudar o horário no verão!
Última Resposta Por: pablo_hp
18-09-2018 05:20 AM
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Por que a "Conspiração dos Chemtrails" é Real
Última Resposta Por: jonutz
18-09-2018 04:53 AM
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Muito mais perdeu o Brasil, do que o Museu Nacional.
Última Resposta Por: Kaen Ashura
18-09-2018 12:54 AM
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[VIDEO] A Máfia dos Transplantes de Órgãos e o Caso Paulinho Pavesi
Última Resposta Por: Bruna T
18-09-2018 12:53 AM
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Coca-Cola quer adicionar maconha na bebida?
Última Resposta Por: Cimberley Cáspio
17-09-2018 07:37 PM
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