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NASA coletará amostra de asteroide que pode atingir a Terra.
23-08-2016, 10:25 AM
Resposta: #21
RE: NASA coletará amostra de asteroide que pode atingir a Terra.
Muitas histórias interessantes neste LINK que você disponibilizou, obrigado por compartilhar as informações conosco!

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23-08-2016, 11:24 AM (Resposta editada pela última vez em: 23-08-2016 11:25 AM por ruicoelho.)
Resposta: #22
RE: NASA coletará amostra de asteroide que pode atingir a Terra.
Sonda que vai recolher amostras de asteroide é lançada no Japão



[Imagem: hayabusa-001.jpg]

Espera-se que Hayabusa 2 chegue em 2018 ao asteróide 1999 JU3 e retorne à Terra no final de 2020

A Agência de Exploração Aeroespacial do Japão (Jaxa) lançou nesta quarta-feira, desde a estação de Tanegashima, no sudoeste do país, a sonda Hayabusa 2, que percorrerá 300 milhões de quilómetros para recolher amostras de um asteróide.

A sonda estava a bordo de um foguete H-IIA que foi lançado à 1h22 (horário de Brasília) e se desprendeu com sucesso cerca de uma hora e meia depois, colocando em órbita o dispositivo. O lançamento, originalmente previsto para 30 de Novembro, foi adiado duas vezes devido ao mau tempo.

Espera-se que Hayabusa 2 chegue em 2018 ao asteróide 1999 JU3, de cerca de 900 metros de diâmetro, e retorne à Terra no final de 2020, após um ano e meio de pesquisas no asteróide. O 1999JU3, descoberto em 1999 pelo programa de pesquisa americano Linear, faz parte dos chamados asteróides Apolo, um dos três grupos que estão mais próximos da Terra.

Os resíduos trazidos pela nave podem dar pistas sobre o histórico químico do fragmento e oferecer assim novas chaves sobre a origem de nosso Sistema Solar e da vida na Terra. “O asteroide 1999 JU3 é chamado de primitivo porque não evoluiu desde sua formação há 4,5 bilhões de anos, quando se formou o Sistema Solar”, explica Francis Rocard, astrofísico do Centro Nacional de Estudos Espaciais da França, parceiro do projeto.

[Imagem: Captura-de-pantalla-2014-09-05-a-las-14....80x433.png]

“Esta missão para recolher matéria primitiva tem o potencial para revolucionar nossa compreensão das condições da formação dos planetas”, afirmou a equipe que coordena o projeto na Jaxa. “Ela pode também revelar informações importantes para proteger o planeta.”
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Doc S (23-08-2016)
23-08-2016, 01:41 PM (Resposta editada pela última vez em: 23-08-2016 01:52 PM por Doc S.)
Resposta: #23
RE: NASA coletará amostra de asteroide que pode atingir a Terra.
(22-08-2016 03:53 PM)Beobachter Escreveu:  Sim, tudo bem. Mas para que serve a profundidade se não terão o combustível para alimentar o mesmo?

Um caminhão tanque poderia abastecer um carro por anos a fio, devem ter guardado alguns desses também. A questão é que tem vários vídeos deles guardando os carros, conteiners e caminhões também, e francamente duvido que eles não pensaram nessa possibilidade, e duvido mais que eles iriam ficar despreparados.

Mas ok, nós já nos desviamos do tema, embora tenha a ver com espaço isso renderia um outro tópico, desculpe @ruicoelho

"Agradecimento significa respeito, nem sempre significa concordância de opinião!"

Aqueles que se colocam como vítimas distorcendo a verdade não triunfarão, pois seus próprios atos lhes condenam. Não importa o que aconteça, a verdade prevalecerá!


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ruicoelho (23-08-2016)
23-08-2016, 06:20 PM
Resposta: #24
RE: NASA coletará amostra de asteroide que pode atingir a Terra.
A importância da busca feita por sondas de várias missões a asteróide e cometas sobre a existência de matéria orgânica é fundamental para darmos mais alguns passos à frente em matéria de origem da vida na Terra. A misso Roseta foi até agora a que nos prendou com mais dados interessantes.

[Imagem: download%2B(2).jpg]

A equipa da missão Rosetta publicou hoje os primeiros artigos que apresentam uma análise global dos dados recolhidos pela sonda sobre o cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko. Os resultados estão já a revolucionar a forma como os cientistas veem os cometas. No que se segue tentarei resumir esta informação.

[Imagem: Comet_vital_statistics-580x497.jpg]

Infografia da ESA resumindo as características físicas do cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko deduzidas pela sonda Rosetta.

A observação do cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko com as câmaras da sonda Rosetta permitiu determinar o eixo de rotação do cometa, bem como o seu período de rotação — o “dia” do cometa — em 12.4 horas. O instrumento RSI (Radio Science Investigation), que sondou o núcleo do cometa, permitiu determinar a massa em 10 milhões de milhões de toneladas. Juntamente com o volume de 21.4 km^3, calculado a partir das imagens, foi possível determinar a sua densidade de 0.47 g/cm^3, um pouco maior do que a da cortiça. A porosidade do materia é muito elevada: o gelo, rocha e poeira estão ligados de forma muito frágil, com muitos espaços vazios — poros. O cometa flutuaria facilmente se o pousássemos num lago suficientemente grande. É também um corpo muito escuro, com um albedo de apenas 6% — semelhante ao do asfalto fresco ou do carvão.

[Imagem: nature-rosetta-1.jpg]

O campo gravitacional do cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko. A gravidade é mais forte nos lobos do cometa, mais débil (6 vezes mais) na região do pescoço. É por aí que o cometa emite a maior parte do gás e poeira para o espaço.


[Imagem: 67P-comet-surface-278458.jpg]

Uma paisagem no mais pequeno dos dois lobos que formam o cometa 67P/Churyumov–Gerasimenko, fotografada pela câmara OSIRIS a uma distância de 8 km da superfície, no dia 14 de Outubro de 2014. A resolução é de uns incríveis 15 cm/píxel.

Até à data, a câmara de alta resolução OSIRIS (Optical, Spectroscopic, and Infrared Remote Imaging System) mapeou 70% da superfície — há regiões que ainda não foram iluminadas desde que Rosetta entrou em órbita do cometa. Com base nessas imagens, os cientistas da missão identificaram 19 regiões limitadas por geomorfologias distintas, às quais foram atribuídas nomes de divindades do antigo Egipto. Cada região tem um dos cinco tipos de terreno identificados pela equipa: terreno coberto por poeira (Ma’at, Ash e Babi); terreno com gravilha, poços e estruturas circulares (Seth); terreno com grandes depressões (Hatmehit, Nut e Aten); terreno liso (Hapi, Imhotep e Anubis), e terreno com estruturas parecidas com rochas expostas (Maftet, Bastet, Serqet, Hathor, Anuket, Khepry, Aker, Atum e Apis).

[Imagem: 6d94c2b2-e28e-4a4d-855f-4589c16a746a.jpg]

As 19 regiões identificadas no cometa 67P/Churyumov–Gerasimenko. Os nomes são de divindades egípcias, um tema escolhido pela equipa da missão.

A maior parte do hemisfério norte está coberto de poeira. A explicação parece simples: à medida que o cometa aquece, liberta gás o qual arrasta também poeira. A poeira libertada não tem velocidade suficiente para vencer mesmo a micro-gravidade do núcleo cometário e acaba por cair de novo na superfície, acumulando-se ao longo do tempo.

As imagens de alta resolução da OSIRIS permitiram identificar algumas regiões activas que parecem estar na origem de jactos de gás. Um exemplo particularmente dramático consiste num poço identificado na região denominada de Seth, de onde parecem emanar jactos de gás. De resto, a maior parte da actividade de sublimação de gás tem origem na região do “pescoço” do cometa.

[Imagem: img_7223.jpg?w=593]

Um poço na superfície da região Seth do cometa. A mesma imagem com um contraste mais elevado mostra o que parecem ser jactos de gás emanando do seu interior.

Os dados recolhidos pelo instrumento MIRO (Microwave Instrument on the Rosetta Orbiter) mostra que a cobertura de poeira do cometa tem vários metros de espessura. Medições da temperatura superficial (-93ºC a -43ºC) e sub-superficial (-243ºC a -113ºC) sugerem que esta camada de poeira actua como um isolador térmico, protegendo os depósitos de gelos existentes no interior do cometa. Esta informação é corroborada pelos dados recolhidos pelo instrumento VIRTIS (Visible, InfraRed and Thermal Imaging Spectrometer) que mostram que a superfície está coberta de poeira, compostos de carbono com ocasionais afloramentos de gelos de materiais voláteis.

As imagens das duas câmaras da Rosetta, a OSIRIS e a NAVCAM, mostram um claro incremento da actividade do cometa desde a chegada da Rosetta. O instrumento MIRO mediu o ritmo de sublimação do gelo de água em 0.3 litros/s em Junho (de 2014); no fim de Agosto, este valor tinha subido já para 1.2 litros/s. Como seria de esperar, a maior parte do vapor de água detectado tinha origem no “pescoço” do cometa

Um resultado surpreendente foi obtido pelo ROSINA (Rosetta Orbiter Spectrometer for Ion and Neutral Analysis) que detectou grande variabilidade na composição da cabeleira. O vapor de água é normalmente a espécie química mais abundante, de longe. No entanto, os dados do ROSINA mostram que, ocasionalmente, os níveis de monóxido e dióxido de carbono rivalizam com os do vapor de água. Poderá haver variações diárias ou mesmo sazonais na emissão das diferentes espécies que provocam estas variações dramáticas na cabeleira do cometa. O vídeo seguinte mostra as concentrações de vapor de água vs. dióxido de carbono emitidas por diferentes regiões do cometa. Algumas regiões, a vermelho, emitem mais dióxido de carbono do que vapor de água. Estas regiões são pouco iluminadas relativamente às emissoras de vapor de água.




Os dados combinados do MIRO, ROSINA e de um outro instrumento, o GIADA (Rosetta’s Grain Impact Analyzer and Dust Accumulator), obtidos entre Julho e Setembro de 2014 permitiram aos cientistas determinar a razão entre a emissão de poeira e a emissão de gás do cometa em cerca de 4. Por outras palavras, a massa emitida pelo cometa sob a forma de poeira é 4 vezes superior à emitida sob a forma de gás. O 67P/Churyumov-Gerasimenko é um cometa poeirento. Este conjunto de resultados constitui a primeira grande surtida da equipa da missão em termos de publicações científicas.

Detecção de matéria orgânica.

[Imagem: rosetta12.jpg]

Espetros de massa de alguns dos compostos detetados pelo instrumento ROSINA, a 9 de julho de 2015. No gráfico inferior direito podemos ver o pico correspondente à glicina (C2H5NO2).

Compreender os cometas e o potencial deles para semear a água ou a vida na Terra é visto por muitos como algo essencial. A Rosetta já havia mostrado anteriormente que a contribuição dos cometas em relação a água, pode não ter sido tão grande quanto se pensa, mas uma outra pergunta ainda permanecia no ar: Será que os cometas poderiam ter semeado a Terra com os "ingredientes necessários para a vida"? Embora já tenha sido detectada a presença de 140 moléculas orgânicas no meio interestelar, ou seja, no espaço, o mesmo não se podia dizer dos aminoácidos (componentes das proteínas).

Em relação a aminoácidos o que havia sido descoberto até então eram em meteoritos (sujeitos a contaminação no ambiente terrestre) ou então em cometas produzidos artificialmente em laboratório, mas não em uma detecção direta no espaço.

Entretanto isso mudou com a revelação que a sonda espacial Rosetta, mais precisamente através dos dados obtidos por seu espectrômetro orbital, o ROSINA (Rosetta Orbiter Spectrometer for Ion and Neutral Analysis, ou "Espectômetro Orbital Para Análises Iônicas e Neutras", em português) detectou por diversas vezes traços de glicina na atmosfera do cometa 67P. Segundo a ZME Science, a glicina é o menor dos 20 aminoácidos normalmente encontrados em proteínas, sendo um dos aminoácidos mais simples que temos conhecimento.

Nesse ponto é importante mencionar que através da missão Stardust da NASA foram coletadas amostras de gases e poeira de um cometa chamado "Wild 2" em 2004, sendo que o material caiu literalmente de paraquedas em nosso planeta em 2006. Naquela época, cientistas estavam mais uma vez buscando por mais informações para desvendar a história do nosso sistema solar.

Em 2009, foi anunciado que um "ingrediente" fundamental para a vida foi descoberto em uma amostra do próprio "Wild 2". Adivinha quem era? Acertou quem disse que era justamente a glicina. Contudo, uma vez que a mesma é encontrada em nosso ambiente terrestre, a equipe não descartava uma eventual contaminação por fontes terrestres. Eles até fizeram uma análise de isótopos de carbono, e essa análise apontava que glicina teria se originado mesmo a partir do cometa, não aqui da Terra. De qualquer forma, ainda havia uma certa desconfiança em virtude dessa possível contaminação. Portanto, essa recente detecção da sonda espacial Rosetta se tornou "a primeira vez" que a glicina foi encontrada sendo naturalmente vaporizada no espaço.

[Imagem: 975df286249f054c2d4381981f0916f4-648x430.jpg]

Dados recolhidos pelo instrumento VIRTIS (Visible and Infrared Thermal Imaging Spectrometer) da Rosetta entre setembro e novembro de 2014 fornecem provas definitivas de água gelada na região Imhotep do Cometa 67P/Churyumov–Gerasimenko.

"Nós sabemos que a Terra foi constantemente bombardeada tanto por material asteroidal, quanto por material cometário. Já tiveram diversas alegações de que foram encontrados aminoácidos em meteoritos, mas todos eles sofreram com este problema de contaminação no ambiente terrestre. As amostras da missão Stardust - que são de um cometa, e não de um asteroide - provavelmente são menos suscetíveis a esse problema de contaminação terrestre, mas, mesmo assim, é um problema sério", disse Michael A'Hearn, astrônomo da Universidade Maryland, nos Estados Unidos, que não esteve envolvido com esse estudo recente, em entrevista para o site Space.com.

"Não é que isso não pudesse ter sido formado na Terra, visto que certamente poderia, apenas não era necessário que acontecesse dessa forma. Basicamente, a Terra teve uma grande vantagem nisso", completou

A glicina é muito difícil de ser detectada devido à sua natureza não-reativa: ela sublima, ou seja, passa do estado sólido para o gasoso, ligeiramente abaixo dos 150ºC, o que significa que muito pouco desse aminoácido se decompõe na forma gasosa na superfície do cometa ou abaixo dela, devido as suas temperaturas um tanto quanto frias. Entretanto, as temperaturas de pequenos grãos escuros de poeira presentes em sua cauda podem ter atingido uma temperatura mais elevada. Também não poderia se excluir a possibilidade que a glicina também estivesse parcialmente embutida no gelo cometário e, em seguida, sendo liberada juntamente com outros elementos voláteis.

"Observamos uma forte correlação da glicina e a poeira do cometa, o que sugere que ela é provavelmente liberada a partir dos mantos de gelo dos grãos de poeira depois de terem sido aquecidos na atmosfera do cometa, talvez em conjunto com outros elementos voláteis", disse Kathrin Altwegg, principal pesquisadora do projeto ROSINA, no Centro do Espaço e da Habitabilidade da Universidade de Berna, na Suíça, e principal autora desse mais recente estudo.

Jason Dworkin, chefe de Astroquímica do Centro de Voos Espaciais Goddard da NASA, em Maryland, nos Estados Unidos, disse que a pesquisa reforça as descobertas de sua equipe da sonda Stardust.

"É detecção muito impressionante e alguns resultados são importantes. Não sei se isso é bem uma surpresa, mas é algo ansiosamente aguardado. Será que esses resultados estão nos dizendo que os cometas têm apenas glicina e não há outros aminoácidos, ou que existem outros aminoácidos, mas suas concentrações são inferiores aos limites de detecção?", questiona Jason Dworkin, que não esteve envolvido com o mais recente estudo.

Ao mesmo tempo, os cientistas também detectaram a presenção de moléculas orgânicas de metilamina e etilamina, que são precursoras da formação da própria glicina. Ao contrário de outros aminoácidos, a glicina se diferencia por ser a única que tem se mostrado capaz de se formar sem a presença de água em estado líquido.

[Imagem: ESA_Rosetta_VIRTIS_data.jpg]

Mapas do gelo de água (esquerda) e temperaturas (direita) em Hapi, na superfície do cometa 67P/Churyumov–Gerasimenko. As imagens baseiam-se em dados obtidos pelo instrumento VIRTIS da sonda Rosetta, a 12, 13 e 14 de setembro de 2014.

"A presença simultânea de metilamina e etilamina, e a correlação entre a poeira do cometa e glicina, também nos indica as possíveis formas pela quais a glicina foi formada. Trata-se da primeira detecção de total certeza de glicina na atmosfera de um cometa", continuou Kathrin Altwegg.

De acordo com Kathrin Altwegg, a glicina provavelmente não são formada no próprio cometa, mas nas grandes extensões de poeira e detritos que faziam parte do Sistema Solar antes dos corpos planetários serem formados.

"O sistema solar foi criado a partir do material que formou em um disco, uma nebulosa solar. É muito frio dentro dessas nuvens, tanto que a química realizada por lá é uma química catalítica nas superfícies dos grãos de poeira. E esses pequenos grãos de poeira (que possuem o tamanho de 1 mícron) são muito bons para transportar a química orgânica. A própria Terra era demasiadamente quente para que aminoácidos semelhantes sobrevivessem a sua própria formação. Somente os menores corpos celestes do sistema solar permaneceram frios", acrescentou Kathrin Altwegg.

"Outros aminoácidos mais complexos necessitam de água líquida, e por isso provavelmente teriam se formado na própria Terra", completou Altwegg. Esta ideia é corroborada pelo fato de que a Rosetta não identificou quaisquer outros aminoácidos, além da glicina, nos arredores do cometa 67P.

Vale ressaltar que a glicina foi detectada em torno do núcleo do cometa 67P pela primeira vez em outubro de 2014, quando a sonda espacial Rosetta estava a 10km de distância do mesmo. Naquela época, o cometa estava a cerca de 3 unidades astronômicas (UA), ou seja, cerca de 450 milhões de quilômetros do Sol. A segunda detecção aconteceu durante um sobrevoo entre 15 a 30 km de distância do cometa, em 28 de março de 2015, a cerca de 2 UA (cerca de 300 milhões de quilômetros).

Outras ocasiões em que a glicina foi encontrada em sua cauda, estão principalmente correlacionadas ao seu periélio (entre 9 de julho a 4 de agosto de 2015), quando a sonda espacial Rosetta estava a mais de 200 km do núcleo e rodeada por uma nuvem de poeira que, posteriormente, obrigou a sonda espacial a se afastar ainda mais por razões de segurança.

[Imagem: rosetta13.jpg]

Matt Taylor, cientista do projeto Rosetta,
da Agência Espacial Europeia (ESA)

Uma outra detecção muito interessante feita por parte do ROSINA, e pela primeira vez em um cometa, foi o elemento fósforo, porém os cientistas não souberam explicar a origem dele. É um elemento-chave em todos os organismos vivos, sendo encontrado no quadro estrutural do DNA e RNA, além de estar presente na composição das membranas das células. Vale lembrar também que em nosso organismo as nossas células podem armazenar ou mesmo transportar energia na forma de um composto de fósforo (no caso a adenosina trifosfato ou simplesmente ATP).

"A multiplicidade de moléculas orgânicas já identificados pelo ROSINA, incluindo sulfeto de hidrogênio (H2S) e cianeto de hidrogênio (HCN), agora unidos pela emocionante confirmação de ingredientes fundamentais como a glicina e fósforo, confirma a nossa ideia de que os cometas têm potencial para produzir moléculas essenciais para a química prebiótica", disse Matt Taylor, cientista do projeto Rosetta, da Agência Espacial Europeia (ESA).

"Demonstrar que os cometas são reservatórios de material primitivo do Sistema Solar, e as 'embarcações' que poderiam ter transportado estes ingredientes vitais para a Terra, é um dos principais objetivos da missão Rosetta, e estamos muito satisfeitos com este resultado", completou.

A sonda espacial Rosetta é a primeira sonda a levar esse tipo certo de instrumento (um espectrômetro orbital) próximo de um cometa. As próximas sondas poderiam examinar outros cometas ou até mesmo trazer amostras de volta para análise, para entendermos o quão representativo o cometa 67P é em relação aos demais, ou seja, se ele é apenas uma exceção ou se muitos outros possuem "ingredientes" semelhantes.

A descoberta também é importante para que os pesquisadores tentem entender as condições primordiais do nosso Sistema Solar, isso para não mencionar em quais condições que a Terra primitiva se encontrava ao ser bombardeada por cometas semelhantes.

"Para astrobiologia, esse é um cálculo muito importante. E não é referente a vida somente na Terra; o material nos cometas foi formado em uma nuvem protoestelar, e se pode ter acontecido aqui, em nossa nuvem protoestelar, poderia ter acontecido em qualquer lugar do universo. Então você pode perguntar a si mesmo: Quantos planetas Terra existem por aí? Em quantos a vida evoluiu ou evolui mais de uma vez?", disse Kathrin Altwegg.

Apesar de ainda estarmos longe de compreender toda a mecânica que "deu a vida" ao nosso planeta Terra, sem dúvida alguma tudo indica que os cometas podem ter desempenhado e ainda desempenhem papel fundamental para semear a vida tanto na Terra, quanto em outros planetas. Além disso, se algum material biológico "adormecido" realmente vier do espaço e conseguir sobreeviver a entrada em nossa atmosfera, fornecendo novo material ao já existente em nosso planeta, então cometas e asteroides poderiam não somente semear a vida, mas serem os responsáveis por evoluções ou extinções biológicas em massa.

De qualquer maneira, Rosetta e Philae mostraram que é possível estudar cometas muito mais de perto do que se imaginava anteriormente, e mãe e filho muito provavelmente irão dormir lado a lado em uma imensa rocha de 4km de diâmetro, se movimentando pelo espaço a uma velocidade de 135.000 km/h, até quem sabe colidirem algum dia com outro corpo celeste e encontrarem um novo lar. Os dados continuarão sendo analisados e não seria nenhuma surpresa se mais novidades e descobertas fascinantes surgissem ainda esse ano. Também não seria estranho de se imaginar que Rosetta e Philae talvez acabem parando daqui a dezenas ou centenas de milhares de anos em outro planeta, para cumprir uma última missão, a de semear apenas mais um ponto em nosso universo.




Missão Rosetta já está a reescrever os livros de ciência





Robô da missão Rosetta faz pouso histórico em cometa





Missão Rosetta NatGeo HD



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Doc S (24-08-2016)
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28-08-2016, 05:44 PM
Resposta: #25
RE: NASA coletará amostra de asteroide que pode atingir a Terra.
Acredito que não se trate de um mesmo objeto.

Na noite de ontem, uma equipe de astrônomos descobriram um asteroide que vai passar 1/4 da distância da Lua em comparação ao da Terra.

A equipe encabeçada por Cristóvão Jacques, João Ribeiro de Barros e Eduardo Pimentel, do observatório SONEAR, localizado em Oliveira (MG).

Segue a matéria:

Citar:
Astrônomos descobrem na madrugada asteroide prestes a passar de raspão pela Terra


[Imagem: juno-jupiter-750x422-300x169.jpg]


Astrônomos brasileiros descobriram na madrugada deste sábado (27) um asteroide prestes a passar de raspão pela Terra. Ele passará a menos de um quarto da distância até a Lua, fazendo sua aproximação máxima às 22h25 de hoje.

FONTE COM MAIS DETALHES:

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Doc S (29-08-2016), ruicoelho (29-08-2016)
06-09-2016, 12:07 PM (Resposta editada pela última vez em: 06-09-2016 12:08 PM por ruicoelho.)
Resposta: #26
RE: NASA coletará amostra de asteroide que pode atingir a Terra.
[Imagem: robo-philae-2.jpg?quality=70&str...amp;crop=1]

A odisseia da sonda europeia File chegou inesperadamente ao capítulo final. As câmaras de alta-resolução da sonda Roseta, da Agência Espacial Europeia (ESA), descobriram a sonda à superfície do cometa 67P/Churiumov-Gerasimenko, anunciou a agência espacial esta segunda-feira.

A sonda aterrou no 67P há quase dois anos para o inspeccionar, mas rapidamente ficou sem energia porque os seus painéis solares estavam à sombra. As novas imagens foram obtidas pela Roseta quando ela passou a uma distância de 2,7 quilómetros da superfície do cometa, e mostraram a File numa fenda escura.

“Esta descoberta notável surge depois de um longa e custosa procura”, diz Patrick Martin, gestor da missão da Roseta da ESA, citado num comunicado daquela agência. A Roseta só tem mais um mês de vida, por isso a esperança de se encontrar a File já era diminuta. “Começávamos a pensar que a File iria ficar perdida para sempre. É incrível termos conseguido isto à última hora.”

[Imagem: 1072064?tp=UH&db=IMAGENS&w=780]

A File estava agarrada à Roseta, que alcançou o cometa em Agosto de 2014, e aterrou no 67P em Novembro de 2014. Apesar de ter acertado no local previsto, a sonda – de um metro de altura e com 100 quilos – acabou por ressaltar várias vezes antes de ficar presa num penhasco. Na altura, os cientistas conseguiram fazer uma estimativa aproximada do local onde aterrou, graças à informação das ondas rádio que emitiu. Mas não encontraram o local específico.


actualizado em 05/09/2016 - 19:20
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