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O efeito de Lázaro
24-04-2013, 06:01 PM (Resposta editada pela última vez em: 17-04-2017 05:48 PM por ruicoelho.)
Resposta: #1
O efeito de Lázaro
Será caso para afirmar; deixei-nos morrer em paz. A ciência cada dia que passa vem com novas teorias e descobertas. As que são aplicadas à medicina são as mais enfatizadas, pois mexem com a vida humana e a morte, já agora. A eutanásia é crime, mas agora pode perguntar-se se a distanásia não o será também. Quem nos diz a nós que alguém quer mesmo morrer? Será que não terá esse direito? Estas práticas clínicas são sempre bem intencionadas e felizmente que existem, mas em termos bioéticos é pertinente perguntar, será que o ser humano não tem o direito de morrer quando chega a sua hora? É certo que o juramento de Hipócrates quase obriga o médico a salvar vidas humanas, pelo menos ele se compromete a isso, mas em termos filosóficos é questionável. A hora da morte: Quem deve decidir? O paciênte ou o médico?

Rui Coelho

[Imagem: 78614487.jpg]



Um médico defende que uma pessoa pode ser ressuscitada várias horas depois de seu coração parar de bater. Será que isto pode mudar a forma como encaramos a morte?
Carol Brothers não consegue se lembrar da hora em que "morreu", há três meses.
"Eu sei que era uma sexta-feira, na hora do almoço, porque a gente tinha acabado de voltar do supermercado", conta a britânica de 63 anos. "Mas não me lembro de ter saído do carro."
Já seu marido David tem memórias muito mais claras daquele dia. Ele abriu a porta de casa e viu a mulher caída no chão, ofegante e pálida.
Carol acabara de sofrer uma parada cardíaca. Por sorte, um vizinho conhecia os procedimentos básicos de ressuscitação cardiopulmonar (RCP) e rapidamente começou a pressionar seu tórax repetidas vezes na tentativa de reanimá-la.
Os paramédicos chegaram logo em seguida e, em algum momento [color=#FF0000]entre 30 e 45 minutos depois do ataque cardíaco, o coração de Carol voltou a bater.
"Apesar de 45 minutos ser um tempo enorme que levaria muitas pessoas a acreditarem que ela estaria morta, hoje sabemos que há pessoas que voltaram a vida três, quatro, cinco horas após morrerem e depois disso tiveram vidas normais", diz o médico Sam Parnia, diretor de pesquisa sobre ressuscitação na Stony Brook University, em Nova York.
Muitas pessoas consideram uma parada cardíaca como sinônimo de morte, diz ele. Mas muitas vezes não é o fim.

[Imagem: 1.png]

O efeito de Lázaro

Parnia é autor do livro, Lazarus Effect ("O Efeito de Lázaro", em tradução livre, uma alusão à passagem bíblica que relata que Jesus ressuscitou Lázaro quarto dias após sua morte). Ele explica que depois que o cérebro para de receber oxigênio por meio da circulação sanguínea, não morre imediatamente, mas entra em estado de hibernação, uma forma de se defender do processo de decomposição.
E o "acordar" desse estágio de hibernação pode ser o momento mais crítico de todos, já que o oxigênio pode se tornar tóxico para o cérebro.
O efeito, compara Parnia, é como o de um tsunami após um terremoto, e a melhor resposta é resfriar os pacientes, de 37ºC para 32ºC.
"A razão pela qual a terapia de resfriamento funciona bem é porque desacelera a decomposição do cérebro", diz Parnia.
E foi nesse momento que Carol Brothers teve sorte. Depois que seu coração voltou a bater, ela foi transferida para um helicóptero, onde um médico a resfriou utilizando pacotes de comida congelada que ela havia acabado de comprar.
Depois de dias em coma na UTI, durante os quais exames sugeriam que ela estava com morte cerebral, Carol acordou.
"Ela me disse três palavras", relembra a filha Maxine. "Estou voltando para casa", teria dito Carol, sussurrando.
"Pessoas no mundo todo descrevem experiências semelhantes, mas a interpretação do que eles veem depende muito de sua crença", diz ele.
Essas descrições incluem viagens em túneis iluminados, encontros com figuras angelicais, recordações de eventos passados e, em alguns casos, a sensação de se observar a mesa de cirurgia da perspectiva de quem está "fora do corpo".
O médico está atualmente trabalhando com vários hospitais para investigar relatos desse tipo de experiências "fora do corpo". Como parte do estudo, os pesquisadores posicionaram objetos em prateleiras em salas de operação, que só podem ser observados do alto.
Caroline Watt é psicóloga na Universidade de Edimburgo especializada em examinar relatos paranormais. De mente aberta, ela é também crítica. Ela foi coautora de um artigo que sugere que a sensação da morte pode ser baseada em atividades neurológicas.
Ela afirma que um estudo indica que cerca de metade dos pacientes que disseram ter visto a morte de perto tiveram essa experiência sem estar perto de morrer. Essa sensação foi vivida em momentos de grande expectativa de experiência traumática, como no caso de um nascimento, quando se da à luz, por exemplo. Isso sugere que, qualquer que tenha sido essa sensação, ela não chega a ser uma amostra do que pode ser experimentado perto ou depois da morte.

Fonte:24/04/2013, UOL saúde

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17-04-2017, 05:36 PM
Resposta: #2
RE: O efeito de Lázaro
Você já ouviu falar a respeito do Efeito Lázaro?


[Imagem: 06183604128534.jpg?w=1040]

Biblicamente falando, Lázaro de Betânia, como você deve saber, foi um homem que, após passar quatro dias morto, foi ressuscitado por Jesus Cristo em um de seus mais famosos milagres. Cientificamente falando, o personagem bíblico está relacionado com um interessante e controverso fenômeno conhecido pela comunidade médica como Efeito Lázaro.

De acordo com Adam Hoffman, do portal Smthisonian.com, basicamente, o fenômeno acontece quando, após uma equipe médica suspender os trabalhos de reanimação, o paciente — com parada cardiorrespiratória e, portanto, clinicamente morto — volta a apresentar sinais de vida espontaneamente.

Fenômeno incômodo

Quem não sente pavor da ideia de ser pronunciado morto erroneamente e acordar mais tarde no necrotério ou, pior ainda, ser enterrado vivo? Esse é um temor que vem acompanhando a humanidade não é de hoje, tanto que no século 19 era comum que as pessoas deixassem uma série de instruções em seus testamentos — que incluíam ser sepultado com pás e pés-de-cabra e passar por testes para confirmar se o defunto realmente tinha batido as botas.

Esse medo todo acabou levando ao surgimento de caixões equipados com “sistemas de segurança”, como tubos de ventilação, sinos e até fogos de artifício. Por sorte, as coisas se modernizaram bastante, e é bem difícil — embora não impossível! — que alguém chegue a ser mandado para a cova ainda com vida. Contudo, o Efeito Lázaro abre essa possibilidade e, portanto, é um fenômeno bastante incômodo, especialmente para os médicos.

Segundo Adam, até onde se sabe, dos pacientes que passam por essa experiência — de voltar à vida após serem pronunciados clinicamente mortos —, surpreendentemente, cerca de 35% sobrevivem sem sofrer grandes danos neurológicos. No entanto, na maioria das vezes, os doentes acabam morrendo e, frequentemente, os médicos terminam enfrentando batalhas judiciais travadas pela família dos falecidos.

Autorressuscitação (?)

É justamente por essa razão, ou seja, pelo receio que os médicos sentem de serem acusados de negligência, que existem tão poucos casos documentados de pacientes que vivenciaram o Efeito Lázaro. De acordo com Adam, os primeiros registros de casos de autorressuscitações começaram a aparecer na literatura médica só no início dos anos 80 e, uma década depois, o anestesiologista Jack Bray Jr. batizou — apropriadamente — o fenômeno.

Aliás, foi por conta de uma ação judicial que o efeito acabou saindo um pouco da obscuridade e se tornou (ligeiramente) mais conhecido. No início dos anos 2000, o geriatra Vedamurthy Adhiyaman e seu time estavam praticando a reanimação cardiorrespiratória — RCR — em um paciente idoso e, após 15 minutos sem obter qualquer reação, a equipe decidiu suspender a manobra e comunicar à família que o homem havia falecido.

Os médicos sentem receio de serem acusados de negligência e esse pode ser o motivo de existirem tão poucos casos documentados de pacientes que vivenciaram o Efeito Lázaro.

Contudo, passados cerca de 20 minutos da suspensão da RCR, o idoso voltou a respirar espontaneamente e ficou em coma durante outros dois dias, finalmente falecendo no terceiro. A família do paciente acusou a equipe de ter parado a reanimação cedo demais — embora cada caso seja um caso e não exista um limite de tempo específico durante o qual a reanimação deva ser praticada — e decidiu acionar a justiça.

Adhiyaman, por sua vez, ciente de que corria um sério risco de se dar mal, foi investigar se existiam casos semelhantes. O médico conseguiu descobrir 38 situações de pacientes que apresentaram o Efeito Lázaro e conseguiu provar que não havia sido culpado pela morte do idoso. Além disso, o geriatra levantou uma série de informações sobre o fenômeno e publicou um artigo científico sobre o assunto.

[Imagem: 06183501722533.jpg?w=1040]

De volta à vida

Adhiyaman descobriu em suas pesquisas que, em média, os pacientes que apresentaram o Efeito Lázaro voltaram à vida sete minutos depois de a reanimação cardiorrespiratória ser suspensa. Além disso, o geriatra descobriu que a grande maioria dos doentes acabou falecendo pouco depois de ressuscitar e, no caso dos que viveram para contar a história, o tempo de reanimação aparentemente não guardava qualquer relação com a sobrevivência.

Em média, os pacientes que apresentaram o Efeito Lázaro voltaram à vida sete minutos depois de a reanimação cardiorrespiratória ser suspensa.

Depois do estudo de Adhiyaman, outros estudos foram sendo publicados aqui e ali — um conduzido pela Universidade McGill, que levantou 32 casos, outro feito por cientistas alemães que trazia 45 relatos, muitos dos quais coincidiam com os das demais pesquisas — e, nos últimos anos, mais quatro episódios foram registrados, um em 2012, um em 2013 e dois em 2015.

Em contrapartida, embora os números acima sugiram que a autorressuscitação é um fenômeno incrivelmente raro, pesquisas paralelas apontaram que um terço dos médicos intensivistas no Canadá já presenciou o Efeito Lázaro e, na França, quase metade dos que trabalham nas emergências de hospitais já viu pacientes voltando à vida sozinhos.

E o que essas informações contraditórias sugerem? Que o fenômeno pode ser muito mais comum do que parece e que os médicos simplesmente não relatam sua ocorrência por conta de fatores como a possibilidade de enfrentarem constrangimentos legais e profissionais ou, ainda, pela dificuldade de conseguirem permissão das famílias para poder publicar pesquisas sobre os casos. Dessa forma, o funcionamento e as causas do Efeito Lázaro continuam sendo um enigma.

Como o fenômeno se dá, afinal?

Embora os mecanismos exatos por trás do Efeito Lázaro sejam desconhecidos, os pesquisadores estabeleceram que existe um elemento comum em todos os casos, ou seja, a prática da RCR. Uma das teorias propostas para explicar o fenômeno é que ele pode ser decorrente da hiperinsuflação dinâmica — que pode acontecer durante a reanimação, quando os pulmões são rapidamente inflados sem que tenham tempo para liberar o ar.

Existe um elemento comum em todos os casos de Efeito Lázaro: a prática da reanimação cardiorrespiratória.

Com isso, o aumento da pressão no interior dos pulmões poderia limitar o fluxo de sangue de volta ao coração ou, até mesmo, levar o órgão a não conseguir mais bombear o sangue e a parar de bater. Em outras palavras, quando respiramos voluntariamente, ao inspirar nós criamos uma pressão negativa nos pulmões, mas, quando os médicos usam um ventilador mecânico, o ar é forçado para o interior dos órgãos, criando uma pressão positiva.

Assim, digamos que o coração do paciente não está funcionando como deveria. Então, ao acrescentar essa pressão, a quantidade de sangue que deveria chegar ao órgão é reduzida, e ele não consegue trabalhar como deveria. No caso do Efeito Lázaro, os cientistas suspeitam que, quando as manobras de RCR são suspensas, a pressão no interior dos pulmões volta a cair, permitindo que o sangue volte a fluir para o coração e... o paciente ressuscita.

Outra explicação seria que a hiperinsuflação dinâmica seria responsável por evitar que os medicamentos que normalmente são administrados durante as reanimações cheguem ao coração. Nesse caso, com a suspensão das manobras, o fluxo sanguíneo voltaria ao normal, levando as drogas ao seu destino. Existe ainda a suspeita de que o fenômeno seja resultado do excesso de potássio no sangue.

Como lidar?

Apesar de os médicos ainda não compreenderem muito bem como o Efeito Lázaro se dá, existem algumas atitudes que podem ser adotadas. Segundo Adhiyaman, é muito importante que todo mundo entenda que a morte não é um evento, mas sim um processo. Assim, os médicos podem, por exemplo, avisar aos familiares que a reanimação foi suspensa e manter o paciente ligado aos monitores durante alguns minutos.

No entanto, esse tempo de espera também não pode ser longo demais, pois, se o paciente não ressuscitar voluntariamente, seus órgãos podem se tornar inviáveis para possíveis transplantes. Adhiyaman sugere uma espera de 10 a 15 minutos, mas a verdade é que os mecanismos do fenômeno precisam ser pesquisados detalhadamente — e o estigma relacionado a ele superado.



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18-04-2017, 04:27 PM
Resposta: #3
RE: O efeito de Lázaro
(24-04-2013 06:01 PM)ruicoelho Escreveu:  há pessoas que voltaram a vida três, quatro, cinco horas após morrerem
No México há uma alegação que eles tem uma técnica que pode fazer essa ressucitação em até 8 horas depois do falecimento, claro, se estiver nas condições ideais.

Mas .. antigamente era relativamente comum o caso de pessoas 'acordarem' dentro dos caixões.
Para resolver esse problema que se estipulou a ideia do VELÓRIO, afinal da um bom tempo do cara acordar e levantar.
E outra solução mais .. definitiva .. os 7 Palmos de fundura.. é tão fundo que mesmo que o cara acorde, não consegue sair.. afinal porque resolveu morrer, se ta morto que continue certo?

Minha mãe chegou a escutar uma vez, um cara se debatendo num caixão, quando passada por um cemitério, algo aterrador..
Depois foram ver, o cara tinha se revirado todo, forçado a saída com as unhas, até elas ficarem em carne vida e acabou assumindo sua morte..

Mas quando a ressussitação contínua falada do tópico.
Ora bolas, já fazemos isso a tempos, com os Marca-Passos.
São pequenos empurrãozinhos nos corações que teimam em parar..

Pela lógica, sim, iremos querer sermos ressucitados, quantas vezes forem necessárias..
O Tal do Rotchild que morreu, parece que chegou a fazer mais de 10 transplantes de coração..

O ideal é morrermos quando quisermos, assim como fazem os monges budístas e induístas.
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ruicoelho (18-04-2017)
18-04-2017, 05:34 PM
Resposta: #4
RE: O efeito de Lázaro
(18-04-2017 04:27 PM)Xevious Escreveu:  ...
Minha mãe chegou a escutar uma vez, um cara se debatendo num caixão, quando passada por um cemitério, algo aterrador..
Depois foram ver, o cara tinha se revirado todo, forçado a saída com as unhas, até elas ficarem em carne vida e acabou assumindo sua morte..
...

Meu caro amigo, isso que está contando é um mito universal. Não é minha intenção desacreditar sua mãe, mas esse mito surge nos séculos 17 a 19.

Nos inícios do estudo de anatomia era hábito pagar por cadáveres para serem estudados ás escondidas. Eram pagos a peso de ouro. Estes cadáveres eram regra geral inumados 2 ou 3 dias após o enterro. O espanto de quem os roubava era justamente esse. Ver que o corpo se tinha revirado dentro do caixão.

Hoje em dia a ciência sabe que passadas 12 ou 13 horas se dá inicio à putrefacção do corpo. Sangue e vísceras primeiro e depois as gorduras que dão inicio à saponificação do corpo. Estas reacções químicas e biológicas libertam uma quantidade de gases incrível. São justamente estes gases que não tendo por onde escapar criam uma pressão dentro do caixão que por vezes dá origem a que o cadáver se volte.

Os casos não são muitos pois na maioria após 3 ou 4 dias a quantidade de gases no interior do corpo é de tal ordem que o abdómen acaba por explodir.

São fenómenos como estes que dão origem a lendas e mitos como o que falou.

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