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O Portugal das aparições. Um país "mesquinho, empobrecido e atrasado"
08-05-2017, 06:51 PM
Resposta: #1
O Portugal das aparições. Um país "mesquinho, empobrecido e atrasado"


O país tinha 5,9 milhões de habitantes e mais de 70% eram analfabetos. A dívida pública aumentou e o custo de vida tornou-se proibitivo, sobretudo em Lisboa. Fátima não aparecia nas estatísticas e a experiência dos três pastorinhos de Aljustrel, encerrada com o “milagre do Sol” em Outubro, estava longe de dominar as preocupações nacionais. O envio de tropas para França e a encruzilhada económica do país, a acumular 10.000 contos mensais em despesas de guerra, fizeram crescer o desencanto com a República naquele que era o seu sétimo ano de vida.

[Imagem: 583469.jpg?type=artigo]

Domingo, 13 de maio de 1917. A vida vai mudar para Francisco, Jacinta e Lúcia, mudará em Fátima e na história da Igreja. Nada o faz antever, embora os rumores e as dúvidas em torno das aparições, como contariam mais tarde as páginas do jornal “O Século” – na altura o diário de maior circulação no país – viessem a espalhar-se rapidamente.

Na primeira página deste dia, os temas eram os mesmos das semanas anteriores. Portugal estava oficialmente entre as nações “beligerantes” do conflito europeu desde março do ano anterior, depois da declaração de guerra da Alemanha em março de 1916.

A economia nacional, demasiado dependente das importações numa altura em que escasseavam as formas de fazer chegar ao país alimentos e matérias primas, mostrava a sua fraqueza e a falta de rumo tornava-se evidente. “Precisamos de convencer-nos de que estamos em guerra; que nações comercialmente muito mais poderosas do que a nossa já puzeram de parte, há muito, comodidades que nós teimamos em conservar”, lia-se no editorial d’ “O Século” desse dia em que três crianças viram Nossa Senhora aparecer, brilhando, na Cova da Iria. “Que na Inglaterra se come pão feito de trigo, aveia e centeio, 12 horas depois de cosido e que o consumo é restrito, enquanto em Portugal se torce o nariz quando ele não é branco e fresco”, continuava o jornal. “Que em França, desde o dia 10 do corrente, não haverá mais confeitarias e pastelarias e que nós, pelo contrário, temos cada vez maior abundância de bolos e pastéis – desde as mercearias e leitarias, às sobremesas dos restaurantes ainda os mais modestos”. O problema era o custo das mercadorias e o preço de tudo, cada vez mais alto, em particular em Lisboa. “Estamos em guerra! Eis o grito que devíamos, a cada hora, fazer ouvir (...) Compremos o menos que pudermos ao estrangeiro. Não temos ouro, nem d’onde ele nos venha! O dever é, portanto, gastar menos.”

Para traçar um retrato do Portugal de há 100 anos, o i consultou o arquivo do jornal e o anuário estatístico de 1917, cedido pelo Instituto Nacional de Estatística . O país tinha 5,9 milhões de habitantes, mas a população estava a crescer a velocidade de cruzeiro – neste ano, o saldo natural (a diferença entre nascimentos e mortes que hoje é negativa) seria de 55 mil habitantes. Mesmo com os perdidos em combate. Na população, porém, apesar dos esforços da Primeira República para o reforço da instrução primária, reinava o analfabetismo e a pobreza. Mais de 70% dos “varões” e das “ fêmeas”, como catalogava na altura os dados da Direção-Geral de Estatísticas, não sabia ler nem escrever, como era o caso dos pastorinhos.

O ano, o terceiro da primeira grande guerra, começara nas sombras o conflito, ainda assim com algum optimismo. “O ano de 1916 foi, incontestavelmente, muito melhor para os exércitos da Entente [a aliança militar entre Reino Unido, França e Império Russo contra a Alemanha]. (...) O inimigo já deu em Verdun indícios de quebramento sintomático, rendendo-se por milhares às tropas do general Mangin”, contava “O Século” de 1 de janeiro de 1917. A Áustria tinha perdido 800 mil homens, a Alemanha mais de um milhão. Portugal estava prestes a assumir um papel ativo como aliado (honrando os compromissos de longos séculos de aliança com Inglaterra, justificaria o governo) e a mandar o primeiro contingente para a frente de batalha em França, depois de até então só estar mobilizado na defesa das colónias em África.

“Coragem não falta” O embarque começa ainda em janeiro e continuará nos meses seguintes. Os elogios aos soldados portugueses não tardam, assim como os relatos do conflito. Logo em fevereiro, o diário dá conta de um deles: “Um oficial do nosso exército há pouco chegado a Franca escreve a um parente. ‘Recebi o seu postal, o que muito agradeço, e que por singular acaso foi a primeira correspondência que recebi do nosso Portugal. Agora já lhe posso dizer uma coisa que lhe deve ser agradável, estive na front dez dias e lá experimentei os canhões aliados, tendo feito algumas centenas de tiros contra os boches. Cheguei à 1.ª fila das trincheiras ou seja, a 80 metros d’eles. De resto, nada mais posso dizer-lhe, a não ser que coragem não falta.”

O jornal vai dando conta diariamente dos elogios à organização e “perguntas inteligentes” dos oficiais do Corpo Expedicionário Português, à medida que começam também a ser publicadas caixas com o “rol de honra”, das baixas em França. Começam as manifestações de apoio populares, dos anúncios por madrinhas de guerra a campanhas locais, hoje difíceis de imaginar. “Acompanhados por dois diretores das escolas de S. Nicolau, teem os alunos das ditas escolas percorrido os escritórios das casas comerciais daquela freguesia, pedindo donativos para os cigarros dos nossos soldados que vão para os campos da batalha, tendo sido muito bem recebidos, atendendo ao fim simpático a que é destinado o produto. Até ontem já tinham recebido donativos na importância de 60$50.”

Em julho, uma nota de primeira página fala da impressão causada pelos portugueses aos estrangeiros e apresenta a sua alcunha. “O ‘Temps’ e outros jornais continuam a ocupar-se dos portugueses nos mais simpáticos termos, afirmando que eles fazem magnífica figura e acentuando que o comunicado britânico prestou homenagem à sua bravura e às grandes qualidades do povo aliado. Os ‘tommies’ puseram ao soldado português a alcunha de António, cuja abreviatura (Tony) se harmoniza com tommy. Os ‘Antónios’ – dizem os jornaes – são ardosos e aguentam com valentia o choque do inimigo, no sério raid de trincheiras por este efetuado, merecendo por isso, os cumprimentos do comandante em chefe britânico”.

De regresso da primeira visita à frente de batalha, Norton de Matos, o ministro de guerra do governo liderado por Afonso Costa, nota o mesmo. “Percorri toda a frente portuguesa. Estive nas nossas trincheiras, na primeira linha, a 150 metros dos alemães. Vi as devastações dos ataques inimigos. Constatei o admirável moral das nossas tropas, que estão conquistando – é preciso dizê-lo – a admiração e o respeito de todos os nossos aliados. Houve até este momento cinco raids alemães sobre a nossa frente, ataques que foram todos corajosamente repelidos. O mais violento desses ataques, que durou oito horas, foi na tarde de 12 e noite de 13 de junho, a noite de Santo António. Várias granadas de gazes asfixiantes foram lançadas, tendo nós tido cento e tantos soldados atingidos pela temível intoxicação e postos fora de combate. Os esforços inimigos ficaram, porém, malogrados inteiramente. As nossas tropas, que deram altas provas de disciplina e heroísmo, ficaram na posse de todas as trincheiras”.

A vida cara Em Agosto, somam-se já 50.000 homens em França. Até ao fim do conflito, em novembro de 1918, viriam a morrer e desaparecer mais de 2000. No país, os problemas iam-se multiplicando, com reclamações pelo aumento do custo e racionamento da eletricidade e do gás e o aumento dos preços, que leva a certa altura “O Século” a criar uma rubrica chamada “A vida cara” e a promover uma sopa dos pobres em Lisboa, com donativos de leitores.

Começaram em março a distribuir 500 litros de sopa, o suficiente para 1500 pratos, pela qual cobravam dois centavos o litro, um valor simbólico tendo em conta o custo da mercearia. Segundo o diário, antes da guerra, em 1914, o arroz custava em Lisboa 12 centavos. A meados de 1917, o preço era de 32. A massa tinha encarecido de 20 centavos para 60, o bacalhau também de pouco mais de 20 centavos para 80, o feijão de 7 para 12, o sabão de 14 para 34. “Temos pois um aumento exato de 110 centavos no custo de vida, isto sem incluirmos vestuário, calçado, etc, cujos preços teem subido também extraordinariamente. Ora, não tendo bases seguras para averiguarmos quando subiram os salários, pode-se, no entanto, afirmar, sem receio de mentir, que em nenhuma empresa, em nenhuma indústria, o aumento de salário, em relação a 2014, foi além de 30 centavos, o que quer dizer que, d’um modo geral, a económica doméstica do operário lisboeta está agravada com um encargo de 80 centavos. É em demasia grave.” No final do ano, a sopa dos pobres d’”O Século” já servia mil litros diários. Na altura, o salário médio diário nas zonas rurais era de 60 centavos, sendo um pouco mais alto entre os operários. O “Século” custava um centavo, 10 réis na moeda antiga.

Para contrariar a alta dos preços, o governo começa a exigir, por decreto, valores mais baixos, o que vai aumentando o clima de insatisfação entre comerciantes e empresários, que uns alegam que estão mais sobrecarregados pelo preço da produção, outros que simplesmente querem continuar a faturar. A dualidade é notória nas páginas de publicidade, onde continuam a dominar os anúncios de grandes armazéns como os do Chiado – na altura a maior empresa do país – ou os Grandella, com tecidos, peles e roupas para todas as estações, muitas vezes em saldo.

A 12 de agosto, antes de começar um período de greves, da construção civil aos telégrafos, Lisboa ainda tem margem para uma mega empreitada: começa a ser construída a estátua do Marquês do Pombal, na rotunda que viria a manter o seu nome até aos dias de hoje.

“O Monumento ao grande estadista”, titula “O Século”, que dá uma no cravo e outra na ferradura. “Realizou-se hontem, com o maior brilhantismo e solenidade, a inauguração dos trabalhos para a construção do majestoso monumento consagrado à memória do grande estadista Sebastião José de Carvalho e Melo, conde de Oeiras e marquez de Pombal. A linda Rotunda da Avenida da Liberdade, até onde as intermináveis obras de repavimento da rua não chegaram ainda, apesar do seu estado miserável de empedramento, apresentava um aspeto encantador e pitoresco. A representação popular foi brilhantíssima, a despeito da hora matutina marcada para a realização da cerimónia”.

[Imagem: fatima4-tif-scaled-1000-1917.jpg?w=600&h=485]

A dívida a crescer O clima nacional começaria a mudar. Na segunda metade do ano, o governo apresenta as despesas de guerra: 10 mil contos mensais, 6.000 em Franca, 2.500 em África e o restante no país. Uma dívida de guerra acumulada de 110 mil contos – segundo o anuário estatístico de 1917, as despesas de guerra neste ano somaram 75 mil contos. Antes da entrada no conflito, assinala o diário, a sobrecarga já era grande: 803 mil contos, o que dava por habitante uma média de 135 escudos. Em Lisboa, cresce a preocupação com a febre tifóide e a tuberculose. “A carestia de vida, obrigando forçosamente a uma restrição alimentar, indubitavelmente que há-de influir no depauperamento do organismo, o qual mais comummente se manifesta com a tuberculose, que sendo já entre nós desenvolvidíssima, ha de certamente desenvolver-se mais ainda, pois o povo portuguez que nunca se alimentou convenientemente, passa atualmente fome”, vaticina em outubro Salazar de Sousa, responsável pelo “pelouro da limpeza” na capital.

O dia 13 de outubro, data da última aparição em Fátima e do milagre do sol, preanunciado pelos pastorinhos, motiva já uma nota de expectativa na primeira página d’”O Século”: “O que ocorrerá hoje em Fátima? Sabel-o-hemos em breve. Pessoas piedosas esperam que a virgem Maria as esclareça sobre o fim da guerra e leve a sua bondade ao extremo de lhes dizer quando se firma a paz. O clero local, bem como o das redondezas, guarda, na aparência, uma prudente reserva sobre o que se está passando”. Mas outro destaque ia para uma crónica do deputado do partido progressista e cronista do jornal Augusto de Castro. “Não basta que Portugal se revele gloriosamente nos campos de batalha (...) a coragem cívica pertence àqueles que ficam e que teem, como primacial dever, ser dignos dos seus irmãos que morrem combatendo. Um Portugal heroe nas trincheiras e às portas do Atlântico um Portugal desordeiro, maldizente, atrabiliário, ignorante e desconfiado dos seus próprios destinos, desdenhoso da sua força, exgotando, no rancor e no pessimismo, todo o seu carácter e o seu sentimento, não fazem, na realidade, sentido”, escrevia. “É necessário acabar com esta anomalia inexplicável – e arrancar da alma portuguesa essa flor doentia e venenosa do pessimismo e desalento”, escreve de Paris.

Sem solução à vista do conflito externo, em dezembro o golpe de Estado comandado por Sidónio Pais derruba o governo de Afonso Costa e declara, depois de dois dias de confrontos violentos em Lisboa, a vitória da República contra a Demagogia.

O professor de matemática e ministro nos primeiros governos da República, que viria a ser alcunhado de “messias lusitano”, seria assassinado um ano mais tarde, mas ainda em 1917 institui um regime presidencialista no país, que os historiadores em Portugal têm apontado ser percursor do Estado Novo.

A 2 de agosto de 1917, “O Século” já tinha notado que havia condições para uma figura do género, face ao desencanto com a volatibilidade política. “Temos politicado de mais. É tempo de olharmos pelas coisas úteis, se queremos honrar a memória dos que já foram mortos pela honra da pátria”, escrevia o jornal, lembrando que ao apresentar as despesas de guerra, o governo assumia que o país não tinha receitas e tinha de dinamizar a economia e melhorar as condições de trabalho, mas era preciso agir. Aumentar a indústria, aproveitar melhor a floresta, problemas e ameaças que ao longo das décadas se foram mantendo atuais. “Tornemos este Portugal mesquinho, empobrecido e atrasado, numa nação progressiva e próspera. E tudo isso, que parece muito, e que por uma desgraçada perversão herdada, tantos fazem depender ainda hoje do aparecimento de um homem, espécie de messias maravilhoso, tem de ser – e será, se o quisermos – obra de todos nós, obra relativamente fácil, se se produzir a desejada união de todos os bons esforços e lhe não faltar a direção e auxílio dos poderes públicos.” A história seguiu por outros caminhos.


[Imagem: BarralSite.jpg]

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12-05-2017, 07:08 AM (Resposta editada pela última vez em: 12-05-2017 07:32 AM por ruicoelho.)
Resposta: #2
RE: O Portugal das aparições. Um país "mesquinho, empobrecido e atrasado"
Inferno, devoção e um bispo vestido de branco. São estes os segredos de Fátima


Nossa Senhora apareceu em Fátima entre maio e outubro de 1917. Nos meses de junho e julho foram revelados três segredos aos pastorinhos, tendo sido divulgados anos depois, através dos escritos de Lúcia. Contudo, a polémica em torno desta temática tem sido constante.

[Imagem: CvqID6dgmOBFPqFxxwut1tHMakL+yIhBwSkRLSc8...ay_optim=1]

Os três segredos de Fátima terão sido revelados nas “aparições” de Nossa Senhora a três crianças que andavam a guardar um rebanho - Lúcia, Jacinta e Francisco -, em junho e julho de 1917.

Os primeiros dois segredos são uma visão do Inferno e a devoção do mundo, incluindo a Rússia, ao Imaculado Coração de Maria, e foram revelados por Lúcia em dois escritos, nos anos 40 do século passado.

Os três segredos de Fátima sempre estiveram envolvidos em polémica. Seja por as primeiras descrições de Nossa Senhora a apresentar-se de azul e com saia até ao joelho, seja por ter sido "previsto" o fim da I Guerra, que não veio a concretizar-se naquela data, em 1917.

Na sua interpretação do terceiro segredo, o cardeal Joseph Ratzinger, mais tarde papa Bento XVI, mais do que valorizar a parte da "previsão" do atentado ao papa João Paulo II, nunca se referiu ao fenómeno como "aparições" de Nossa Senhora, encarando-as antes como "visões". E destacou que a mensagem fundamental de Fátima é o apelo à fé e à conversão, mais do que a referência ao papa vestido de branco.

As três crianças tiveram, segundo a história oficial, um envolvimento diferente nas "aparições", que se prolongaram de maio a outubro de 1917. Lúcia terá visto, ouvido e falado com a Senhora, Jacinta terá visto e ouvido e Francisco apenas teria visto a Nossa Senhora.

Lúcia, que viveu até 2005, foi fazendo sucessivos textos sobre os segredos, remetendo as interpretações para a Igreja e a sua hierarquia.

Primeira parte do segredo

O primeiro segredo, segundo Lúcia, refere-se a uma visão do inferno que terá sido relatada às três crianças, num “instante terrível”.

O relato é feito por Lúcia na sua “Terceira Memória”, em 1941:

“Nossa Senhora mostrou-nos um grande mar de fogo que parecia estar debaixo da terra. Mergulhados em esse fogo, os demónios e as almas, como se fossem transparentes e negras ou bronzeadas, com forma humana, que flutuavam no incêndio levadas pelas chamas que delas mesmas saíam juntamente com nuvens de fumo, caindo para todos os lados, semelhante ao cair das faúlhas em grandes incêndios, sem peso nem equilíbrio, entre gemidos e gritos de dor e desespero que horrorizava e fazia estremecer de pavor. (…) Esta vista foi um momento, e graças à nossa boa Mãe do Céu, que antes nos tinha prevenido com a promessa de nos levar para o Céu (na primeira aparição)! Se assim não fosse, creio que teríamos morrido de susto e pavor”.

Segunda parte do segredo

O segundo segredo relaciona-se com a devoção do mundo, incluindo a Rússia, ao Imaculado Coração de Maria. A referência à Rússia só é feita por Lúcia, na década seguinte, em 1929.

Inicialmente, o texto de Lúcia fazia uma referência ao fim da guerra, no caso, a I Guerra Mundial. Há várias versões: a guerra acabaria nesse mesmo dia ou ia acabar em breve.

É no segundo segredo que surgem as referências à Rússia e à sua conversão, apesar de só ser feita claramente essa indicação por Lúcia em 1929.

Só se o Papa convertesse o mundo ao "Imaculado Coração de Maria" - que o mesmo é dizer se se tornassem crentes em Deus - se evitariam novas guerras e a Rússia (ou a União Soviética, comunista), se converteria, evitando desta forma que os seus "erros" se espalhassem pelo mundo.

Os primeiros relatos das três crianças descreviam que Nossa Senhora tinha um vestido azul, "até um pouco abaixo do meio da perna". Mais tarde, a imagem da Virgem foi sendo corrigida para o manto branco, que foi descendo até aos pés - e é essa imagem que é venerada na Cova da Iria.

O padre Manuel Formigão, que fez os primeiros interrogatórios às três crianças "rudes e ignorantes", comentou: "Nossa Senhora não pode, evidentemente, aparecer senão o mais decente e modestamente vestida. O vestido deveria descer até perto dos pés."

É após a revelação do segundo segredo que terá sido feito o pedido aos pastorinhos para "rezarem muito e oferecerem os seus sacrifícios pela paz, pelo Santo Padre e pela conversão dos pecadores".

Relato de Lúcia:

“(…) Levantamos os olhos para Nossa Senhora que nos disse com bondade e tristeza:

Vistes o Inferno, para onde vão as almas dos pobres pecadores. Para as salvar, Deus quer estabelecer no mundo a devoção a meu Imaculado Coração. Se fizerem o que eu disser salvar-se-ão muitas almas e terão paz. A guerra vai acabar, mas se não deixarem de ofender a Deus, no reinado de Pio XI começará outra pior. Quando virdes uma noite, alumiada por uma luz desconhecida, sabei que é o grande sinal que Deus vos dá de que vai punir o mundo pelos seus crimes, por meio da guerra, da fome e de perseguições à Igreja e ao Santo Padre. Para a impedir virei pedir a consagração da Rússia a meu Imaculado Coração e a Comunhão Reparadora nos Primeiros Sábados. Se atenderem a meus pedidos, a Rússia se converterá e terão paz, se não, espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja, os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas, por fim o meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar-me-á a Rússia, que se converterá, e será concedido ao mundo algum tempo de paz.”


Terceira parte do segredo

Durante anos, alimentou-se a especulação sobre este segredo que foi revelado pelo cardeal Angelo Sodano, a 13 de maio de 2000, durante a última visita de João Paulo II ao santuário da Cova da Iria.

O terceiro segredo de Fátima inclui uma "previsão" do atentado contra João Paulo II, a 13 de maio de 1981, de acordo com uma das interpretações possíveis do Vaticano anunciada na Cova da Iria pelo cardeal Sodano, em 2000.

Esta conclusão é retirada da própria interpretação dada pelos pastorinhos sobre a mensagem que lhes foi revelada em 1917, segundo a qual o papa - "Bispo vestido de branco", como o referenciavam - "caminhando penosamente para a Cruz por entre os cadáveres dos martirizados (bispos, sacerdotes, religiosos, religiosas e várias pessoas seculares), cai por terra como morto sob os tiros de uma arma de fogo".

Angelo Sodano aludiu ao atentado de 1981 e "à mão materna que permitiu que o papa agonizante se detivesse no limiar da morte", mas acrescentou que o terceiro segredo está também relacionado com a luta contra o ateísmo.

Antes de ser papa, Ratzinger foi prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé e nessa qualidade fez uma interpretação ao chamado terceiro segredo de Fátima. O "facto de ter havido lá uma 'mão materna' que desviou a bala mortífera demonstra uma vez mais que não existe um destino imutável, que a fé e a oração são forças que podem influir na história e que, em última análise, a oração é mais forte que as balas, a fé mais poderosa que os exércitos", escreveu Ratzinger, numa mensagem de esperança.

Os três segredos de Fátima, concluiu, significam, no seu conjunto, uma “exortação à oração como caminho para a salvação” e “o apelo à penitência e à conversão”.

Descrição do terceiro segredo por Lúcia na sua “Quarta Memória”, em 1944:

“E vimos n'uma luz imensa que é Deus: ‘algo semelhante a como se veem as pessoas n'um espelho quando lhe passam por diante’ um Bispo vestido de Branco ‘tivemos o pressentimento de que era o Santo Padre’. Vários outros Bispos, Sacerdotes, religiosos e religiosas subir uma escabrosa montanha, no cimo da qual estava uma grande Cruz de troncos toscos como se fora de sobreiro com a casca; o Santo Padre, antes de chegar aí, atravessou uma grande cidade meia em ruínas, e meio trémulo com andar vacilante, acabrunhado de dor e pena, ia orando pelas almas dos cadáveres que encontrava pelo caminho; chegado ao cimo do monte, prostrado de joelhos aos pés da grande Cruz foi morto por um grupo de soldados que lhe dispararam vários tiros e setas, e assim mesmo foram morrendo uns trás outros os Bispos, Sacerdotes, religiosos e religiosas e várias pessoas seculares, cavalheiros e senhoras de várias classes e posições(…)”.








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12-05-2017, 08:49 PM
Resposta: #3
RE: O Portugal das aparições. Um país "mesquinho, empobrecido e atrasado"
O mercado turístico agradece os pastorinhos.....rs

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12-05-2017, 08:59 PM (Resposta editada pela última vez em: 12-05-2017 08:59 PM por Beobachter.)
Resposta: #4
RE: O Portugal das aparições. Um país "mesquinho, empobrecido e atrasado"
Uma bela história caro Rui! De fato, és um país maravilhoso e muito surpreendente, tem belas paisagens... Dentre elas a Torre de Belém que fica nas imediações de Lisboa.

Jedermans Freund ist niemals Freund

Na multidão de palavras, existem aquelas que edificam e as que destroem... o muito falar não significa sabedoria, mas sim a impaciência no ouvir!


A língua do sábio, destila o conhecimento; porém a boca dos tolos derrama a estultícia. PV-15:2
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12-05-2017, 11:02 PM (Resposta editada pela última vez em: 12-05-2017 11:06 PM por 777.)
Resposta: #5
RE: O Portugal das aparições. Um país "mesquinho, empobrecido e atrasado"
Rui, falando no país como beleza, eu so tenho elogios, moraria facil em Lisboa, me senti em casa.

Agora falando nos segredos de Fatima, uhmmm, ai eu sou meio cético, primeira questão é pq Nossa Senhora iria falar em particular somente sobre a igreja catolica?

Particularmente eu acho que a humanidade agradeceria outros tipos de segredo pois a epoca era crítica.

E se falando em epoca critica de mto sofrimento, que tal um suposto milagre para tentar aumentar o rebanho? E o resultado nao foi outro.

Mas que tenha servido de esperança para mtos onde se nao tinha nenhuma

E ainda acho que foram outros os segredos caso tenham acontecidos

Pessoal esta é minha visao, nao tenho nada contra quem acredita.
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