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Pio XII: bendito ou maldito?
25-01-2017, 07:11 PM (Resposta editada pela última vez em: 19-03-2017 01:40 PM por ruicoelho.)
Resposta: #1
Pio XII: bendito ou maldito?
1ª parte




Nota 1: A publicação do texto, o 1º e o 2º têm um objectivo meramente informativo que não veicula na integra a minha opinião pessoal. Deve ser escrutinado segundo seus dados históricos e não entendido como uma acusação directa ao comportamento de quem quer que esteja mencionado no texto. Peço a cada um que tenha a paciência de ler o texto que, caso queira emita a sua opinião fundamentalmente no campo da historicidade. Pio XII foi eleito papa no mesmo ano em que a Segunda Guerra Mundial estourou: 1939. Até hoje não se chegou a uma conclusão sobre a postura do religioso durante o Holocausto. Afinal, a Igreja foi omissa? Uma reação firme teria evitado ou aumentado o número de inocentes mortos?

[Imagem: revista-aventuras-na-historia-fevereiro-....jpg?w=640]

A reconciliação entre a Igreja e os judeus avançou mais nos últimos 40 anos do que em toda a História do cristianismo. Mas resta um grande obstáculo a superar: a campanha pela beatificação de Eugenio Maria Giuseppe Giovanni Pacelli, o papa Pio XII (1876-1958). Iniciada em 1965, a causa estava suspensa pelo Vaticano até outubro último, quando, durante a missa do aniversário de 50 anos da morte de seu antecessor, Joseph Ratzinger, o papa Bento XVI, argumentou pela retomada do caso. O problema é que líderes de organizações judaicas e famílias de sobreviventes do Holocausto acusam o sumo pontífice de omissão ante as atrocidades nazistas na Segunda Guerra Mundial, iniciada em setembro de 1939. Já o Vaticano assegura que Pio XII, que assumiu o papado há 70 anos, em março de 1939, atuou em silêncio para evitar o pior.

Essa controvérsia causaria surpresa para muitos judeus que viveram durante o conflito. Albert Einstein (1879-1955), um refugiado do nazismo, e a primeira-ministra israelense Golda Meir (1898-1978), por exemplo, expressaram publicamente sua gratidão ao Santo Padre por salvar judeus do genocídio. A polêmica só ganhou força em 1963, com a peça de teatro O Vigário, do protestante alemão Rolf Hochhuth, hoje com 77 anos. Nela, Pacelli era retratado como um sujeito calculista e sem moral, que ignorou o sofrimento dos judeus em nome de interesses próprios. É uma obra de ficção, embora ancorada em ampla pesquisa do autor. Até que ponto ela teria algo de verdade?

Essa é a pergunta que ainda hoje instiga os historiadores. Nos últimos anos, mais de dez livros foram lançados, com diferentes interpretações sobre a conduta do pontífice antes e durante o regime nazista. Em geral, eles podem ser divididos entre os pró e os contra Pio XII. Uns o acusam de ser cúmplice do Holocausto, enquanto outros garantem que ele atuou nos bastidores para salvar quantas pessoas pôde. Mas, antes de conhecer os argumentos dos dois lados, é preciso entender a situação do Vaticano nos anos anteriores à Segunda Guerra.

Igreja ameaçada

O poder dos papas vinha naufragando desde a Revolução Francesa, em 1789. Na época, a razão começava a reinar sobre a fé, e os Estados modernos estavam dispostos a separar a religião da política. Durante o século 19, as propriedades da Igreja foram saqueadas e seus territórios viviam sob constante ameaça. Em 1809, o imperador francês Napoleão Bonaparte (1769-1821) chegou a sitiar o Vaticano e prender Pio VII (1742-1823). Na tentativa de diminuir o poder do catolicismo na França, ele manteve o pontífice confinado durante mais de quatro anos.

Napoleão foi derrotado em 1815, mas o processo de unificação da Itália botou as terras da Igreja novamente em risco. Em 1860, o rei piemontês Vitório Emanuel II (1820-1878) já controlava quase todos os domínios papais do centro da Itália. Nessa época, surgiram duas correntes dentro da Santa Sé. Uma delas insistia no poder papal absolutista: a outra queria repartir esse poder com Igrejas nacionais independentes de Roma. A primeira alternativa levou a melhor no Concílio Vaticano I. A Igreja proclama, em texto de 1870, o dogma do papa incontestável e infalível. Os líderes nacionalistas logo deram o troco. Na Alemanha, na Bélgica e na Suíça, ordens religiosas foram expulsas pelos governos locais e o ensino ficou nas mãos do Estado. Na Itália, manifestantes protestaram durante o cortejo fúnebre de Pio IX (1792-1878) e só não jogaram o caixão no rio Tibre porque os seguranças agiram rápido e salvaram o cadáver do papa.

Diplomata centralizador

Diante da crise, os novos líderes da Igreja tinham agora um duplo desafio: defender a integridade da instituição e recuperar o poder político entre os donos da Europa. Para isso, a Santa Sé investiu pesado na formação de diplomatas - entre eles Eugenio Pacelli, um romano nascido em 1876 numa família de juristas a serviço do Vaticano. Ele ajudou a reformular a legislação católica, a fim de conceder aos pontífices uma autoridade indiscutível. Em 1917, essas leis foram compiladas no Código de Direito Canônico.

Partidos fechados

O outro trunfo de Pacelli era um doutorado sobre as concordatas, nome dado aos tratados que a Santa Sé usava (e continua usando) para regular suas relações com os Estados - por exemplo, para garantir o direito da Igreja de controlar escolas religiosas ou celebrar casamentos. Em novembro último, o Brasil assinou um acordo desse tipo com o Vaticano, que gerou críticas de entidades contrárias ao ensino religioso em escolas públicas e a outros privilégios de caráter não-laico.

Durante décadas, o conteúdo desses tratados (em geral assinados pelo papa com os soberanos, ou por cardeais-secretários de Estado com embaixadores autorizados) tinha variado de acordo com o país. "Com o código de 1917, porém, a concordata virou um instrumento que impunha condições a bispos, padres e fiéis, sem consultas e em qualquer lugar do mundo", diz o jornalista britânico John Cornwell, autor de O Papa de Hitler - A História Secreta de Pio XII.

Foi uma dessas concordatas que o papa Pio XI (1857-1939) assinou em 1929, com o ditador italiano Benito Mussolini (1883-1945): o Tratado de Latrão. Elaborado pelo irmão mais velho de Pacelli, Francesco, o documento reconhecia o Vaticano como Estado soberano e o catolicismo como a única religião da Itália. Em troca, fechava o Partido Popular Católico. Por quê? Simples: o Vaticano queria os fiéis fora da política para não prejudicar sua hierarquia e influência.

Muito antes de se tornar líder máximo dos católicos, Pacelli estava convencido de que a Igreja só permaneceria unida no mundo moderno com o fortalecimento da autoridade dos papas. Na década de 20, quando era embaixador do Vaticano na Baviera, ele tinha assinado esses acordos com a Rússia, a Letônia e a Polônia. Em 1933, já secretário de Estado do Vaticano, ele via no Tratado de Latrão o modelo perfeito para seu maior objetivo: uma concordata com a Alemanha, onde viviam cerca de 23 milhões de católicos.

O único problema era o chanceler Adolf Hitler (1889-1945). "Pacelli e Hitler nutriam um desprezo mútuo. Cada um se sentia ameaçado pelo potencial do outro de exercer poder mundialmente", escreve o jornalista americano Dan Kurzman no livro Conspiração contra o Vaticano. "Apesar da desconfiança, os dois viram vantagens - pelo menos temporárias - em frear o conflito com a assinatura de uma concordata em 1933." O acordo tornou todos os alemães sujeitos às leis canônicas e acabou com o Partido do Centro Católico, a única agremiação democrática que ainda restava no país.

Até aqui, não há grandes dúvidas a respeito do religioso. Os historiadores começam a se dividir a partir do momento em que o cardeal se tornou papa, em 1939. Afinal, ele foi omisso ou discreto durante o Holocausto?

Contra Pio XII

Para Cornwell, o italiano não foi apenas omisso; ele ajudou o Führer: "Como disse Hitler, numa reunião ministerial de 14 de julho de 1933, a garantia de não-intervenção de Pacelli deixava o regime livre para resolver a questão judaica". Isso não significa que Pacelli simpatizasse com o Partido Nazista. Ao contrário: não apoiava sua plataforma racista e via nele uma ameaça à religião. "Mas o temor ao nazismo era ofuscado por um medo ainda maior de Pacelli, o comunismo", diz o historiador Michael Phayer, da Universidade de Marquette, nos Estados Unidos. Foi com essa mesma lógica antimarxista que a Igreja apoiou ditadores como Benito Mussolini, na Itália, e Francisco Franco (1892-1975), na Espanha. Valia tudo para conter o "perigo vermelho". Até mesmo fazer um pacto com o diabo.

Mas o ponto é: Pio XII ficou mesmo em silêncio durante o Holocausto? Nem tanto. O papa falou, sim, mas poucas vezes e de forma ambígua. Nos discursos de Natal que fez em 1941 e 1942, por exemplo, condenou a violência, sem mencionar "nazistas" nem "judeus". No discurso de 1942, o mais importante, quando as atividades dos campos de concentração estavam no auge, ele afirmou: "A humanidade deve esse voto às centenas de milhares de pessoas que, sem qualquer culpa pessoal, às vezes apenas por motivo de sua nacionalidade ou raça, estão marcadas para a morte ou extinção gradativa". Foi o ponto máximo de seu protesto diante das atrocidades de um regime que, ao fim da guerra, teria matado cerca de 6 milhões de judeus.

A historiadora Susan Zucotti, da Universidade de Colúmbia, nos Estados Unidos, não tem dúvida: se Pio XII tivesse sido mais incisivo, teria ajudado a salvar muitas vítimas. No livro Under His Very Windows: The Vatican and the Holocaust in Italy ("Sob suas próprias janelas: o Vaticano e o Holocausto na Itália", sem edição no Brasil), ela lembra que os croatas fascistas eram muito devotos e, por isso, suscetíveis a acatar pedidos feitos pelo papa. "Como as autoridades da Igreja deixaram os católicos em ambiguidade moral ao não falar, a grande maioria deles se manteve como espectadora", afirma o historiador Michael Phayer em seu livro The Catholic Church and the Holocaust ("A Igreja Católica e o Holocausto", sem edição disponível no Brasil).

É certo que muitos católicos arriscaram a vida para esconder os judeus em suas casas, igrejas e escolas. No entanto, para Zucotti e Phayer, eles prestaram essa ajuda apesar do papa, e não por causa do que ele disse ou fez. "Pio XII fez relativamente pouco pelos judeus, quando eles necessitavam, e os católicos fizeram muito mais", diz Phayer. Os críticos do sumo pontífice também questionam por que ele nunca excomungou Hitler, Heinrich Himmler (1900-1945) e outros chefes nazistas, que eram católicos batizados. Essa simples ação, argumentam, teria tido um importante efeito sobre fiéis - algo de que os defensores de Pio XII duvidam.

Mais espinhoso que acusar o papa de omisso é considerá-lo antissemita. É o que faz o jornalista e escritor John Cornwell, que cita uma carta escrita por Pacelli na época em que ele era embaixador do Vaticano em Munique. Ao relatar seu espanto com uma manifestação de bolcheviques na cidade, ele se referiu ao líder do grupo, Max Levien (1885-1937), como "russo e judeu; pálido, sujo, olhos de drogado, vulgar, repulsivo". Na carta, ele também diz que a namorada de Levien era "judia" e que integrava “um bando de mulheres de aparência duvidosa, judias, como todos ali”. Pode ser coincidência, mas essa referência ao fato de serem judeus, em meio a descrições de repulsa física, é um velho clichê antissemita.

O historiador americano Daniel J. Goldhagen, autor do livro Uma Dívida Moral, vai além. Ele acusa a Igreja Católica de ser a maior responsável pelo racismo que desembocou no Holocausto. Para Goldhagen, a Igreja abrigou durante milênios o antissemitismo como parte integral de sua doutrina (leia quadro na pág. 37).

A favor de Pio XII

O principal argumento em defesa do papa é simples: se ele tivesse se posicionado com mais vigor, haveria retaliação. E alguns dos especialistas que dizem isso são judeus. “Uma condenação pública mais forte teria provocado represálias nazistas contra o clero católico na Alemanha e nos países ocupados. Também colocaria em risco a vida dos milhares de judeus escondidos no Vaticano, em igrejas e conventos da Itália, além dos católicos que os protegiam”, diz o rabino e historiador americano David Dalin, autor do livro The Myth of Hitler’s Pope (“O mito do papa de Hitler”, sem tradução).

De acordo com o rabino, Pio XII pediu às igrejas italianas que abrigassem judeus quando as tropas alemãs ocuparam Roma, em 1943, e assim evitou que milhares deles fossem deportados a Auschwitz. “Na cidade, 155 conventos e mosteiros abrigaram cerca de 5 mil judeus durante a ocupação alemã. E outros 3 mil se refugiaram em Castel Gandolfo, a residência de verão do papa”, afirma. Dalin rejeita a ideia de que Pio XII era antissemita: pelo contrário, ele o indicou ao título de “Justo entre as Nações”, utilizado em Israel para descrever não-judeus que arriscaram suas vidas durante o Holocausto para salvar vidas. Afinal, Pio XII tinha motivos para temer por sua própria vida: Hitler planejava invadir o Vaticano e sequestrá-lo (veja na pág. 35).

Outro defensor de Pio XII é o historiador e diplomata israelense Pinchas Lapide, ex-cônsul de Israel em Milão. Em sua obra Three Popes and the Jews (“Três papas e os judeus”, sem versão no Brasil), Lapide conclui que o líder religioso “foi instrumental para salvar pelo menos 700 mil judeus, e provavelmente 860 mil, da morte certa na mão dos nazistas”. Uma cifra exagerada, segundo os críticos. Seja como for, Lapide justifica a tese de “maior protesto, maior retaliação” citando o exemplo da Holanda, país onde os bispos católicos mais resistiram às perseguições nazistas. Em cada igreja, eles leram uma carta denunciando o “tratamento sem misericórdia aos judeus”. O resultado? “Enquanto os bispos protestavam, mais judeus, cerca de 110 mil, ou 79% do total, eram deportados aos campos de extermínio”, diz o historiador.

Os partidários do papa também argumentam que seu silêncio é uma falácia. Garantem que seus discursos de Natal foram entendidos como uma clara denúncia do extermínio judeu. E citam como prova os editoriais que o jornal americano The New York Times (hoje crítico do pontífice) escreveu na época. “A voz de Pio XII é a única no silêncio e na escuridão envolvendo a Europa neste Natal”, afirmava um texto, em edição de 1941. A homilia de 1942 teria deixado os nazistas furiosos, afirma o historiador irlandês Eamon Duffy, autor de Santos e Pecadores — História dos Papas. “A Alemanha considerou que o papa tinha abandonado qualquer pretensão de neutralidade”, diz.

Tem mais. Para o escritor americano Kenneth D. Whitehead, é ingênuo pensar que maior protesto de Pio XII levaria os católicos a se opor aos nazistas, como se os fiéis seguissem automaticamente suas recomendações — o que não ocorre nem com a proibição à camisinha. “O fato é que a maioria dos católicos alemães, especialmente no início, viu em Hitler o salvador de seu país, em meio à crise pela derrota na Primeira Guerra. Os nazistas chegaram ao poder de forma totalmente legal. Só depois impuseram um regime totalitário”, diz Whitehead no artigo The Pope Pius XII Controversy (“A controvérsia do papa Pio XII”, inédito em português).

Em meio ao debate, o papa Bento XVI decidiu congelar novamente a campanha de beatificação de Pio XII e aguardar até que seja feita uma pesquisa mais conclusiva e esclarecedora sobre sua história. Enquanto isso, o sucessor do polêmico papa, João XXIII (1881-1963), já foi beatificado e a campanha por João Paulo II (1920-2005) corre a passos largos.

Líder infalível

A abertura de arquivos do Vaticano sobre os anos do Holocausto seria o primeiro passo nesse estudo aprofundado sobre as ações de Pio XII durante a guerra, embora muitos considerem que mesmo isso não vá adiantar nada. “Se existisse um documento mostrando claramente o envolvimento de Pio XII em favor dos judeus, o Vaticano já o teria mostrado. E se algum outro revelasse que ele foi colaborador dos nazistas, com certeza, já teria sido removido”, diz o jornalista Anshel Pfeffer, do diário israelense Haaretz.

Segundo ele, a polêmica em torno da beatificação de Pacelli vai além do debate sobre fatos históricos e da disputa entre o Vaticano e as organizações judaicas. Ela também reflete uma disputa interna católica que vem desde o século 19: a briga entre os que defendem o poder papal infalível e os que o rejeitam. “As atitudes de Pio na guerra não são o principal argumento dentro do Vaticano para torná-lo santo. Os que o defendem preservam sua imagem de último líder católico conservador do século. Sua adoração é central para os que creem na versão mais extrema da infalibilidade papal”, diz Pfeffer.

No fim das contas, quem sabe o papa seja bem menos do que falam sobre ele — para o bem ou para o mal. Talvez seu grande problema tenha sido a obrigação de exercer, ao mesmo tempo, o papel de líder político e de chefe religioso numa época difícil, tendo que conjugar seu dever moral com os interesses de um Estado. Talvez ele tenha sido apenas uma pessoa ambígua, num período ainda mais ambíguo. Ou, quem sabe, o embaixador do Vaticano que virou Vigário de Cristo jogou com as regras da diplomacia, enquanto esperava com paciência pelo fim da guerra. A mesma paciência que, hoje, as pessoas precisam ter para saber quem realmente foi Eugenio Pacelli.


Enviados especiais

Hitler e Pio XII nunca se encontraram, mas usaram intermediários para negociar Hitler e o cardeal Eugenio Pacelli (futuro papa Pio XII) foram os protagonistas da concordata de 1933, pela qual o Estado alemão e o Vaticano se reconheceram mutuamente. Mas outros personagens atuaram para facilitar o diálogo. Conheça alguns deles.

Pietro Gasparri

Esteve à frente da elaboração do Código Canônico e foi quem negociou com Benito Mussolini o Tratado de Latrão, na gestão do papa Pio IX. Em 1901, o monsenhor convidou Eugenio Pacelli (na época, um jovem padre) para trabalhar com ele na Secretaria de Estado do Vaticano. Nos 30 anos seguintes, Gasparri e Pacelli formaram uma parceria que arquitetou a política de concordatas e moldou o crescimento do poder papal ao longo do século 20.

Ludwig Kaas

Líder do Partido do Centro Católico alemão, era padre e íntimo colaborador de Pacelli. Em suas viagens constantes entre Berlim e Roma, foi uma peça-chave na negociação da concordata de 1933 — que extinguiu seu próprio partido para que o papa assumisse maior controle sobre os católicos na Alemanha. Também teria atuado em uma frustrada tentativa de aproximação com membros das Forças Armadas alemãs que buscavam uma negociação de paz, à revelia de Hitler.

Franz von Papen

Ultradireitista, de inclinações monarquistas, teve atuação importante na dissolução da República de Weimar. Foi chanceler alemão em 1932 e vice-chanceler após a subida de Hitler, para o que contribuiu diretamente. Manteve uma relação dúbia com o nazismo e foi quem assinou a concordata com Pacelli, na Secretaria de Estado do Vaticano, em julho de 1933.

Ernst von Weizsacker

Embaixador alemão no Vaticano, recebeu de Hitler a missão de encorajar Pacelli a manter a imparcialidade da Santa Sé durante a guerra. Comunicou ao papa que seu governo respeitaria a integridade do Vaticano e suas propriedades em Roma. A condição: ficar calado sobre as perseguições nazistas. Mas ameaçou instituições católicas suspeitas de abrigar judeus e socialistas.

Vaticano na linha de frente

Enquanto os EUA bombardeiam Roma, nazistas tentam raptar o papa Em 9 de julho de 1943, Pio XII não teve dúvidas ao ouvir os estrondos que ecoavam em Roma: ele estava encurralado no meio da guerra. Apesar de seu esforço para que a capital italiana fosse declarada cidade aberta, aviões americanos bombardearam a cidade. O ataque precipitou a queda do ditador Benito Mussolini, que foi deposto duas semanas depois pelo rei Vitório Emanuel III e um grupo fascista rival. A situação piorou em setembro, quando os alemães ocuparam a Cidade Eterna e colocaram os judeus na mira. Eugenio Pacelli se viu num dilema: se protestasse contra a invasão, poderia sofrer uma represália violenta contra o Vaticano. Os alemães temiam que uma crítica do papa gerasse uma reação em cadeia na população italiana, o que colocaria em risco a ocupação. Mas Pio XII sabia que sua própria vida estava em risco, pois os nazistas planejavam sequestrá-lo. A advertência tinha sido feita pelo embaixador alemão na Santa Sé, Ernst von Weizsacker. “Os nazistas deram duas opções a Pio XII: selar os lábios ou o seu destino”, escreve o jornalista americano Dan Kurzman no livro Conspiração contra o Vaticano. Hitler tinha encomendado o sequestro ao general Karl Wolff, chefe das SS na Itália. A missão era invadir o Vaticano, raptar o papa e levá-lo à Alemanha ou ao território neutro de Liechtenstein. Mas Wolff titubeou. “Até então, ele havia atendido a qualquer ordem do Führer. Mas sequestrar o papa era uma loucura. Poderia colocar toda a Itália e a Igreja contra a Alemanha”, diz Kurzman. Wolff temia ser enforcado, se os aliados vencessem a guerra, e decidiu sabotar o plano de Hitler esperando se salvar com o apoio do papa. Deu certo. Pio XII também adotou dupla postura. Permitiu que judeus fossem abrigados em igrejas, mas nunca abriu a boca contra a ocupação, nem quando viu de suas próprias janelas milhares de judeus sendo amontoados em caminhões e deportados de trem rumo a Auschwitz.

Rota de fuga

Pio XII ajudou nazistas a escapar para a América do Sul. Ninguém sabe ao certo até que ponto Pio XII protegeu os judeus. Mas já não há dúvida de que ele ajudou nazistas católicos a escapar da Europa para Buenos Aires, na Argentina. A rota de fuga foi armada, logo após a Segunda Guerra, pelo Vaticano, a Igreja Católica argentina e o governo de Juan Domingo Perón (1895-1974). É o que afirma o jornalista argentino Uki Goñi, que rastreou o plano em arquivos da inteligência americana, da Cruz Vermelha e de países europeus. “Documentos que encontrei no Escritório de Registro Público de Londres demonstram que o papa sabia da fuga e intercedeu para evitar que alguns criminosos croatas chegassem à Justiça”, diz Uki, que conta essa história no livro A Verdadeira Odessa. A rede funcionava basicamente assim: o Vaticano pagava as passagens e dava passaportes com pseudônimos aos criminosos de guerra, e Perón lhes garantia o visto para entrar na Argentina. A Cruz Vermelha fornecia os passaportes. Os Estados Unidos e a Inglaterra não se intrometiam, mas as autoridades suíças foram além. Permitiram o trânsito ilegal dos nazistas por dentro de seu território. Foi graças a esse plano que Adolf Eichmann (1906-1962), Josef Mengele (1911-1979), Erich Priebke e outros genocidas encontraram um porto seguro na América do Sul. Eichmann só foi preso em 1960, em Buenos Aires (e enforcado depois pelo governo de Israel). Priebke foi localizado em 1991 no mesmo país (e condenado por tribunal italiano à prisão domiciliar). E Mengele morreu afogado em 1979, sob nome falso, no Brasil.



2ª parte



Nota 2: Peço especial atenção á nota proferida na 1ª parte do tópico. Não quero nem deve de ser motivo de querelas religiosas mas sim de discussão politica e histórica, pois é esse o meu objectivo principal ao publicar os 2 textos. Bom senso é o que vos peço.

***

Na Igreja Católica Apostólica Romana é perfeitamente aceito ser fascista, nazista e racista, mas não comunista, pela bula papal do papa nazista Pio XII, denominado "o papa de Hitler". A colaboração entre a Igreja Católica e os nazistas é algo conhecido já de tempos, inclusive no cinema soviético, que retratou-a brilhantemente no filme "A queda de Berlim"(1948), numa conversa entre Hitler e Arsenigo. Com um vasto acervo bibliográfico provando a colaboração entre a Santa Sé e o III Reich, há quem negue-a, alegando se tratar de "propaganda comunista" ou "marxismo cultural". Em 2010, o papa Bento XVI pediu desculpas pelo apoio da Igreja Católica ao nazismo, admitindo-a tacitamente, algo que este artigo bem elucida.

[Imagem: 511824.jpg]

A igreja apóia ativamente o crescimento do fascismo na Europa. Em Portugal, ela apóia Salazar. O cardeal Cerejeira (amigo do ditador) chega a dizer que Salazar a tinha a missão divina de governar Portugal.Na Áustria, a igreja apóia o Austro-Fascismo de Dollfuss e Schuschnigg.O primaz Innitzer é o principal apoiante do regime. Innitzer mais tarde apoiaria a "Anschluss" nazista.

Na católica Polônia, a igreja apóia Pilsudski (e sucessores). O regime polaco anexa partes da Ucrânia e Bielorússia e promove a aculturação forçada das 2 nações. Os idiomas (ucraniano e bielorrusso) e a igreja ortodoxa são proibidos. Vários ortodoxos (inclusive padres) são presos e executados. Igrejas ortodoxas são destruídas pelos "piedosos católicos poloneses". Essa repressão duraria quase 20 anos (só pararia com a invasão da Polônia em 1939). O Vaticano foi conivente com a opressão. Essa opressão contra a minoria ucraniana serviria de pretexto mais tarde para o Exército Insurgente Ucraniano (Ukrainska Povstanska Armiya, ou UPA) promover o massacre de 100000 poloneses em Volinia (incluindo crianças e padres) em 1944.

Na Itália, a igreja assina com o Mussolini uma concordata que faz do catolicismo a religião de estado. A igreja sacrifica em grande parte as suas próprias associações (inclusive o Partido Popular de Sturzo, no intuito de ajudar Mussolini consolidar sua ditadura): todas, exceto a Ação Católica, devem integrar as organizações fascistas. O Vaticano promete a Mussolini de fazer com que a AC não se deixe tentar por ações antifascistas. Mussolini, depois de ter assinado a concordata dita "Patti Lateranensi", é qualificado pelo papa como "o homem da providência". Em 1932, o ditador recebe das mãos do papa, a Ordem da Espora de Ouro, que é a mais alta distinção concedida pelo Estado do Vaticano. O Vaticano apoiaria a invasão italiana na Abissínia, sob protexto de que os soldados italianos estavam levando valores cristãos. Estes bons "soldados de Cristo" cometem inúmeras atrocidades contra os "bárbaros" da Abissínia, como por exemplo, o uso de gás mostarda.

Na Alemanha, em março de 1933, o Zentrum, partido católico, cujo líder é um padre (Ludwig Kaas), vota a favor de plenos poderes para Hitler (A lei habilitante, que se aprovada no parlamento, daria poderes ilimitados ao Executivo): Hitler pode assim atingir a maioria de dois terços necessária instituir uma ditadura. Com uma caridade toda cristã, o Zentrum (e o Vaticano) aceita também fechar os olhos pros crimes nazistas. Depois a igreja começa a negociar uma concordata com a Alemanha: nesse cenário, ela sacrifica o Zentrum, então o único partido significativo que os nazistas não tinham proibido. Na realidade ele tinha-o ajudado a chegar ao poder. Em 5 de julho de 1933, o Zentrum se dissolve sob solicitação do Vaticano (cujo Secretário de Estado era Pacelli, futuro Pio XII), deixando o caminho livre para o NSDAP de Hitler, então partido único (A Alemanha assinou a Concordata com o Vaticano em virtude dos votos importantes do Zentrum. Em suma, foi um clientelismo).Hitler declara-se católico no "Mein Kampf", o livro onde ele anuncia o seu programa político. Também afirma que está convencido ser ele um "instrumento de Deus". A igreja católica nunca colocou no seu Índex o "Mein Kampf"(ao contrário dos livros de Rousseau,Sartre,Pascal e Voltaire), mesmo antes da ascensão de Hitler ao poder. Podemos acreditar que as idéias de Hitler não desagradavam à igreja. Hitler mostrará o seu reconhecimento tornando obrigatória uma prece a Jesus nas escolas públicas alemãs, e reintroduzindo a frase "Gott mit uns" (Deus está conosco) nos uniformes do exército alemão. Hitler também foi apoiado pela igreja protestante, a ponto dessa igreja criar o movimento nazi-protestante chamado "Deutsche Christen" liderado pelo pastor Ludwig Müller. Müller e outros religiosos (católicos e protestantes) se tornariam membros do NSDAP. O bispo Alois Hudal (membro do NSDAP), publica um livro que concilia vários aspectos do catolicismo com o nazismo. Ele defende visão arianizada do cristianismo. Hudal nunca foi condenado pelo Vaticano. Hudal mais tarde ajudaria nazistas a fugir da Europa.

Na Espanha, os militares tentam um golpe de estado, que aborta, mas degenera em guerra civil. A igreja os apóia, padres e bispos benzem os canhões de Franco, celebram com muita pompa e Te Deum as suas vitórias contra o governo republicano legítimo (que havia acabado com os privilégios do clero). A guerra faz mais de um milhão de mortos, e Franco fuzila todos os prisioneiros. Franco se mostrará reconhecido por seus santos aliados, nomeando diversos membros da Opus Dei para o seu governo. A influência da Opus Dei crescerá ao longo da ditadura franquista, ao ponto de se chegar a mais de metade dos ministros serem membros dessa venerável instituição católica. Franco proíbe todas as religiões, com a exceção óbvia do catolicismo. A minoria protestante sofreria anos de perseguição por parte do piedoso regime franquista. O Vaticano nunca condenou essa perseguição.

Na Eslováquia (fantoche nazista), o piedoso padre Jozef Tiso assume o poder e promove uma violenta perseguição de opositores, ciganos e judeus (parte das vítimas foi deportada pra Auschwitz). O Vaticano jamais excomungaria este sacerdote exemplar (ao contrário de padres que defendem camisinha, aborto, fim do celibato clerical etc.). Tiso ajudaria Hitler a invadir a católica Polônia. O Vaticano não condena os 2 ditadores, pois ficou sabendo que a Polônia invadida serviria de base pra uma futura invasão à URSS (odiada pela igreja).A Polônia foi literalmente traída pelo Papa.

Na França (Vichy), a igreja declara que "Petain é a França": ela prefere de fato o Trabalho-Família-Pátria de Vichy ao Liberté-Égalité-Fraternité da República, que sempre a horrorizaram. Pétain suspende a laicidade do Estado instituida em 1905 e restabelece os privilégios clericais. Em retribuição, o clero fecha os olhos pros abusos do regime de Pétain.

Na Bélgica, a igreja católica apóia o movimento fascista "Rexisme" (nome derivado de Christus Rex) chefiado pelo devoto Leon Degrelle. Degrelle acabaria influenciado mais tarde pelas idéias de Hitler. Durante a 2ª guerra, Degrelle vira oficial nazista e chefia as SS Wallonie, com a presença de capelães. O padre Cyriel Verschaeve se torna capelão das SS Langemarck (formada por belgas flamengos). Estes 2 católicos exemplares fugiriam da Bélgica (seriam condenados por colaboracionismo) e viveriam no exterior pro resto de suas vidas.

Na Croácia, a "Ustasha"(fantoche nazi), a igreja apóia plenamente (e ativamente) os crimes de Ante Pavelic (líder Ustasha). Cerca de 1000000 de pessoas (sérvios, ciganos, judeus, croatas antifascistas etc.) seriam brutalmente assassinadas. Os terríveis crimes Ustasha chocariam até mesmo os nazistas, aliados de Pavelic.Os padres cooperam com o genocídio promovido pelos Ustashas. Os piedosos padres também promovem a conversão forçada dos sérvios (cristãos ortodoxos) ao catolicismo, sob ameaça de tortura e morte. Várias igrejas ortodoxas são destruídas e o clero ortodoxo sofre terríveis atrocidades por parte dos piedosos Ustashas.O regime de Pavelic constrói o terrível campo de extermínio de Jasenovac, cujo comandante era o sádico padre franciscano Filipovic (O "Irmão Satan"). Os guardas de Jasenovac executam as vítimas friamente com facas, machados, marretas e outros métodos cruéis. O franciscano Brzica, um guarda de Jasenovac, degola mais de 1000 prisioneiros. A crueldade Ustasha(e a cumplicidade dos padres) jamais seria condenada pelo primaz Stepinac (aliado de Pavelic. Stepinac acabaria beatificado pelo Vaticano em 1998) e nem mesmo pelo Vaticano do Papa Pio XII. Pavelic e outros piedosos Ustasha conseguiriam fugir da Europa pós-guerra com a santa ajuda do Vaticano. Até hoje, o Vaticano nunca pediu perdão por sua cumplicidade com Pavelic. (a cumplicidade católica com Pavelic lhe renderia mais tarde um processo http://www.vaticanbankclaims.com/)

Na Eslovênia, o bispo Gregory Rozman chefia uma terrível milícia pró-nazi. Rozman acabaria fugindo de seu país, procurado como criminoso de guerra (a exemplo do piedoso bispo Ustasha Ivan Saric).

Durante a 2ª guerra mundial, o Vaticano estava ciente das atrocidades nazistas. O papa Pio XII pensou em condenar os nazistas, mas desistiu por causa de seu anticomunismo ferrenho e achando que uma vitória russa seria pior (o Vaticano chegou a considerar a invasão da URSS por Hitler uma ?cruzada contra o bolchevismo ateu?). Na rádio-mensagem de Natal de 1942, Pio XII critica o comunismo, ao contrário de Hitler e seus serviçais (Tiso,Pavelic, Pétain,Franco,Mussolini etc.). Ele falou em sua mensagem natalina das ?centenas de milhares de pessoas que sem culpa nenhuma da sua parte, às vezes só por motivos de nacionalidade ou raça, se vêem destinadas à morte ou a um extermínio progressivo?, porém ele não citou as vítimas e nem os carrascos nazistas. Em 1943, os nazistas ocupam Roma. O terror nazista chega diante das portas do Papa. Eles perseguem judeus, comunistas e outros grupos. Em 23 de março de 1944 um grupo de guerrilheiros atacou um comando nazista e matou 33 invasores. Este ato heróico foi duramente criticado pelo Vaticano e definido como terrorismo. A resposta alemã foi assassinar friamente 335 italianos nas Fossas Ardeatinas sob o comando de Erich Priebke. A Santa Sé simplesmente se lastimou pelas pessoas sacrificadas "em lugar dos culpados". Em outras palavras, o Papa não se oporia se os fuzilados fossem os membros da resistência italiana. A preocupação de Pio XII não era com as vítimas dos nazistas, ou com a ocupação nazi, mas com os partisans que lutavam pela libertação da Itália. Temia que uma abrupta saída dos alemães pudesse deixar a cidade nas mãos da resistência comunista. Apesar disso, o Vaticano ajudaria alguns perseguidos pelos nazistas quando viu que a derrota alemã era iminente. Depois da guerra, o Vaticano ajudaria Mengele, Eichmann, Priebke e outros nazistas a fugirem da Europa através das "Ratlines".

A igreja apoiou também ditaduras na América Latina e África. Na Argentina, a igreja colaborou com a repressão, a ponto de padres cooperarem com a tortura e morte de opositores, inclusive nos vôos da morte, onde os opositores eram atirados ao mar. A igreja também apoiou a repressão de minorias (testemunhas de Jeová e gays, por exemplo). Católicos dissidentes, a exemplo do bispo Angelelli, das freiras francesas e dos padres palotinos, foram mortos perante o silêncio cúmplice da igreja. O núncio Pio Laghi foi um notável apoiante da repressão na Argentina, além de ter tido amizado com a cúpula militar. A igreja apoiou também Pinochet, Somoza, Stroessner, Trujillo e outros fascistas da região. Em Ruanda, padres e freiras cooperaram com o genocídio local. (houve cumplicidade também de líderes de igrejas protestantes e adventistas). O Vaticano jamais excomungou os religiosos envolvidos no genocídio, além de proteger alguns deles.

[Imagem: hitlercreyente.jpg]


*Seria bom lembrar que o Vaticano, que foi conivente com o nazifascismo, condenaria diversas vezes o comunismo e outros sistemas políticos "heréticos", a ponto de pedir pros católicos residentes em países comunistas e laicos pra que promovessem rebeliões, desobediência civil, e outras formas de resistência aos governos vigentes. O Vaticano apoiou os "Cristeros" contra o governo mexicano, o sindicato Solidariedade de Lech Walesa contra os comunistas poloneses, a revolta anticomunista na Hungria em 1956 etc.



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Shoyu e Missô Orgânicos Você Encontra na Tudo Saudável Produtos Naturais
25-01-2017, 10:34 PM
Resposta: #2
RE: Pio XII: bendito ou maldito?
Senhor @ruicoelho um documentário muito interessante

Acredito ele ser de seu conhecimento, se não for convido o senhor e a todos o assistir.



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OfimDoComeço (26-01-2017), ruicoelho (26-01-2017)
26-01-2017, 04:14 PM
Resposta: #3
RE: Pio XII: bendito ou maldito?
Como a maioria dos Papas antigos esse maldito foi um assassino travestido de religioso.

http://forum.noticiasnaturais.com
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ruicoelho (26-01-2017)
19-03-2017, 01:45 PM (Resposta editada pela última vez em: 19-03-2017 01:46 PM por ruicoelho.)
Resposta: #4
RE: Pio XII: bendito ou maldito?
3ª parte


Nova evidência histórica derruba lenda negra sobre Pio XII


[Imagem: PapaPioXII_FlickrTrueRestorationCC_BY_SA_20_140317.jpg]


Uma nova pesquisa divulgada recentemente revelou que muitos locais que acolheram os judeus durante a perseguição nazista durante a Segunda Guerra Mundial eram instituições da Igreja Católica.

Esta informação constitui uma razão para derrubar a lenda negra sobre o Papa Pio XII, através da qual o acusam de antissemita e “cúmplice” de Hitler, quando na verdade ajudou a salvar aproximadamente 800 mil judeus.

Segundo informou o Catholic Herald, a Fundação Internacional Raul Wallenberg, um instituto de pesquisa histórica, se dedica atualmente a encontrar os locais que acolheram os judeus durante a Segunda Guerra Mundial, para colocar uma placa comemorativa, como um gesto de gratidão pelo seu trabalho de resgate. Esses lugares são chamados de “Casas de Vida”.

O presidente da Fundação, Eduardo Eurnekian, indicou: “Ficamos surpresos quando soubemos que a maioria das casas eram instituições relacionadas à Igreja Católica, incluindo conventos, mosteiros, internatos, hospitais, etc.”.

Até hoje, o instituto localizou mais de 500 “Casas de Vida” na Itália, França, Hungria, Bélgica e Polônia.

Segundo informou a fundação em seu site, um dos últimos lugares católicos a ser reconhecido como “Casa da Vida”, foi o Colégio San Giuseppe Instituto De Merode, em Roma, em 14 de fevereiro. Este lugar abriu as suas portas clandestinamente aos judeus e lhes forneceu comida e remédios até o final da Segunda Guerra Mundial.

Atualmente, a fundação está focada em encontrar mais lugares como este de acolhida na Itália.

Em um artigo publicado no Catholic Herald, calcula-se que somente na cidade de Roma aproximadamente 4.500 judeus encontraram refúgio em igrejas, conventos, mosteiros e internatos. Isto aconteceu durante o Pontificado de Pio XII.

Quando ainda era o Cardeal, Eugenio Pacelli ajudou os judeus. Em 1937 o Papa Pio XI publicou a encíclica “Mit Brennender Sorge” (Com ardente inquietude) escrita em alemão, onde condenou o nazismo. Pacelli, seu secretário, o ajudou a escrevê-la.

Quatro anos depois, o Purpurado negociou o acordo entre a Santa Sé e a Alemanha para garantir a liberdade religiosa dos católicos no país.

Ao contrário das afirmações da lenda negra a respeito do Cardeal Pacelli, os nazistas os chamavam de “amante dos judeus” e o odiavam tanto que queriam evitar que fosse eleito Papa em 1939.

Nesse então, o Purpurado já havia realizado mais de 50 protestos contra a política nazista. Inclusive ajudou na libertação de um músico judeu chamado Ossip Gabrilowitsch, que fugiu para os Estados Unidos e alguns anos depois se converteu ao catolicismo.

Depois da morte de Pio XI, o Cardeal Pacelli foi eleito sucessor de São Pedro e tomou o nome Pio XII.

Como Papa, aumentou as atividades para ajudar os judeus. Calcula-se que através do seu trabalho conseguiram salvar cerca de 800 mil pessoas. O Santo Padre os escondia no Vaticano, especialmente em Castel Gandolfo, casa de verão dos Papas.

Chegou a emprestar a sua própria cama para que as mulheres judias pudessem dar à luz. No total, 42 crianças nasceram e muitos foram chamados Eugenio, como um agradecimento pela ajuda do Papa.

Também entregou a Israel Zolli, o então grande rabino de Roma, uma contribuição em ouro para completar os 50 quilos que os nazistas pediram aos judeus, algo que não impediu uma grande invasão na qual escondeu novamente muitas pessoas.

Este e outros gestos fizeram com que o rabino se convertesse ao catolicismo e foi batizado com o nome de Eugenio.

A proteção de Pio XII aos judeus e a sua firmeza moral fez com que os nazistas elaborassem um plano para sequestrá-lo em 1944, quando o regime havia ocupado Roma. Entretanto nunca puderam realizá-lo.

A origem da lenda negra

Um ex-espião da KGB, Ion Mihai Pacepa, denunciou em um artigo publicado no National Review Online que o Kremlin e a inteligência russa fizeram um plano chamado “Assento 12” para destruir a autoridade moral da Igreja Católica na década de 1960.

Pacepa indicou que o objetivo principal era o Papa Pio XII, porque havia falecido há dois anos e, como dizia o então presidente russo, Nikita Khrushchev, “os mortos não podem se defender”.

Pacepa contou que a KGB “queria apresentá-lo como um antissemita que tinha incentivado o holocausto de Hitler”. Para isso, pediu para ele modificar alguns documentos originais do Vaticano.

O espião romeno enviou centenas de documentos à KGB relacionados a Pio XII. Entretanto, não encontrou nenhum documento que incriminasse o Papa, então ele os alterou.

Estes documentos foram a base para o livro “O Vigário”, escrito e publicado em 1963 pelo alemão Rolf Hochhuth. Este livro apresenta Pio XII como um Papa partidário dos nazistas e indiferente ao holocausto judeu. A obra foi traduzida a 20 idiomas.

“Atualmente, muitas pessoas que nunca ouviram falar de ‘O Vigário’ estão sinceramente convencidas de que Pio XII era um homem frio e cruel, que odiava os judeus e ajudava Hitler a matá-los”, manifestou Pacepa.

Em 1964, o Papa Paulo VI ordenou fazer uma investigação sobre a conduta de Pio XII durante a Segunda Guerra Mundial. Isto demonstrou que tanto o Pontífice como a Igreja Católica ajudaram muito os judeus durante este período.

Em 1999, o autor John Cornwell publicou seu livro “O Papa de Hitler”, que também defende a ideia de que Pio XII era antissemita.

Em entrevista concedida ao jornal espanhol ‘La Vanguarda’, o Papa Francisco lamentou que as pessoas tivessem feito uma concepção errada sobre Pio XII e que tenham “colocado tudo em cima” do Pontífice que ajudou a salvar cerca de 800 mil judeus do holocausto perpetrado pelos nazistas.

O Santo Padre recordou que, depois da morte de Pio XII, o então primeiro-ministro de Israel, enviou uma carta dizendo: “Compartilhamos a dor da humanidade. Quando o Holocausto atingiu o nosso povo, o Papa se colocou em defesa das vítimas”.


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Shoyu Orgânico Fermentado Naturalmente Você Encontra na Tudo Saudável
20-03-2017, 02:26 PM
Resposta: #5
RE: Pio XII: bendito ou maldito?
Nem um nem outro. Um líder político/religioso metido numa situação intratável, onde uma ação mal pensada, resultaria num aumento da catástrofe já reinante.
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ruicoelho (20-03-2017)
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