Respostas: 2,127
Agradecimentos feitos: 250
Agradecimentos recebidos: 717 em 395 posts
Registrado em: Jun 2010
Reputação: 15
Síria, a nova Líbia
Publicada em 14 de Fevereiro de 2012 ás 20:00:56
por Pepe Escobar
Uma Kalashnikov era vendida no Iraque até recentemente por US$100. Agora, custa no mínimo $1.000, mais provavelmente $1.500 (longe vão os dias em que os sunitas que se uniam à resistência, em 2003, podiam comprar uma Kalashnikov falsa, fabricada na Romênia, por $20).
Destino preferencial das Kalashnikov de $1.500 em 2012: a Síria. Rede: a al-Qaeda na Terra dos Dois Rios, também conhecida como AQI. Compradores: jihadis infiltrados que operam ombro a ombro com o chamado Exército Sírio Livre (Free Syrian Army, FSA).
Também operam como correia de transmissão entre Síria e Iraque as explosões de carros e os suicidas-bomba, como as duas explosões recentes nos subúrbios de Damasco e o suicida-bomba, 6ª-feira passada, em Aleppo.
Quem imaginaria que o que a Casa de Saud deseja ver na Síria – um regime islâmico – é exatamente o que a al-Qaeda também deseja para a Síria?
Ayman "O Cirurgião" al-Zawahiri, número 1 da al-Qaeda, em vídeo de oito minutos, intitulado "Avante, Leões da Síria", acaba de convocar à luta os muçulmanos no Iraque, Jordânia, Líbano e Turquia, para derrubar o "regime pernicioso, canceroso", de Bashar al-Assad. De fato, já estavam alistados, em geral, mesmo antes de O Cirurgião entrar em cena. E não só eles, mas principalmente os "combatentes da liberdade" líbios transplantados, conhecidos antigamente como "os rebeldes".
Quem imaginaria que o que o CCG-OTAN (Conselho de Cooperação do Golfo+Organização do Tratado do Atlântico Norte) deseja ver na Síria é exatamente o que a al-Qaeda também deseja para a Síria?
Portanto, quando, apesar de todos os horríveis ataques militares que matam sobretudo os civis apanhados no fogo cruzado, o governo de Assad diz que está combatendo "terroristas", ele, em termos precisos, não está mentindo. Até aquela entidade onipresente, proverbial, "funcionário do governo dos EUA que não quis identificar-se" já culpa a al-Qaeda na Terra dos Dois Rios, AQI, pelas recentes explosões. E, além desses, também o vice-ministro do Interior do Iraque Adnan al-Assadi: "Temos informações de inteligência de que vários jihadists iraquianos partiram para a Síria."
Assim sendo, se não deu para fazer da Síria a nova Líbia, no sentido de uma resolução da ONU autorizar o bombardeamento humanitário – vetada por dois BRICs, Rússia e China –, a Síria pelo menos já é uma nova Líbia, no sentido dos escandalosos laços entre "os rebeldes" e os jihadis salafistas linha-dura.
E dado que o ocidente absolutamente adora situações de ganha-ganha, mesmo que pré-fabricadas, é perfeitamente possível que aí esteja, prontinho, o casus belli que o Pentágono esperava – libertar a Síria de uma "al-Qaeda" que, antes, não estava lá. Não esqueçam que – apesar de todo o alarde sobre a "deriva" do governo Obama/Pentágono, afastando-se do Médio Oriente e voltando-se para o Leste da Ásia, toda a "guerra global ao terror" (global war on terror, GWOT), que Obama rebatizou de "operações contingenciais além-mar" ("overseas contingency operations", OCO), continua bem viva, vivíssima.
Libertem-me, para eu matar à vontade
No ano passado, o Asia Times Online advertiu inúmeras vezes que a Líbia "libertada" – e "libertada" pelos chamados "rebeldes da NATO" – rapidamente se transformaria em inferno povoado de milícias armadas. Exatamente o que lá se vê hoje: há pelo menos 250 milícias diferentes, só em Misurata, segundo o Human Rights Watch; as milícias são polícia, juízes e carrascos-executores, tudo ao mesmo tempo. Por falar nisso, não há Ministério da Justiça na Líbia "libertada". Se você for preso e chegar à cela, ali mesmo será executado; e se for africano subsaariano, ainda ganha, de brinde, longo período de tortura, num campo libertado de prisioneiros, antes de ser executado.
Como se viu acontecer na Líbia – porque é questão estratégica para o eixo Casa de Saud/sunitas do Qatar –, já não há qualquer possibilidade de autêntico diálogo entre a insurreição (armada) e o regime de Assad. Afinal, o objetivo chave é derrubar o regime de Assad. Então, a propaganda reina absoluta, nos media árabes controlados quase todos ou pelos sauditas ou pelos qataris.
Por exemplo: o muito louvado Observatório Sírio de Direitos Humanos, com sede em Londres, e que vive de vomitar estatísticas sem qualquer comprovação, números e mais números, sem fim, dos "massacres" cometidos pelo governo sírio – falaram até em "genocídio" –, é mantido com dinheiro de uma entidade sediada em Dubai e financiada por obscuros doadores ocidentais e do Conselho de Cooperação do Golfo.
Para completar, os 'especialistas' mediáticos da "oposição" orientam com precisão de mira a laser toda a cobertura da imprensa-empresa ocidental. A rede CNN atribuiu as bombas de Aleppo, na 6ª-feira, a "terroristas" – assim, entre aspas. Imaginem a histeria total, se fosse a Zona Verde dos EUA, no Iraque, atacada à bomba pela resistência sunita, em meados da década dos 2000. A BBC acreditou realmente na versão de propaganda que a Fraternidade Muçulmana Síria distribuiu, segundo a qual o governo sírio se autobombardeara: tão verossímil como a 'notícia' de que o Pentágono se autobombardeava na Zona Verde. Quanto aos media árabes – em grande parte controlada por sauditas e qataris –, ignorou completa e absolutamente a conexão al-Qaeda.
A Liga do Conselho de Cooperação do Golfo – antiga Liga Árabe –, depois de bombardear o próprio relatório da própria comissão sobre a Síria, porque não reproduzia a narrativa pré-fabricada sobre um governo "do mal" que bombardeava unilateralmente o próprio povo, anda agora propagandeando um supostamente humanitário Plano B: uma missão de paz árabes/ONU, para "supervisionar a execução do cessar-fogo". Mas que ninguém se deixe enganar: a agenda ainda é a mudança de regime, como antes.
O príncipe Saud al-Faisal, ministro de Relações Exteriores da Arábia Saudita, já começou a fazer os ruídos certos, descartando qualquer intervenção humanitária. Simultaneamente, é muito edificante ouvir a Casa ("oh, como somos progressistas") de Saud a lamentar a "falta de comprometimento do governo sírio" e a pontificar que "a Síria passa hoje, não por uma guerra de guerrilha, nem racista nem sectária, mas por matança em massa, sem qualquer consideração humanitária".
Imaginem o quanto seriam "humanitárias" as "considerações" da Casa de Saud, no caso de emergir um movimento pró-democracia entre a maioria xiita que habita a província Leste (já aconteceu; o movimento emergiu e foi reprimido com violência extrema). Melhor ainda: lembrem como os sauditas tinham ar "humanitário", quando invadiram o Bahrain.
A agenda do CCG-OTAN permanece inalterada: mudança de regime, por não importa qual meio. Até o Guerreiro-em-Chefe e presidente dos EUA Barack Obama já disse isso, ele mesmo, em pessoa. Os fantoches do CCG obedecerão servis e felizes. Portanto, só resta esperar uma inflação de Kalashnikovs através da fronteira, mais carros-bomba, mais suicidas-bomba, mais civis mortos no fogo cruzado e a lenta, imensamente trágica, fragmentação da Síria.
Respostas: 2,127
Agradecimentos feitos: 250
Agradecimentos recebidos: 717 em 395 posts
Registrado em: Jun 2010
Reputação: 15
RE: Síria, a nova Líbia
Desmentido oficialmente o relato sobre forças especiais russas na Síria
16.02.2012, 15:05
A embaixada russa em Damasco desmentiu relatos da mídia estrangeira sobre o envio das forças especiais russas e de grandes quantidades de armas à Síria, que terão entrado depois da visita recente do ministro das Relações Exteriores russo, Serguei Lavrov, ao país, diz o comunicado de imprensa da embaixada.
Também refutou as alegações de que a delegação russa tinha trazido a Damasco imagens do deslocamento da oposição armada, obtidas por satélites. A Rússia, ressalta o documento, apoia firmemente a cessação mais rápida da violência na Síria por todas as partes.
Respostas: 2,127
Agradecimentos feitos: 250
Agradecimentos recebidos: 717 em 395 posts
Registrado em: Jun 2010
Reputação: 15
RE: Síria, a nova Líbia
Publicada em 08 de Março de 2012 ás 07:29:53
ONU: Rússia acusa a Líbia de estar treinando rebeldes sírios.
Vitaly Churkin, embaixador da Rússia na ONU:
“É completamente inaceitável. Essa prática está minando a estabilidade no Oriente Médio.
O embaixador russo na ONU Vitaly Churkin acusou a Líbia de treinar e armar rebeldes sírios na luta contra o governo do presidente sírio Bashar al-Assad.
O enviado russo fez essa acusação em reunião do Conselho de Segurança ontem, 4ª-feira.
“Temos informação de que na Líbia, com apoio das autoridades, há um centro especial de treinamento” para rebeldes sírios, “e grupos são mandados de lá à Síria, para atacar o governo legal” – disse Churkin. E acrescentou: “É completamente inaceitável. Essa prática está minando a estabilidade no Oriente Médio.”
A acusação aparece depois que documento recém publicado pelo website Wikileaks revelou que há operações clandestinas em andamento, de forças dos EUA e OTAN, dentro da Síria, contra o governo.
Na mensagem confidencial agora divulgada, um analista, a serviço da empresa texana Stratfor, diz que, em dezembro do ano passado, participou de reunião no Pentágono na qual ouviu que soldados de EUA/OTAN já estavam em território sírio, dando treinamento a rebeldes armados.
Na 3ª-feira, o presidente Assad disse que tropas estrangeiras tentavam enfraquecer o governo sírio.
Desde meados de março de 2011, a Síria enfrenta violência, que já resultou em centenas de mortos, entre os quais muitos soldados e agentes de segurança.
Damasco culpa “mercenários, sabotadores e grupos terroristas armados” pela agressão, que, para o governo sírio, está sendo orquestrada do exterior.
Os EUA e vários países ocidentais, entre os quais Grã-Bretanha e França, além de Arábia Saudita, Qatar e Turquia, apoiaram medidas contra o governo sírio.
Texto enviado por Vila Vudu
O(s) seguinte(s) 3 usuários diz(em) obrigado a
GU4RD1ÃO pelo seu post:3 usuários diz(em) Agradece a GU4RD1ÃO pelo seu post Dimitrizacari (11-03-2012), Jsantos302 (11-03-2012), TheBodyBuilder (11-03-2012)
Síria: verdades e mentiras e a mídia do Pentágono
27.02.2012
Futuro da Revolução Árabe relaciona-se com o que ocorre na Síria
Gostaria muito de tratar mais globalmente sobre a Revolução Árabe, iniciada há pouco mais de um ano. Poderia tratar do Egito e suas eleições, também ocorridas na Tunísia ou mesmo no Iêmen, cujo ditador acaba de cair e deve refugiar-se em alguma monarquia reacionária árabe ou mesmo nos EUA (seu vice assumiu, mas segue sendo ditadura). No entanto, a pauta segue sendo a Síria. Por isso, voltamos ao tema neste artigo.
Verdades e Mentiras sobre a Síria:
Muito já se disse sobre o que ocorre na Síria hoje. Os meios de comunicação de massa, nacionais e internacionais, expressam o que pensa o Pentágono. Com honrosas exceções, tudo que recebemos no Brasil em particular, publicados em língua pátria na Folha, Globo e Estadão reproduz quase que sem retirar nenhuma frase, o que as agências noticiosas internacionais despacham para o mundo todo. Agências, diga-se de passagem, que sequer possuem um só correspondente em Damasco, capital da Síria.
A seguir, para auxiliar nossos leitores, fazemos um pequeno resumo de tudo que se diz sobre a República Árabe da Síria. Resumimos 15 pontos que se destacam na atualidade.
1. Governo de Bashar Al-Assad mata milhares - Mentira.
Dia após dia, manchetes garrafais estampam que o governo vem matando "milhares" de sírios, todos "inocentes". A única fonte de informação que o Ocidente inteiro possui sobre tais "dados" de mortes é de um obscuro Observatório Sírio de Direitos Humanos (sic), com sede em Londres e que recebe farto financiamento de países do Golfo Pérsico, todos, sem exceção, monarquias antidemocráticas, absolutistas e extremamente reacionárias e pró-EUA.
Como isso esta ficando uma vergonha para quem pratica um jornalismo sério, a grande imprensa, quando publica os números "assustadores" de mortos, ultimamente vem pelo menos acrescentando sempre "segundo o Observatório Sírio de DH", que "não puderam ser comprovadas".
De fato, os únicos dados confiáveis são os fornecidos pelo próprio governo, que atesta que pelo menos dois mil soldados, policiais e cidadãos sírios foram assassinados por grupos terroristas e mercenários, seja em ataques diretos ou em atentados a bomba que vêm ocorrendo com maior intensidade nas últimas semanas.
2. Exército Síria Livre é formado por desertores - Mentira.
Não há desertores no Exército sírio. Pelo menos não em expressão. Todas as deserções em todas as divisões do Exército da República Árabe da Síria são pontuais e ocorrem apenas e exclusivamente na baixa oficialidade.
O que se tem de concreto é que essa organização é composta de mercenários altamente remunerados, usando armas contrabandeadas, inclusive do arsenal líbio. Se um AK-47, fuzil de assalto mais famoso no mundo, podia ser comprado a cem dólares tempos atrás, hoje, com os bilhões de dólares que a Arábia Saudita e o Qatar vêm despejando para a derrubada do governo do Dr. Bashar, não se compra uma arma dessa, muito popular, por menos que 1,5 mil dólares.
Esse tal "exército" esta acampado na fronteira com a Turquia e por esta é estimulado e seu comando vem de Istambul. O governo turco, que presta um péssimo papel achando que voltará a ter o comando do sultanato otomano, tem procurado dar guarida a essa milícia terrorista e facínora, apoiada por Israel e pelos EUA. Seu "comandante", o coronel desertor Riad El Assad, esta na folha de pagamento do Departamento de Estado.
3. Liga Árabe pede Democracia e Liberdade na Síria - Mentira. Não tem moral para isso.
A Liga Árabe, organismo multilateral fundado em 1945, é integrado pelos 21 países árabes e a OLP que representa a Palestina. Ainda que possa ser duvidoso que em algum momento tenha cumprido algum papel relevante na vida dos árabes, a certeza é de que hoje ela é um organismo fracassado.
Tomado de assalto pelas monarquias do Golfo, com seus bilhões de dólares, esse organismo presta-se hoje como auxiliar tanto do CS da ONU, quanto da União Europeia e dos EUA. De árabe essa tal Liga não tem mais nada. Não representa mais os anseios e as verdadeiras aspirações do povo árabe, que hoje são quase 400 milhões de pessoas.
Esse organismo serve apenas para propor ao CS da ONU resoluções que os EUA e a União Europeia não teriam a coragem de propor. Os petrodólares da Casa de Saud e do emirado do Qatar é que sustentam a organização. Esta completamente esvaziada. Iraque, Líbano, Argélia e a própria Síria nem mais tem comparecido às reuniões, que perderam completamente a sua eficácia.
Mas, o que é pior. Que moral tem a Arábia Saudita e o Qatar em pedir democracia na Síria? Falam em liberdade, mas não a praticam em seus países, que não tem parlamento e nenhum partido funcionando. Uma hipocrisia completa. Uma falsa moralidade. Indignam-se com o que ocorre na Síria, mas é uma indignação seletiva.
4. Rússia e China vetam resolução anti-Síria na ONU - Verdade. E ambos têm suas razões.
Essas duas potências mundiais - ambos BRICS - ficaram escaldadas com o golpe europeu-estadunidense que, usando a OTAN, rasgaram a resolução 1973 de 17 de março de 2011, que mencionava apenas "proteção" a civis líbios. Com essa resolução a OTAN bombardeou toda a Líbia na linha da ordem dada por Obama/Hilary: derrubem o regime! A linha foi a da mudança de regime, coisa que só o povo líbio teria poder de decidir. Assassinaram mais de 200 mil líbios!
Os EUA e seus clientes europeus não aceitaram nenhuma modificação proposta por estes dois países na nova resolução proposta em 4 de fevereiro passado. E pior que isso. Expressaram sua indignação sobre o veto exercido dentro das regras da Carta das Nações. Quando os EUA vetam dezenas de resoluções contra Israel no CS/ONU nada se fala. Uma vez na vida duas potências vetam uma resolução que abriria brecha para a OTAN atacar a Síria, vem a indignação seletiva.
A embaixadora dos EUA da ONU, Susan Rice, chegou a dizer que o "mundo não poderia ficar refém de dois países" (sic). Tenho em mãos uma pesquisa sobre os vetos dos EUA contra resoluções a favor dos palestinos e que criticavam Israel. A pesquisa compreende apenas dez anos (1972 a 1982). Só nesse curto período foram exatos 43 resoluções vetadas pelos EUA!
Hoje, felizmente, tanto a China como a Rússia têm visto o que realmente ocorre no OM. Derrubar o governo da Síria hoje, passando por cima da soberania desse país árabe pode significar ainda um maior fortalecimento do imperialismo estadunidense e seus estados clientes europeus.
O fato é que a Rússia volta com força ao cenário internacional. Não titubeou nenhuma vez em defesa da soberania síria. Enviou armas e uma frota naval esta ancorada no estratégico porto de Tartous. Como já vimos falando, a unipolaridade no mundo tende ao seu fim. Vários pólos vão sendo criados e a Rússia vai ganhando seu espaço, fazendo-se ouvir depois de mais de vinte anos de um mundo unipolar.
5. EUA, Israel e seus aliados árabes são os maiores inimigos - Verdade. É preciso que sejam dados nomes aos bois.
Os maiores entraves para o avanço da Revolução no mundo Árabe são as petromonarquias. Elas têm nome: Arábia Saudita, Kuwait, Emirados Árabes, Qatar, Omã e Bahrein. A esses se somam países que não são fortes produtores de petróleo, mas são monarquias reacionárias e pró-EUA, como a Jordânia e o Marrocos.
O centro da resistência ao avanço revolucionário árabe vem de Riad, no reino dos sauditas. Estes reservaram em 2011 mais de cem bilhões de dólares para a contrarevolução. E contratam mercenários a peso de ouro. Apoiados pelos EUA, ainda que discretamente, e mais discretamente por Israel e sua inteligência do Mossad. Isso esta amplamente documentado. Pelo WikiLeaks e pela imprensa verdadeiramente livre e a blogosfera.
6. Se a Síria cair, isso reflete em todo o OM - Verdade.
Há hoje um eixo de resistência ao imperialismo estadunidense. Esse eixo apoia as mudanças profundas no OM, apoia a causa palestina, faz oposição à Israel, defende o rompimentos dos acordos de paz assinados com esse país pelo Egito e Jordânia, de forma unilateral.
O bloco de países que integram o eixo da resistência são hoje, além da Síria, o Iraque, Líbano, a Argélia e o Irã (que é persa). O Partido de Deus (Hezbolláh), do Líbano, que forma governo com os cristãos patrióticos (maronitas do Marada e MPL de Aoun), sunitas e xiitas de várias organizações (Amal de Berri e drusos de Jumblat) e o PC Libanês de Khaled, seria o primeiro a sofrer consequências. O Hezbolláh - apesar do nome, é uma organização política e não defende no Líbano um estado religioso - além de muitos deputados e ministros, tem a maior milícia armada de resistência ao exército sionista de Israel que insiste em ocupar o Sul do país.
A própria luta de resistência palestina contra a ocupação, com todas as suas organização que compõem a OLP e o Hamas (que não integra a Organização), se enfraqueceriam imensamente com a queda do governo sírio e a instalação nesse país de um governo pró-EUA.
7. A Irmandade Muçulmana encabeça a oposição na Síria - Verdade.
Essa organização tem seus tentáculos em mais de 70 países. Fundada por Hassan El-Bana em 1928, funciona como partido político, tendo uma ideologia de caráter teológico de linha islâmica fundamentalista. Na maioria das ditaduras e monarquias árabes, cujas liberdades partidárias são praticamente nenhuma, a única forma de uma parte da população expressar-se acaba sendo por essa Irmandade.
Não fiquei surpreso com o fato do seu braço político recém legalizado no Egito e na Tunísia terem ficado em primeiro lugar nas eleições ocorridas recentemente após a queda dos ditadores desses países. Não havia outra forma de expressão política além do islamismo, além da máscara de apelo ao Islã fundamentalista.
No entanto, é preciso deixar claro. Em que pese esse pessoal ter jogado algum papel na resistência à ditadura Mubarak, sempre fez acordos com ele. Aceitavam as regras do jogo, qual seja, que a oposição ao ditador pudesse chegar a no máximo 20% dos votos - eleições fraudadas - tanto para presidente como no parlamento.
A Irmandade é uma organização conservadora, que prega o fundamentalismo islâmico mais próximo do Wahabiya - linha da família Al-Saud, portanto sunitas. Sempre foi e sempre será anticomunista. Por baixo do pano sempre fez acordos, inclusive com o imperialismo britânico e mais recentemente o norte-americano. Seus líderes rapidamente disseram, depois dos resultados das eleições parlamentares no Egito, onde venceram, que não romperiam o acordo de paz com Israel.
Hoje, na Síria, os principais líderes da insurreição interna, que organizam os ataques terroristas aos prédios públicos, oleodutos, gasodutos, escolas e hospitais, são membros da Irmandade. Lamentável. Mas é a verdade amplamente documentada, mas omitida pela grande imprensa.
8. A oposição síria não tem unidade e tem força no exterior apenas - Verdade. Mas a grande imprensa não mostra isso.
É preciso que se diga. Há duas oposições na síria hoje. Uma interna e outra que funciona apenas e tão somente no exterior.
A que tem sede no exterior, seus escritórios ficam em Londres, Paris e Istambul. Esta não tem credibilidade alguma. Financiada pelas monarquias do Golfo e pelo Departamento de Estado - amplamente documentado - elas vivem para dar entrevistas na grande mídia internacional, que repercute amplamente essas "reportagens". No Brasil, a Folha e o Estadão publicaram várias delas. Todas falsas, sem provas, com "líderes" que nunca ninguém viu. É uma oposição sem respaldo algum junto ao povo sírio. Defende abertamente uma resolução no CS/ONU que abra a possibilidade - que eles tanto sonham - da OTAN atacar a Síria. Como acreditar em "lideranças" que pedem que potências estrangeiras bombardeiem seu próprio país, ainda que a pretexto de "proteger civis inocentes"?
Há outra oposição. A interna. No entanto, esta também se divide em duas grandes partes. Uma delas, participa do chamado Diálogo Nacional. Há uma mesa de negociações formada pelo governo da Síria. No rumo das mudanças que o país precisa de fato. E, tais mudanças, vêm ocorrendo (falaremos disso mais à frente). Não se sabe o tamanho dessa oposição. As eleições marcadas para o mês que vem devem mostrar a dimensão dessa oposição. Essa oposição prega a construção de um governo de unidade nacional. Em hipótese alguma defende a intervenção externa. Diz que os problemas dos sírios devem ser resolvidos pelos próprios sírios, sem ingerência externa.
A outra parte da oposição interna, não dialoga com o governo. Esta radicalizada. Arma-se até os dentes e apoia a sabotagem de prédios públicos. Alia-se com o autointitulado Exército da Síria Livre e com o Conselho Nacional Sírio. Prega também abertamente a intervenção externa, ainda que não de forma clara defenda os ataques da OTAN. Faz, na prática, o jogo das potências imperialistas.
A oposição não se unifica. Há pelo menos 53 grupos políticos e tendências atuando de forma conflitiva no tal Conselho Nacional Sírio, organismo criado no exterior e apoiado pelos EUA. Em reuniões com autoridades europeias, essa tal oposição exige que sejam feitas várias reuniões, pois eles não conseguem sequer sentar-se à mesma mesa. Não há unidade política entre eles. Talvez o único ponto em comum seja remover Assad do poder. Nada mais. Mesmo que as reformas sejam profundas - como esta ocorrendo de fato - isso hoje pouco importa. A única agenda, a agenda da CIA, dos EUA, de Israel, da Casa de Saud e do Mossad é mudar o regime. Nada mais lhes interessa.
Tanto a externa, quanto à interna que não dialoga com o governo, possuem amplo e plena interlocução em especial com os EUA, Inglaterra e França.
9. Bashar Al-Assad é um sanguinário e genocida - Mentira.
É evidente que os processos eleitorais tanto na Síria quanto em qualquer país árabe não seguem os padrões que vivemos no Brasil e no Ocidente. No entanto, não se pode falar em democracia na Síria e não se falar desse tema nos outros países árabes. Mesmo no Ocidente. Agora mesmo na Grécia se pede inclusive suspensão das eleições para que um possível novo governo de oposição não rompa os acordos de traição nacional que estão sendo assinados às claras e abertamente.
Os mesmos monarcas que falam em "democracia" na Síria, são os que mais reprimem seus próprios povos, como na Arábia Saudita, Qatar e Bahrein. Essa gente não tolera manifestação, não tolera povo organizado. Essas monarquias sequer possuem parlamento funcionando, partidos políticos são proibidos.
Em que pese todas as restrições às amplas liberdades na República Árabe da Síria, esse país ainda é o mais livre em termos de funcionamento de partidos políticos em todo o Oriente Médio. São oito os partidos políticos existentes e legalizados. Claro, o Partido Socialista Árabe Sírio, o Baath é o maior e do governo. Esta no poder há pelo menos 42 anos. Mas temos dois partidos comunistas no país funcionando. Temos o Partido Nacional Sírio e outros. Depois dos pleitos por reformas amplas, outros cinco partidos foram legalizados, ampliando para 13 o número de partidos com direito a concorrer nas próximas eleições.
O relatório dos observadores da Liga dos Estados Árabes - 160 pessoas que ficaram na síria por trinta dias - menciona em uma parte que contataram e viram funcionando 147 órgãos de imprensa nesse país árabe! Entre rádios, TVs e jornais que circulam amplamente.
Bem ou mal, as eleições para o parlamento sírio ocorrem a cada quatro anos e os oito partidos funcionam livremente. Não é a democracia mais avançada, popular, que defendemos, mas não se pode dizer que as restrições são totais. Há muito que se fazer. E esta sendo feito. Mas, a grande imprensa não divulga uma só linha sobre tudo isso. Chegou às minhas mãos - nunca divulgadas pela grande imprensa - um conjunto de 33 grandes medidas, ações governamentais, decretos e leis adotadas entre abril de 2011 e fevereiro de 2012 que mudam completamente a realidade política desse país árabe.
10. A Síria é o único país árabe hoje a apoiar com firmeza a causa palestina - Verdade.
E não se pode falar em apoio pela metade, parciais. Apenas a Síria, em sua capital, funcionam escritórios de todas as organizações da resistência palestina. O enfrentamento que o povo e o governo da Síria vêm dando à Israel, contra as ocupações que o estado sionista faz em terras árabes é o maior que se te visto em todo o OM.
Desde a derrubada do governo de Saddam Hussein e seu assassinato, que procurava dar enfrentamento à ocupação estadunidense de toda a região; desde a queda e o assassinato de Muammar Khadaffi em outubro passado, um a um foram caindo todos os focos de resistência ao imperialismo estadunidense e à Israel. Restou a Síria. É preciso instalar governos dóceis aos norte-americanos e aos sionistas em todo o mundo árabe para que se complete seu projeto neocolonial na região.
E é preciso deixar claro: derrubar Bashar hoje significa enfraquecer a resistência libanesa e palestina e isolar completamente o Irã! Quem não compreender essa geopolítica no OM não entende nada nem de OM nem de política internacional!
11. A OTAN e a Al Qaeda estão em aliança - Verdade.
Aqui é preciso esclarecer muitas coisas. Ainda que isso possa parecer inacreditável, para quem foi bombardeado durante anos com a informação de que a rede Al Qaeda de Osama Bin Laden sempre foi uma rede terrorista, que teriam feito os atentados às torres gêmeas em 11 de setembro de 2001, isso pode parecer mesmo um verdadeiro absurdo. Mas não é.
Escritores, jornalistas independentes e intelectuais progressista a cada dia vêm trazendo informações precisas e importantes que comprovam essa informação. E os próprios comunicados da organização Al Qaeda pelo seu novo "comandante", o médico pediatra egípcio Ayman Al Zawahiri atestam isso. Textos recentes da lavra desse senhor ou a ele atribuídos, mencionam a importância fundamental da derrubada do governo sírio em aliança com as forças do autoproclamado Exército Síria Livre. E essa organização prega o Estado Islâmico.
Essa organização faz questão de não dialogar com o governo. Foi assim na Líbia quando ela apoiou abertamente a queda de Khadaffi e fez aliança com as forças da OTAN. Agora, da mesma forma, conversações de alto (?) nível entre emissários dessa organização militar europeia - agora mundial! - com líderes da Al Qaeda que atuam na Síria mostra essa aliança, que é abastecida fartamente com dólares do petróleo árabe das monarquias do Golfo e dinheiro da CIA e do Mossad de Israel, via território curdo.
Como diz Pepe Escobar, combativo jornalista brasileiro correspondente do Asia Times, "quem imaginaria que o que a Casa de Saud deseja ver na Síria é exatamente o que a Al Qaeda deseja para a Síria? Quem imaginaria que o CCG e a OTAN desejam para a Síria é o mesmo que a Al Qaeda deseja para esse país?".
12. A Turquia e seu governo deram as costas para os árabes - Verdade.
É lamentável ter que reconhecer isso, mas o governo de Recep Tayyip Erdogan, cujo partido governa a Turquia há quase nove anos (desde 14 de março de 2003), com o seu Partido da Justiça e do Desenvolvimento - PJD (em turco AKP, ou Adalet ve Kalninma Partisi), tem outros projetos para seu país e para uma liderança de toda a região.
Como bem sabemos, a região do OM é habitada por diversos povos. Além do árabe, que são a esmagadora maioria, temos ainda os persas (Irã), os judeus (Israel) e os turcos na Turquia, que é um país laico (apesar de 97% da população pertencer ao islamismo sunita) e foi ocidentalizado de tal forma que até seu alfabeto foi modificado. A separação das entidades e instituições religiosas do Estado é absoluta. No entanto, com Erdogan isso vem sendo gradativamente modificado.
Na verdade, esse Partido vem vencendo as eleições por, gradativamente, ir modificando o cenário turco de tal forma que boa parte da população já admite certa islamização da sociedade. A imprensa apresenta Erdogan como membro de um partido "muçulmano moderado" (sic) sabe-se lá o que isso significa.
No entanto, o grande sonho, o grande projeto desse Partido, o AKP (em turco), é integrar-se à Europa. Isso o falecido cientista político estadunidense Samuel Huntington já havia previsto em seu artigo clássico da Foreing Office de 1995 que causou polêmica acadêmica no mundo todo intitulado Clash of Civilization (Choque de Civilizações, posteriormente transformado em livro pela Editora Objetiva, em 1997).
A crítica que a Turquia receberia desse intelectual era de que o país viraria as costas para o mundo islâmico e teria maiores interesses em olhar para a Europa. Hungtinton afirmaria - quase que como uma profecia - que ele nunca seria admitido na Europa, por ser o continente extremamente preconceituoso, cristão e antiislâmico, por mais que a Turquia fosse um país laico. Sabe-se que o Vaticano se pronuncia contra o ingresso da Turquia na Europa. Era discreto com João Paulo II e agora é aberto com Bento XVI.
Nesse sentido, desde 2003 Erdogan vem se aproximando da Europa. Seu país é membro da OTAN e tem bases militares dessa organização militar, antes contra a URSS e hoje contra qualquer mudança progressista ou revolucionária em qualquer país do mundo. Chegou a ensaiar passos contra Israel. Não é para menos. O governo sionista de Netanyahú interceptou em 2010 uma flotilha de vários navios e fuzilou nove cidadãos turcos. Erdogan teve que subir o tom. Chegou a jogar um papel importante na tentativa de tirar o Irã do isolamento em seu programa nuclear que contou com o apoio de Lula do Brasil.
Mas, mudou de posição. Voltou ao que sempre foi. Tem um sonho de ser a grande liderança do Oriente Médio e dos árabes inclusive. Baixou completamente o tom de voz contra Israel. Apoiou os ataques da OTAN/Europa à Líbia e apoia abertamente a derrubada do governo da Síria em uma clara ingerência nos assuntos internos de um país vizinho que teria que respeitar. Dá abrigo ao exército mercenário estacionado nas suas fronteiras com a Síria. Faz uma manobra arriscada. Coloca em pé de guerra todos os milhões de curdos que vivem em território turco que odeiam o seu governo (pelo menos na Síria eles são melhores tratados). A política de Erdogan de "zero problemas com os vizinhos" hoje vemos uma situação de "zero amigos".
Talvez sonhe com a volta do império turco-otomano. Mas não há espaço para isso. Ele terá que fazer escolha. E, neste momento, vem escolhendo o que tem de pior para o mundo árabe e para toda a Ásia, qual seja, uma aliança tácita com o imperialismo estadunidense e europeu. Lamentamos por isso.
13. Relatório sobre a Situação da Síria só Vale Quando Fala Mal do Governo - Verdade.
Dois relatórios foram produzidos nos últimos 90 dias sobre a Síria. Um, da lavra do representante da ONU para Direitos Humanos na Síria, o brasileiro e meu colega sociólogo Paulo Sérgio Pinheiro, da USP e outro, assinado pelo general sudanês, Mohammed Ahmad Al-Dabi.
Escrevi um artigo sobre o primeiro relatório. O Prof. Paulo Sério sequer entrou na Síria, mas escreveu sobre o que não viu. Fez um relatório faccioso, tendencioso, parcial. Não ouviu ninguém do governo, apenas opositores no exílio. Tal relatório foi amplamente saudado pela imprensa internacional como "equilibrado". Atacava o governo de todas as formas possíveis.
O outro relatório foi feito sob a coordenação do experiente general sudanês, ex-presidente de seu país. A comissão formada era oficial da Liga Árabe. Era integrada por 160 pessoas. Passaram trinta dias na Síria. Visitaram várias cidades, ouviram oposicionistas e o governo. Não constataram a violência que o mundo diz haver no país. Não atestaram o número exorbitante de mortos que a imprensa ocidental divulga. Ao contrário. Constaram sim milhares de mortos das forças regulares, do exército e da polícia. Presenciaram milhões nas ruas em apoio ao governo do Dr. Bashar. Mas, como disse Kissinger em recente artigo o governo é amado pelo povo, mas mesmo assim tem que cair (sic). Esse foi o relatório que apontou a existência de 147 órgãos de imprensa funcionando livremente na Síria.
Imediatamente, a Liga Árabe, que representa hoje apenas as petro-monarquias do Golfo e os interesses da OTAN prontamente rejeitou tal relatório, levando o seu presidente a renunciar aos trabalhos. De fato, dois pesos e duas medidas. Só não vê quem não quer.
14. Os EUA vivem uma Indignação Seletiva - Verdade.
Nunca a famosa frase de "um peso e duas medidas" ficou tão claro e tão evidente como no momento atual da diplomacia norte-americana com Barak Obama. Seus planejadores do Pentágono e do Departamento de Estado são hoje mais ideólogos que planejadores. São seletivos em suas análises, facciosos.
Colocam-se contra o Irã e seu programa nuclear pacífico, mas nada falam sobre as duzentas ogivas nucleares que Israel possui. Falam o tempo todo contra o "ditador" Bashar, mas não se pronunciam contra as monarquias absolutistas, obscurantistas, fascistas e feudais do Golfo, por estes serem seus aliados, amigos e pró-Israel. Pronunciaram-se contra a "repressão" na Síria, mas calaram-se com o massacre dos xiitas no Bahrein. Falam contra o uso das forças armadas sírias que defende o país, mas calam-se contra a invasão que as forças armadas sauditas fizeram no Bahrein, sede da 5ª Frota dos EUA que patrulha o Golfo Pérsico-Arábico. Abusam do direito de veto no CS/ONU em favor de Israel, mas indignam-se contra um veto exercido dentro das regras previstas na Carta das Nações usado pela China e pela Rússia.
15. Terroristas agem abertamente na Síria - Verdade.
A grande imprensa apenas acusa o governo de matar dezenas, centenas de cidadãos. No entanto, ela tem sido obrigada a noticiar mais e mais atentados terroristas contra prédios públicos, oleodutos, gasodutos, escolas e até mesmo hospitais. São feitos por mercenários contratados a peso de ouro pelo obscuro Exército da Síria Livre. O objetivo desses ataques é quebrar a infraestrutura do país e jogar a opinião pública contra o governo.
É preciso destacar que a ação desses grupos mercenários conta com apoio e total suporte da OTAN que os treina e financia, a partir de acampamentos na fronteira da Turquia. Estão envolvidos nessa operação a CIA e o MI6 inglês, além, claro, como sempre, o Mossad de Israel. Isso não vem surtindo efeito. Ao contrário. Pesquisas confiáveis de opinião mostram o grande apoio da opinião pública ao governo.
Conclusões
Nunca tivemos dúvidas, desde o início do processo da Revolução Árabe, que a Síria viveria uma situação distinta, particular. O caráter de um governo se mede pelas tarefas que assume, pelos seus objetivos, pela ação que pratica. Por isso nunca duvidamos do caráter antiimperialista, popular e em defesa dos palestinos que o governo da família Assad sempre expressaram.
Defendemos, tal qual as organizações sindicais, populares e os partidos comunistas da Síria, reformas profundas no país, ampliação das liberdades políticas e de organização. No entanto, não podemos somar nossas vozes com grupos terroristas, mercenários à soldo do imperialismos de todas as matizes, sejam eles norte-americano, inglês ou francês. Não bastasse isso, já esta claro mais que provado por diversas fontes, a ampla aliança da Al Qaeda com a OTAN. E somado a isso, os serviços secretos da CIA, MI6 e Mossad israelense.
Somamos nossas vozes às do povo e do governo da Síria, em seu projeto em defesa da soberania nacional e sua autodeterminação. Não à ingerência estrangeira nos assuntos internos da Síria. Apoiamos e defendemos o diálogo nacional. Apoiamos as eleições livres que ocorrerão no mês que vem, sob nova e democrática constituição da República Árabe da Síria.
Ao que tudo indica, o jogo parece que vai terminando. E com uma derrota fragorosa para as forças imperialistas e sionistas. Para as forças que querem barrar o avanço da Revolução Árabe. A Rússia e China estão resolutas em não apoiar qualquer intervenção externa na Síria. Já chega de destruição de uma nação árabe. Não ficou pedra sobre pedra no Iraque. Agora a mesma coisa na Líbia, antes o país de maio IDH de toda a África. Sem falar na própria destruição do Afeganistão. Agora querem destruir e tomar a síria, último bastião e pilar do verdadeiro nacionalismo e panarabismo, herdados de Gamal Abdel Nasser. A oposição externa já perdeu as ilusões de apoios. Até Sarkouzy já disse que não se ganha uma guerra de fora do país!
A OTAN não tem como intervir e já disse isso com todas as letras. Resta-lhes apoiar os terroristas da rede Al Qaeda, financiada pela CIA. A Turquia vai acabar tendo que retirar todo seu apoio aos mercenários recrutados pelos dólares sauditas, a que ela vem chamando de Exército da Síria "Livre" (Free Syrian Army - FSA em inglês). Vai ficando isolada e sem amigos no OM.
O risco de um conflito regional no OM, que já foi maior, deve estar sendo redimensionado pelos tais planejadores de Washington. Não há como um conflito dessa natureza deixar de fora as capitais Tel Aviv, Riad e Ancara. Um incêndio de razoáveis proporções.
O CS/ONU e a Liga Árabe (do Golfo...) não conseguem mais executar a política estadunidense. Não pelo menos com antes, com a desenvoltura anterior. Há resistências da Rússia e China e agora do Líbano, Iraque, Argélia, do Irã e da própria Síria e do seu bravo povo. A Liga Árabe acabou. Precisará ser, no futuro, recomposta ou outra organização surgirá. Hoje, é palco para monarquias fascistas, feudais, como as da Arábia Saudita e do Qatar.
O governo da Síria, sob o comando do seu jovem presidente, o médico Bashar El Assad, segue no caminho da tentativa de pacificação do país. Mais de 30 decretos, portarias e novas leis, editadas em oito meses vão reformando o regime, o governo, o país, dando-lhes feições mais modernas e democráticas. Avança o diálogo nacional com todas as organizações, governamentais ou não, no rumo de eleições democráticas, nova constituição e eleições presidenciais em 2013. Novos pactos, novas alianças, regionais e internacionais, devem atender aos interesses dos sírios. Novos acordos econômicos com países amigos, em especial Rússia e China, devem ser assinados em breve.
Quero registrar meu profundo lamento a uma esquerda que não consegue compreender a dimensão do que está em jogo naquela região e insiste em somar suas forças, pequenas é verdade, às do império estadunidense e seus lacaios, tentando derrubar o governo patriótico da Síria.
Posso estar enganado, mas contas feitas pelo imperialismo e sionismo, pela direita islâmica, o melhor mesmo talvez seja melhor bater em retirada. Difícil prever em detalhes, mas é esse o cenário que vislumbramos.
Fontes Pesquisadas e Citadas
Aisling Byrne. A realidade sempre mal contada na mídia sobre a Síria do Asian Times Online, de 4 de janeiro de 2012;
Assad Frangiéh, em http://www.elmarada.com.br em Editorial, O começo do fim. Agradeço ao Dr. Assad em particular por observações na primeira versão deste trabalho.
Camila Carduz. Irã promete apoiar resistência libanesa e palestina contra Israel. Prensa Latina.
Evguêni Satanóvski. Atual estratégia russa para o Oriente Médio permite ao país salvar as aparências e ganhar tempo. Presidente do Instituto de Estudos sobre o OM.
Observação: os artigos traduzidos para o português sem menção de páginas da Internet foram realizados pelo coletivo de tradutores da Vila Vudu, a quem de público agradeço.
Autor: Lejeune Mirhan - Sociólogo, Professor, Escritor e Arabista. Colunista de Oriente Médio do Portal da Fundação Maurício Grabois (http://fmauriciograbois.org.br/portal/). Colaborador da Revista Sociologia da Editora Escala. E-mail: lejeunemgxc@uol.com.br
Respostas: 2,127
Agradecimentos feitos: 250
Agradecimentos recebidos: 717 em 395 posts
Registrado em: Jun 2010
Reputação: 15
RE: Síria, a nova Líbia
Publicada em 03 de Abril de 2012 ás 20:08:42
Os mercenários que guerreiam na Síria.
Por Altamiro Borges
O Conselho Nacional da Síria (CNS), instituição que reúne os grupos contrários ao presidente Bashar Al-Assad, anunciou neste final de semana que os militares que se rebelarem no país serão pagos com ajuda financeira de “nações ocidentais”. A decisão, tomada numa conferência realizada na Turquia, comprova o que todos já sabiam: a interferência estrangeira neste conflito interno.
“O CNS vai se encarregar dos pagamentos dos salários fixos de todos os oficiais, soldados e outros que são membros do Exército Livre Sírio", disse o presidente do Conselho, Burhan Ghalioun, na conferência. Segundo relato da BBC, “delegados da conferência afirmaram que os países árabes ricos do Golfo contribuiriam com milhões de dólares a cada mês para o fundo do CNS”.
Brasil age como “observador”
Para o governo de Bashar Al-Assad, a conferência de Istambul reuniu os “inimigos da Síria”. Damasco garante que o levante está prestes a ser derrotado e que a ajuda externa visa dar sobrevida ao grupo rebelde. O governo sírio também criticou a ingerência dos EUA. Hillary Clinton confirmou pela primeira vez que o governo ianque enviou equipamentos militares para os mercenários.
A conferência reuniu 83 países. Rússia, China e Irã, entre outros, não compareceram e criticaram suas decisões. Já o Brasil esteve presente como “observador”. Segundo a ONU, mais de 9 mil pessoas já morrem desde o início do conflito. As decisões da reunião na Turquia tendem a agravar ainda mais o conflito interno, elevando o número de mortos na Síria.
“Queremos derrubar Assad”
Para Elliott Abrams, ex-conselheiro de segurança da Casa Branca, “não há saída diplomática para a queda de Assad” e os EUA devem financiar os mercenários. Para ele, "armar os rebeldes terá também impacto político e psicológico, ajudando o moral dos rebeldes e ajudando a convencer muitos que estão em cima do muro de que realmente queremos derrubar Assad”.
O(s) seguinte(s) 1 usuário disse obrigado a
GU4RD1ÃO pelo seu post:1 usuário disse Agradece a GU4RD1ÃO pelo seu post TheBodyBuilder (05-04-2012)
Respostas: 2,127
Agradecimentos feitos: 250
Agradecimentos recebidos: 717 em 395 posts
Registrado em: Jun 2010
Reputação: 15
RE: Síria, a nova Líbia
Fracassou a tentativa de 'trocar o regime' de Assad
28.03.2012
Patrick Cockburn, Counterpunch http://www.counterpunch.org/2012/03/26/b...sad-fails/
"A Síria não cairá. (...) A ideia de o governo Barack Obama dos EUA dizer a Assad que faça as malas e "vá-se da Síria" já nasceu morta, desde o primeiro vagido. E se Assad ficar onde está? O que fará Washington? Fará chover sobre ele os aviões-robôs tripulados a distância, até destruir Assad, Damasco, Aleppo, grande parte da Síria... sob o pretexto de que teria "responsabilidade de proteger"?!"
Pepe Escobar, "A Síria não cairá", 12/8/2011 http://redecastorphoto.blogspot.com.br/2...caira.html
"Bashar al-Assad não sairá. Não, pelo menos, agora. Não, provavelmente, por um longo tempo. Os jornais do Oriente Médio estão cheios de histórias sobre se Assad vive ou não seu "momento Benghazi" - matérias quase invariavelmente enviadas prontas de Washington ou Londres ou Paris. -
Poucos na Região entendem como é possível que o ocidente veja tão mal e entenda tão pouco."
Robert Fisk, ""Bashar al-Assad não sairá. Não, pelo menos, agora", 9/2/2012 http://redecastorphoto.blogspot.com.br/2...t-uk.html*
Fracassou a tentativa, que durou um ano inteiro, de 'trocar o regime' do presidente Bashar al-Assad. Há cerca de dois, três meses, o sucesso pareceu próximo, quando a oposição tomou alguns bairros de cidades importantes, como Homs e Deir el-Zour. Falava-se até de "zonas aéreas de exclusão" e intervenção militar.
Implantaram-se sanções econômicas severas contra a já precária economia síria. Dia após dia, jornais e televisões só faziam repetir que a pressão aumentava sobre Assad, e que estaria próxima a hora de trocar o governo em Damasco.
Nada disso aconteceu. Não acontecerá à Síria o que já aconteceu à Líbia. A mais recente ação internacional foi da União Europeia, que passou a negar à esposa de Assad, Asma, e à mãe dela, o direito de viajar por países da EU (mas Asma, que é cidadã britânica, continua podendo entrar e sair da Grã-Bretanha). Nada poderia ser mais eloquente.
O secretário do Exterior, William Hague, diz que assim aumenta a pressão sobre o governo sírio, mas, de fato, só mostra que não tem meios para pressionar Assad. Impedir Asma de ir às comprar em Paris ou Roma - supondo que ela algum dia tenha manifestado tais desejos - só mostra o quanto os EUA, a EU e seus aliados no Oriente Médio estão sem alternativas, no que tenha a ver com Damasco.
"Ninguém está discutindo operações militares" - disse o secretário-geral da ONU Ban Ki-moon, semana passada. O Exército Síria Livre, da oposição a Assad, perdeu as bases que conquistara na cidade de Homs, na província de Idlib, ao norte, e, mais recentemente, também em Deir el-Zour, no leste. Na 3ª-feira passada, soldados sírios, com apoio de blindados, chegaram, vindos dos quatro lados, a Deir el-Zour, que fica a cerca de 100 km da fronteira com o Iraque, obrigando as milícias da oposição a escafeder-se e procurar abrigo em casas e apartamentos, depois de rápida troca de tiros. Com isso, tornou-se ainda mais difícil para o ocidente infiltrar armas pela fronteira iraquiana, a partir da província de Anbar, predominantemente sunita. O rápido avanço do exército sírio, ali, contrastou com o sítio que a oposição manteve, durante quase um mês, ao distrito de Baba Amr em Homs, durante o qual morreram centenas de pessoas e grande parte das construções ficaram reduzidas a ruínas. Arábia Saudita e Qatar divulgaram festivamente que estavam armando a oposição síria. Hoje, já não há sinais de que estejam fazendo isso.
O que saiu errado, para os que pregavam rápida 'troca de regime' na Síria? De modo geral, pode-se dizer que superestimaram a própria capacidade, e levaram demasiadamente a sério a própria propaganda.
Desde janeiro, tudo que fizeram foi louvado em todo o mundo como justa intervenção militar internacional, ou como convincente possibilidade de vir a ser isso. Mas deixou de ser qualquer coisa semelhante a isso, a partir de 4/2/2012, quando Rússia e China vetaram resolução do Conselho de Segurança da ONU apoiada pela Liga Árabe que conclamava Assad a deixar o poder.
A experiência de EUA, EU, OTAN e estados árabes do Golfo, na derrubada de Muammar Gaddafi acabou por ser má conselheira, quando se tratou da Síria.
Isso, precisamente, é o que revolucionários e contrarrevolucionários vêm aprendendo ao longo dos séculos. O que dá resultados num local é muitas vezes receita de desastre, em outro. E há também o problema da interpretação errônea do foi feito na Líbia.
Quem assista à rede de televisão al-Jazeera terá a impressão de uma heroica milícia rebelde derrubou um tirano. De fato, a vitória militar na Líbia só foi possível graças aos ataques aéreos da OTAN. As milícias armadas locais, na Líbia, nunca passaram de frágil força de ocupação, que só aparecia depois que os ataques aéreos abriam caminho (a mesma receita que foi aplicada no Afeganistão em 2001 e no Kurdistão iraquiano em 2003).
Na Síria, as condições sempre foram completamente diferentes. O regime tem um núcleo radical apoiado na comunidade alawita. Tem exército forte e bem organizado, tem forças de segurança. Praticamente não houve deserções nem nos altos níveis nem nos escalões inferiores do exército sírio. As forças que apoiam Assad entenderam que teriam de lutar até o fim e estavam preparadas para resistir contra quem se interpusesse no caminho. Sanções econômicas não preocuparam o regime, porque ditaduras têm pleno controle dos recursos, mesmo quando reduzidos em quantidade. Com o prolongamento dos confrontos, Assad perdeu, cedo, o apoio de grande parte da comunidade empresarial síria.
Atualmente, a militarização do conflito já não ameaça gravemente o regime, no estágio em que está; é fator irritante, embora isso possa mudar caso a oposição faça, para o futuro, uma opção pela guerra de guerrilhas.
No início do segundo semestre do ano passado, parecia que Assad enfrentava a mais poderosa coalizão internacional jamais vista. Incluía Arábia Saudita e Qatar, EUA, União Europeia e Turquia. O que se viu logo depois é que todos esses eram a favor de fazer-se algo em nome da democracia e de derrubar Assad... desde que algum outro fizesse (fosse lá o que fosse). Falou-se muito sobre "paraísos seguros" que estariam sendo criados nas fronteiras de Jordânia e Turquia. Mas nem Jordânia nem Turquia mostraram sinais de entusiasmo para qualquer tipo de ação que, imediatamente depois, levaria a conflito armado direto contra a Síria. O rei Abdullah da Jordânia chegou a dizer que nada tinha contra os tais "paraísos seguros", desde que se mantivessem bem longe da Jordânia. A Turquia refreou seus ardores democráticos anti-Assad logo que percebeu que acabaria envolvida num conflito regional entre xiitas e sunitas que levaria o Irã a atacar a Turquia, se preciso fosse, para defender seu aliado sírio.
A oposição síria fez o que pôde para dar ao mundo a impressão de que o que fora feito na Líbia poderia ser reaplicado na Síria. Hoje estão sendo criticados pelas divisões internas, pela falta de comando; talvez não tivessem outra alternativa, além de tentar o que tentaram. (...)
A militarização do conflito e a sectarização crescente favoreceram o regime de Assad, contra qualquer aspiração democrática legítima que a oposição acalentasse. E a sectarização não enfraquece só a oposição síria: ela também ajuda a enfraquecer a coalizão internacional contra Assad.
Em ano de eleições presidenciais, os eleitores norte-americanos não se preocupam muito com quem governe a Síria; mas preocupam-se muito com a al-Qaeda.
Um dos motes de campanha de Barack Obama na campanha presidencial será apresentar-se como presidente cujo governo matou Osama bin Laden e manteve-se sempre focado, diferente do governo Bush, em vingar o ataque do 11/9. A Casa Branca não quer que a al-Qaeda dê sinais de vida. Por isso anda nervosa com o papel que aquela organização vai ganhando dentro da oposição a Assad, na Síria.
Semana passada, por exemplo, um grupo inspirado na al-Qaeda e que se autodenominou Al-Nusra Front to Protect the Levant [Frente Al-Nusra para Proteger o Levante] declarou-se responsável por dois ataques de suicidas-bomba em Damasco, em que morreram mais de vinte pessoas. "O regime sírio tem de parar de massacrar os sunitas, ou pagará pelo pecado dos alawitas" - disse a Frente Al-Nusra em declaração distribuída em vídeo. - "O que virá será mais amargo e doloroso, se Deus for servido".
O regime sírio não cairá, se não houver mudança radical no equilíbrio de forças. A indicação do ex-secretário da ONU Kofi Annan, como enviado da ONU e Liga Árabe para negociar a paz, nunca passou de manobra ocidental para esconder o fracasso da oposição a Assad e de seus aliados ocidentais.
Governo espera que mercenários também sigam a paz, diz cônsul sírio
Contrariando mais uma vez a campanha difamatória contra a Síria liderada pelos Estados Unidos e Israel, o governo do presidente Bashar Assad colocou em vigor na quinta-feira (12) o acordo de cessar fogo proposto pelo enviado especial da ONU, Kofi Annan.
Por Mariana Viel, da redação do Vermelho
Ao mesmo tempo em que o governo sírio mostra disposição em encontrar uma saída pacífica para os conflitos — interrompendo suas atividades militares e retirando as tropas do Exército das ruas —, mercenários armados continuam fazendo uso da violência para instalar o pânico no país. Através da fronteira do país com a Turquia, os rebeldes sírios recebem diariamente armas americanas e israelenses.
Em entrevista ao Portal Vermelho, o cônsul-geral da Síria em São Paulo, Ghassan Obeid, afirmou que o governo espera que a oposição — que não é unificada — também obedeça ao acordo de paz.
“Infelizmente eles não aceitaram o cessar-fogo. A oposição é financiada por alguns grupos de outros países que incentivam que eles continuem a luta armada. Esses grupos dizem ‘Vocês estão bem armados e podem estar em melhores condições se não baixarem suas armas e não chegarem a um ponto de diálogo’.”, explica o representante sírio no Brasil.
Segundo Obeid o problema na Síria não é a democracia e nem os direitos humanos, mas sim a corrupção de grupos armados e financiados pela Turquia, Arábia Saudita, Qatar e EUA. “A situação na Síria não pode ser associada a outras situações no mundo árabe. O que acontece lá não é a primavera árabe, como alguns dizem”.
“Se a Síria parar de usar a força do Exército, os grupos armados devem também parar de usar a violência contra o governo e o povo. Aqueles que apoiam os grupos armados devem fechar a torneira de dinheiro e de armas para deixar a paz torna-se realidade”, enfatiza.
Ele denuncia que a estratégia desses grupos é causar pânico e colocar a população em confronto. Parte da tática dos mercenários é incitar o conflito entre diferentes grupos no país. O cônsul cita como exemplo o assassinato de mulçumanos para colocá-los em atrito direto com cristãos e vice-versa. “Eles matam mulheres e crianças e filmam essas barbaridades para colocar na televisão e jogar a culpa no governo. Quando não chegam a realizar o crime, o falsificam com photoshop e divulgam as imagens afirmando que aquilo aconteceu em Homs ou Damasco”.
A situação é ainda agravada pelo bloqueio comercial imposto pela Europa, essencialmente França e Inglaterra. “Cortaram todas as formas de financiamento e de transferência bancária para não deixar o país importar e exportar produtos e mercadorias, deixando o povo em uma miséria sem precedente”.
Eleições
Obeid reforça que outra demonstração do governo de Bashar Assad em traçar um caminho de paz para o país é a convocação das eleições parlamentares para o dia 7 de maio.
As eleições sírias se dão no marco da nova Constituição referendada recentemente e elegerão 250 deputados — dos quais mais da metade devem ser trabalhadores.
“Eles rejeitam o diálogo e não querem participar das eleições. Será a primeira eleição baseada sobre a nova lei de multipartidarismo e sobre a nova lei de eleições livres na Síria. São leis muito avançadas — cópias de leis modernas utilizadas em países europeus e da América Latina”.
A antiga Constituição síria dizia que o partido que governava o país tinha supremacia sobre todos os demais. Segundo a nova Constituição todos os partidos políticos são iguais e não existe supremacia.
“Antigamente a Síria tinha nove partidos políticos — o partido Baath, no poder, e oito integrantes da Frente Nacional. Atualmente temos 15 partidos políticos”. O cônsul explica que outros cinco aguardam aprovação de seus estatutos para serem legalizados. “No total teremos 20 partidos políticos que vão disputar as eleições de maio”.
Campanha midiática
Em defesa dos interesses imperialistas na Síria, uma grande parcela da mídia colabora com a campanha de desestabilização do governo. A maioria das falsas notícias é difundida pelas redes Al Jazeera e Al Arabya — do Qatar e da Arábia Saudita. “Para ser franco não fico feliz, mas não quero prejulgar toda a mídia. Nosso problema na Síria de verdade é a difamação e as falsas informações divulgadas”.
Ele cita que os EUA pagaram mais de US$ 6 milhões para criar um canal de televisão, baseado em Londres, e que divulga informações falsas sobre a realidade na Síria. “Quando um jornalista perguntou para a secretária de Estado Hillary Clinton por que eles fizeram isso, ela respondeu que era uma ajuda para o povo sírio. Mas não é uma ajuda para o povo sírio financiar um canal de televisão para divulgar falsas informações e fazer o povo se matar”.
No Brasil, Obeid conta que em diversas situações chamou a atenção de veículos de comunicação de alcance nacional como a Folha de S.Paulo e O Estado de S. Paulo sobre o conteúdo de suas publicações. “Na terça-feira (10) dei o visto para um jornalista do Estado de S. Paulo que queria ir para a Síria fazer entrevistas. Chamei também o canal Bandeirantes para enviar uma equipe para percorrer o país com toda liberdade fazer entrevistas e encontros, e mostrar ao povo amigo e fraterno brasileiro o que acontece realmente na Síria.
“Aceitamos o acordo e a chegada de 300 observadores internacionais. A Síria abriu a porta para 30 canais de televisão internacionais e mais de 180 jornalistas”.
Brasil
Ainda durante a entrevista, o cônsul reafirmou os laços fraternos entre o governo brasileiro, a Síria e todo o povo árabe. Ele ressalta que o país precisa ocupar uma cadeira permanente no Conselho e Segurança da ONU.
“Quando o Brasil intervém em algum assunto ajuda a encontrar consenso. O Brasil disse que apoia as reformas planejadas pelo presidente Bashar Assad e defende os direitos humanos sem aceitar qualquer violência e massacre. Ele sabe diferenciar que há grupos armados fora da lei que atuam na Síria”.
Segundo ele, o governo brasileiro ajuda a manter a lei internacional e a preservar a soberania no país para não deixar que a Otan — liderada pelos EUA e outras potências imperialistas — façam com a Síria o mesmo que aconteceu na Líbia. Obeid cita ainda como aliados Rússia, China, Índia, África do Sul e Líbano.
“Querem trocar o governo para que a Síria seja governada por um grupo dominado pelos Estados Unidos e pela Europa. Se os Estados Unidos e a Europa tivessem muita preocupação com os direitos humanos do povo sírio chorariam pelo povo que está há mais de 60 anos sobre o domínio de Israel nas Colinas Golan. Por que não deixam liberar o território palestino que vive sob a matança de Israel? Se estão assim preocupados com os direitos humanos devem primeiro começar aplicando as resoluções das Nações Unidas”.
Notícia um pouco antiga mas extremamente importante para se entender o que se passa na Síria.
Citar:Publicada em 04 de Fevereiro de 2012 ás 13:32:11 Assad: "Fui castigado pela amizade com a Rússia"
Até recentemente, o líder sírio Bashar al-Assad não considerava-se aberto ao diálogo com a imprensa. Os representantes de muitas das principais emissoras de TV estrangeira têm se queixado de, às vezes, por meses tentando conseguir um encontro com ele sem resultado. No entanto, o correspondente do "Pravda.Ru" conseguiu um encontro com presidente sem aguardar muito no seu escritório.
Bashar Assad deu uma entrevista em sua residência em Damasco, respondendo às questões de interesse mútuo.
— Até recentemente, o Sr. era considerado um líder respeitado no Ocidente. O que, na vossa opinião, foi a razão para essa mudança?
- A pressão atual do Ocidente não era uma surpresa para nós. Em setembro de 2001, o presidente dos EUA George W. Bush sob o pretexto do combate ao terrorismo começou uma campanha contra os líderes, realizando as políticas independentes e contrarias às dos EUA. O primeiro foi o Afeganistão, então o Iraque seguido. Gradualmente tem sido bombeada a opinião pública e em torno da Síria, a qual os EUA começaram a considerar cada vez mais como um complemento ao "eixo do mal" (Iraque, Irão e Coréia do Norte).
Mas as mais fortes mudanças foram sentidas em 2003, pouco depois das tropas dos EUA e seus aliados terem atacado Iraque e derrubado Saddam Hussein. Na Síria, em seguida, chegou o então secretário do Departamento de Estado, Colin Powell, que exigiu uma revisão das nossas relações com a Rússia, destacando que a política em relação a Moscou Damasco devesse mudar em 180 graus. A nós foi apontado abertamente para a necessidade de romper todos os acordos de aliança com a Rússia e, de fato, abandonar a amizade com ela.
Caso contrário, eu fui ameaçado de agressão. Em particular, Colin Powell assinalou que no Iraque já estavam as tropas americanas e equipamento militar, incluindo aviões de combate, que podem ser usados contra a Síria. No entanto, nós não sucumbimos a essa pressão e rejeitamos a oferta ultimato. Depois disso, a Síria ficou sob pressão sem precedentes, que nos ajuda a suportar com sucesso o apoio da Rússia, a qual estamos muito gratos por sua posição.
— A atual secretária do Departamento do Estado, Hillary Clinton, e outras autoridades dos EUA manifestaram apoio aberto à oposição radical a conduzir a luta armada contra o governo da Síria. O que são os militantes ativos em território sírio?
- Aqueles que estão com arma nos braços podem ser divididos em três tipos: pequeno grupo de Al-Qaeda que não tem nenhuma influência entre os sírios, a organização Irmandade Muçulmana, que não é um grupo grande, mas têm peso grave entre os radicais. A maior parte da oposição radical é composta por pessoas que não são membros de tais movimentos, mas com velhos ressentimentos do passado, inclusive por eventos nos inícios de 1980 ( revolta da Irmanidade Muçulmana-Red).
E nas ações contra a Síria, o terrorismo têm-se apoiado não só pelos Estados Unidos, mas também por vários países árabes do Golfo Pérsico. Chamo especial atenção para o fato de que a mesma situação era em relação às ações russas na Chechénia. Ocidente e algumas monarquias árabes também apoiaram as tropas ilegais chechenas, o mesmo que estão fazendo agora na Síria.
— Representantes da oposição síria, incluindo aqueles que estão em Moscou, acusam as autoridades sírias por contribuírem para o conflito, uma vez que se recusam a legalizar a Irmandade Muçulmana. O Sr. anunciou uma reforma política importante e eleições nacionais. Se têm os "irmãos" uma chance de legalização e entrada no parlamento?
- De acordo com a Constituição, a Síria é um país laico. Isto significa que qualquer tipo de movimento agindo sob slogans religiosos, cujas atividades são destinadas a dividir a sociedade síria, não pode reivindicar isso. Incluindo a Irmandade Muçulmana. Esta organização, com base na sua ideologia não pode ser legalizada. No entanto, isso não quer dizer que vamos cortar essas pessoas a partir de eventual participação em uma vida pacífica. Dizemos a eles: "Criem o seu próprio partido político, fundado em princípios laicos e participem na luta por assentos no parlamento."
— O Sr. agradeceu à Rússia por seu apoio à Síria. De particular interesse a este respeito são as questões da cooperação técnico-militar. Em 2007, Israel e os EUA desencadearam o escândalo sobre a venda antecipada dos interceptores MiG-31E à Síria, que pudesse mudar completamente o equilíbrio de poder na região. Como resultado o negócio foi suspendido. Existe agora uma oportunidade de implementá-lo e, assim, alcançar um aumento significativo de defesa aérea e reduzir a probabilidade de agressão externa?
- Temos algumas perguntas sobre as condições das aeronaves russas. Por outro lado, estamos bem conscientes de que o potencial de forças inimigas é muito superior a nosso. Dado o fato de que os aeroportos onde se localizam os aviões é vulneráveis a chuva, mesmo nestas circunstâncias, no momento, decidimos contar basicamente, reforçando simultaneamente a nossa defesa para menos vulnerável a possíveis ataques do agressor, com componente terrestre.