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Violência Civil - A Guerra Interminável
04-06-2014, 10:32 PM
Resposta: #1
Violência Civil - A Guerra Interminável
[Imagem: a-guerra-interminavel-i.jpg]


LUCIANO PIRES em 30 MAIO 2014

Em 2013, conforme o Sistema de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, tivemos no Brasil 56.337 assassinatos, chegando à taxa de 29 mortos para cada 100 mil brasileiros. A Organização Mundial da Saúde considera aceitável no máximo 10 mortes a cada 100 mil habitantes. A França tem 1,1, Portugal tem 1,2, Estados Unidos tem 4,2 e a Noruega tem 0,6, só para efeito de comparação.

Nós temos 29. Nunca antes na história deste país.

E é necessário olhar nossos números com desconfiança, pois existem suspeitas de que estejam maquiados pelos governos estaduais de diversas formas. Eles podem ser consideravelmente maiores.

Conforme relatório da ONU, na América Latina e Caribe que têm população estimada em 600 milhões de pessoas, são assassinadas 100 mil pessoas por ano. O Brasil, com um terço dos 600 mil habitantes, responde por mais da metade dos assassinatos.

Observação óbvia, mas necessária: é assim que se mede a violência, mortes a cada 100 mil habitantes. Desse modo é possível comparar um estado com 30 milhões de habitantes com outro com 2 milhões. E os números estão aí: enquanto Santa Catarina tem 12,8 mortos por 100 mil, São Paulo tem 15,1, Rio de Janeiro tem 28,3, Bahia tem 41,9, Pará tem 41,7, Ceará tem 44,6 e Alagoas, o campeão, tem 63,3!

E esse aumento se dá num cenário em que, ao menos em teoria, milhões saíram da pobreza para aquela "classe média" que o governo criou. E quando se faz uma comparação da violência por estados, ela explode no nordeste, região do Brasil que mais evoluiu em termos econômicos.

Cai a pobreza e a violência sobe. E agora?

Bem, agora vou mexer num vespeiro. Os dois estados brasileiros com índices mais baixos são Santa Catarina com 12,8 e São Paulo com 15,1. O que acontece nesses estados que não acontece nos outros? Qualquer explicação rápida e óbvia, como melhoria dos índices econômicos ou campanhas de desarmamento não serve, pois isso aconteceu em todo o país.

Será porque São Paulo é o estado que mais prende? Segundo o Anuário de Segurança Pública, São Paulo tem 633,1 presos por 100 mil habitantes com mais de 18 anos. No Rio, com quase duas vezes mais mortos por 100 mil que São Paulo, a taxa é de 281,5 presos. A Bahia, que tem três vezes mais mortos por 100 mil que São Paulo, prende 134,6.

Essa discussão dá pano pra manga.

Em 1980 a taxa era de 11,7 para cada 100 mil. O Governo de Fernando Henrique entregou em 2002 o índice de 28,5; o governo do PT começou com 28,9 em 2003 e bateu o recorde com 29 em 2013. O descontrole da violência é obra de todos os governos brasileiros desde a redemocratização, nenhum, repito, nenhum governo, seja do PMDB, PRN, PSDB ou PT, seja de esquerda ou “neoliberal”, seja progressista ou conservador, seja de "direita" ou de esquerda conseguiu ganhar essa guerra interminável.

E se esse assunto não é prioritário, não sei o que pode ser.

Boa Copa.

Luciano Pires

http://www.portalcafebrasil.com.br/artig...terminavel

A quem interessa o fim da Igreja Católica??? Religião Mundial e o super estado sinárquico
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05-06-2014, 12:26 AM (Resposta editada pela última vez em: 05-06-2014 12:28 AM por hk1321.)
Resposta: #2
RE: Violência Civil - A Guerra Interminável
Um estudo recentemente divulgado pelo Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), órgão ligado à Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, se utilizou dessa certeza estatística, mostra da desigualdade social brasileira, para descobrir que o índice de homicídios no Brasil é ainda maior do que sugerem as já assustadoras estatísticas oficiais. “Na realidade, a taxa de assassinatos é 18,6% maior do que pensamos”, explica Daniel Cerqueira, autor da pesquisa, “porque os números que conhecemos não computam os chamados homicídios ocultos.”


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05-06-2014, 05:15 AM (Resposta editada pela última vez em: 05-06-2014 05:19 AM por Spectro.)
Resposta: #3
RE: Violência Civil - A Guerra Interminável
Caro @hk1321 obrigado pela participação no fórum, solicito que em suas próximas postagens colabore compartilhando o artigo completo conforme está nas regras. Este procedimento ajuda a manter o texto online caso a fonte original fique offline, agradeço pela compreensão.

Taxa de assassinatos no Brasil é ainda maior do que dizem as estatísticas

Ipea garimpa registros oficiais em busca de homicídios que são erroneamente registrados como 'mortes por causas indeterminadas' graças à desarticulação, desorganização ou má-fé de autoridades

por Tadeu Breda, da RBA publicado 12/08/2013 10:19

[Imagem: assassinato-avener-prado-folhapress.jpg]


No Brasil, 174 mil óbitos ocorridos nos últimos 15 anos que permanecem com as causas desconhecidas

São Paulo – “Tá lá um corpo estendido no chão”, diz a canção de João Bosco, retratando uma cena que ocorre com indesejada frequência no país. Se a vítima for negra ou parda, jovem, solteira, com baixa escolaridade e do sexo masculino, é grande a probabilidade de ter sido assassinada. Um estudo recentemente divulgado pelo Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), órgão ligado à Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, se utilizou dessa certeza estatística, mostra da desigualdade social brasileira, para descobrir que o índice de homicídios no Brasil é ainda maior do que sugerem as já assustadoras estatísticas oficiais. “Na realidade, a taxa de assassinatos é 18,6% maior do que pensamos”, explica Daniel Cerqueira, autor da pesquisa, “porque os números que conhecemos não computam os chamados homicídios ocultos.”

Homicídios ocultos é o nome que se dá às mortes violentas que são registradas como “causa indeterminada” no Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, mas que, na realidade, foram fruto de assassinato. No Brasil, ao contrário do que ocorre em outros países, é muito elevada a proporção de óbitos cuja causa é desconhecida pelas estatísticas oficiais. “Em países desenvolvidos, o número de mortes violentas indeterminadas é uma parcela residual em relação ao total dos casos”, explica Cerqueira. “A Inglaterra registrou, em 2011, cerca de 0,2% de suas mortes violentas como indeterminadas. No Brasil, entre 1996 e 2010, o número de indeterminação é de 9,2%. São 174 mil óbitos que permanecem com as causas desconhecidas.”

A magnitude dos números chamou a atenção do Ipea, que decidiu fuçar o SIM em busca de respostas para tamanha indefinição. “Analisamos os dados de todas as pessoas que morreram por causas violentas no país nos últimos quinze anos. Foram cerca de 1,9 milhão de pessoas”, diz o pesquisador, que verificou as características socioeconômicas de cada uma das vítimas, além da situação em que se deram as fatalidades. Cerqueira e sua equipe checaram sexo, cor de pele, estado civil, escolaridade e idade, viram se a morte ocorreu na rua e qual instrumento a provocou – se arma de fogo, lâminas cortantes, pancadas etc. “Essas informações devem constar dos atestados de óbitos que são formulados pelo Instituto Médico Legal (IML) sempre que as mortes decorrem de violência.”

Só existem mortes violentas classificadas como “causas indeterminadas” quando os legistas responsáveis por elaborar os laudos cadavéricos das vítimas não conseguem, por falta de elementos, determinar qual entre as opções conhecidas acabaram provocando a morte: se homicídio, acidente ou suicídio. Às vezes, olhando os sinais corporais, os profissionais conseguem determinar até o instrumento que provocou o óbito, se foi revólver, por exemplo, mas não a motivação do tiro. Isso porque é preciso elementos concretos para preencher o documento no campo das “causas”. De acordo com o pesquisador, é comum que estes elementos simplesmente desapareçam do local da morte por despreparo, desorganização ou má-fé dos agentes públicos responsáveis por conservá-los.

“No Brasil, a primeira coisa que se faz é desmanchar a cena do incidente. E quem desmancha é o próprio policial, que deveria preservá-la. A história já começa errada. Primeiro, porque há um problema de mau treinamento policial e porque muitas vezes é o próprio policial que está envolvido com a morte. Daí não há interesse em preservar a cena do crime”, critica Cerqueira. “Em segundo lugar, os problemas têm muito a ver com deficiências na produção da informação pelas organizações que participam do SIM: IML, polícia civil e secretarias de saúde.” O autor do estudo denuncia a falta de articulação das entidades públicas, sobretudo nos níveis estaduais e municipais, que são as responsáveis por alimentar o sistema do Ministério da Saúde.

Juntas, estas deficiências, continua, são as grandes responsáveis pelo alto número de homicídios ocultos no Brasil. Mas nem todos os estados trabalham mal. Cerqueira identificou que apenas sete unidades federativas ostentam índices ruins na matéria: Rio de Janeiro, São Paulo, Pernambuco, Bahia, Rio Grande do Norte, Minas Gerais e Roraima. São regiões com grandes metrópoles, sérios problemas com o crime organizado e que enfrentam, algumas delas, situações de “guerra particular” entre forças policiais e facções criminosas. “Mas não há uma correlação direta entre essas questões”, adiante Cerqueira. “Alagoas, por exemplo, é o estado mais violento do Brasil e, no entanto, registra os menores índices de mortes indeterminadas em todo o país. A mesma coisa acontece no Espírito Santo.”

A estratégia utilizada pelo Ipea para detectar os homicídios ocultos em meio a tantas mortes registradas como “causas indeterminadas” foi recorrer à estatística. De acordo com o pesquisador, existe um certo padrão na ocorrência dos assassinatos no Brasil: eles costumam atingir prioritariamente homens jovens, solteiros, negros ou pardos e com baixa escolaridade. Se a vítima é encontrada na rua, e não dentro de casa, também cresce a probabilidade da morte ter sido causada por homicídio. A utilização de armas de fogo é outra evidência importante. “Se você analisar indivíduos que sofreram óbito e a causa básica desse óbito for indeterminada, e esse cadáver possuir essas características socioeconômicas, há uma grande chance dessa pessoa ter sido vítima de homicídio.”

Os achados de Cerqueira poderão auxiliar as autoridades na definição de políticas públicas com maior eficiência em segurança pública. “Precisamos de indicadores mais precisos para poder fazer diagnósticos mais precisos e poder avaliar o que funciona e não funciona”, argumenta o pesquisador. “No Brasil, temos políticas feitas na base do improviso e da reação à mídia sempre que acontecem incidentes graves, e não sabemos muito bem se essas medidas estão funcionando ou não. Daí vivemos esse drama gigantesco, com mais de 60 mil pessoas assassinadas por ano. Temos que fazer políticas com evidências empíricas e científicas.” Cerqueira não esquece o lado humano da questão: “Os familiares das vítimas simplesmente têm o direito de saber a causa da morte de seus parentes.”

Fonte: www. redebrasilatual.com.br - Taxa de assassinatos no Brasil é ainda maior do que dizem as estatísticas

Existem duas guerras sendo travadas: Uma física contra pessoas inocentes, e uma mais sutil... por sua mente. Enquanto o sistema for capaz de te convencer que as falsas notícias são verdadeiras, pessoas inocentes continuarão sendo mortas.
Se não podemos parar a carnificina das guerras físicas, é nosso dever vencer a guerra pelas nossas próprias mentes.
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Campanário (05-06-2014), hk1321 (05-06-2014), Minerim (05-06-2014)
05-06-2014, 09:05 AM (Resposta editada pela última vez em: 05-06-2014 08:39 PM por Chronoplast.)
Resposta: #4
RE: Violência Civil - A Guerra Interminável
Ótimo tópico.
Não só a prisão, acho que nem ela, é capaz de acabar com a violência.
Existe uma cultura violenta nesse país. Tenho um conhecido que tem dois parentes promotores do Estado de Goiás. Um deles faz parte do tribunal do juri. Diz que 80% dos casos envolve bebida e mulher. Geralmente em boteco, perto de casa e no final de semana. Junta-se drogas, sexualidade e ignorância = mortes.
Esses três pilares foram construídos pelo nosso Estado e são fomentados pela mídia.
Veja uma análise da televisão brasileira feita por uma britânica.





Essa construção cultural favorece a dominação. A classe mais baixa pela ignorância e as outras pelo medo. Aqueles que tem uma melhor condição de vida passam a se sentir inseguros e isso favorece alguém. Bancos com seus seguros (de carro principalmente) e empresas de segurança (com contratos com o governo geralmente). E eles vivem em suas fortalezas achando que nunca respingará nada neles.
O brasileiro, no geral é violento. Nesse texto incrível que li, tempos atrás, é demonstrada uma análise sobre a cultura violenta no Brasil. Sensacional!
Vejam:

Se tivesse nascido no Brasil, Gandhi não seria um homem sábio, mas um “bundão” ou um “otário”

Por Fred Di Giacomo, do Gluck Project


As decapitações que chocam nos presídios eram moda há séculos e foram aplicadas em praça pública para servir de exemplo nos casos de Tiradentes e Zumbi (Reprodução/Gluck Project)

“Achamos que somos um bando de gente pacífica cercados por pessoas violentas”. A frase que bem define o brasileiro e o ódio no qual estamos imersos é do historiador Leandro Karnal. A ideia de que nós, nossas famílias ou nossa cidade são um poço de civilidade em meio a um país bárbaro é comum no Brasil. O “mito do homem cordial”, costumeiramente mal interpretado, acabou virando o mito do “cidadão de bem amável e simpático”. Pena que isso seja uma mentira. “O homem cordial não pressupõe bondade, mas somente o predomínio dos comportamentos de aparência afetiva”, explica o sociólogo Antônio Cândido. O brasileiro se obriga a ser simpático com os colegas de trabalho, a receber bem a visita indesejada e a oferecer o pedaço do chocolate para o estranho no ônibus. Depois fala mal de todos pelas costas, muito educadamente.

Olhemos o dicionário: cordial significa referente ou próprio do coração. Ou seja, significa ser mais sentimental e menos racional. Mas o ódio também é um sentimento, assim como o amor. (Aliás os neurocientistas têm descoberto que ambos sentimentos ativam as mesmas partes do cérebro.) Nós odiamos e amamos com a mesma facilidade. Dizemos que “gostaríamos de morar num país civilizado como a Alemanha ou os Estados Unidos, mas que aqui no Brasil não dá para ser sério.” Queremos resolver tudo num passe de mágica. Se o político é corrupto devemos tirar ele do poder à força, mas se vamos para rua e “fazemos balbúrdia” devemos ser espancados e se somos espancados indevidamente, o policial deve ser morto e assim seguimos nossa espiral de ódio e de comportamentos irracionais, pedindo que “cortem a cabeça dele, cortem a cabeça dele”, como a rainha louca de Alice no País das Maravilhas. Ninguém para 5 segundos para pensar no que fala ou no que comenta na internet. Grita-se muito alto e depois volta-se para a sala para comer o jantar. Pede-se para matar o menor infrator e depois gargalha-se com o humorístico da televisão. Não gostamos de refletir, não gostamos de lembrar em quem votamos na última eleição e não gostamos de procurar a saída que vai demorar mais tempo, mas será mais eficiente. Com escreveu Sérgio Buarque de Holanda, em “Raízes do Brasil“, o criador do termo “homem cordial” : “No Brasil, pode dizer-se que só excepcionalmente tivemos um sistema administrativo e um corpo de funcionários puramente dedica­dos a interesses objetivos e fundados nesses interesses. Ao contrário, é possível acompanhar, ao longo de nossa história, o predomínio constante das vontades particulares que encontram seu ambiente pró­prio em círculos fechados e pouco acessíveis a uma ordenação im­pessoal” Ou seja, desde o começo do Brasil todo mundo tem pensando apenas no próprio umbigo e leva as coisas públicas como coisa familiar. Somos uma grande família, onde todos se amam. Ou não?

O já citado Leandro Karnal diz que os livros de história brasileiros nunca usam o termo guerra civil em suas páginas. Preferimos dizer que guerras que duraram 10 anos (como a Farroupilha) foram revoltas. Foram “insurreições”. O termo “guerra civil” nos parece muito “exagerado”, muito “violento” para um povo tão “pacífico”. A verdade é que nunca fomos pacíficos. A história do Brasil é marcada sempre por violência, torturas e conflitos. As decapitações que chocam nos presídios eram moda há séculos e foram aplicadas em praça pública para servir de exemplo nos casos de Tiradentes e Zumbi. As cabeças dos bandidos de Lampião ficaram expostas em museu por anos. Por aqui, achamos que todos os problemas podem ser resolvidos com uma piada ou com uma pedrada. Se o papo informal não funciona devemos “matar” o outro. Duvida? Basta lembrar que por aqui a república foi proclamada por um golpe militar. E que golpes e revoluções “parecem ser a única solução possível para consertar esse país”. A força é a única opção para fazer o outro entender que sua ideia é melhor que a dele? O debate saudável e a democracia parecem ideias muito novas e frágeis para nosso país.

Em 30 anos, tivemos um crescimento de cerca de 502% na taxa de homicídios no Brasil. Só em 2012 os homicídios cresceram 8%. A maior parte dos comentários raivosos que se lê e se ouve prega que para resolver esse problema devemos empregar mais violência. Se você não concorda “deve adotar um bandido”. Não existe a possibilidade de ser contra o bandido e contra a violência ao mesmo tempo. Na minha opinião, primeiro devemos entender a violência e depois vomitar quais seriam suas soluções. Por exemplo, você sabia que ocorrem mais estupros do que homicídios no Brasil? E que existem mais mortes causadas pelo trânsito do Brasil do que por armas de fogo? Sim, nosso trânsito mata mais que um país em guerra. Isso não costuma gerar protestos revoltados na internet. Mas tampouco alivia as mortes por arma de fogo que também tem crescido ano a ano e se equiparam, entre 2004 e 2007, ao número de mortes em TODOS conflitos armados dos últimos anos. E quem está morrendo? 93% dos mortos por armas de fogo no Brasil são homens e 67% são jovens. Aliás, morte por arma de fogo é a principal causa de mortalidade entre os jovens brasileiros. Quanto à questão racial, morrem 133% mais negros do que brancos no Brasil. E mais: o número de brancos mortos entre 2002 e 2010 diminuiu 25%, ao contrário do número de negros que cresceu 35%. É importante entender, no entanto, que essas mortes não são causadas apenas por bandidos em ações cotidianas. Um dado expressivo: no estado de São Paulo ocorreram 344 mortes por latrocínio (roubo seguido de morte) no ano de 2012. No mesmo ano, foram mortos 546 pessoas em confronto com a PM. Esses números são altos, mas temos índices ainda mais altos de mortes por motivos fúteis (brigas de trânsito, conflitos amorosos, desentendimentos entre vizinhos, violências domésticas, brigas de rua,etc). Entre 2011 e 2012, 80% dos homicídios do Estado de São Paulo teriam sido causados por esses motivos que não envolvem ação criminosa. Mortes que poderiam ter sido evitadas com menos ódio. É importante lembrar que vivemos numa sociedade em que “quem não reage, rasteja”, mas geralmente a reação deve ser violenta. Se “mexeram com sua mina” você deve encher o cara de porrada, se xingaram seu filho na escola “ele deve aprender a se defender”, se falaram alto com você na briga de trânsito, você deve colocar “o babaca no seu lugar”. Quem não age violentamente é fraco, frouxo, otário. Legal é ser ou Zé Pequeno ou Capitão Nascimento. Nossos heróis são viris e “esculacham”

Se tivesse nascido no Brasil, Gandhi não seria um homem sábio, mas um “bundão” ou um “otário”.

O discurso de ódio invade todos os lares e todos os segmentos. Agora que o gigante acordou e o Brasil resolveu deixar de ser “alienado” todo mundo odeia tudo. O colunista da Veja odeia o âncora da Record que odeia o policial que odeia o manifestante que odeia o político que odeia o pastor que odeia o “marxista” que odeia o senhor “de bem” que fica em casa odiando o mundo inteiro em seus comentários nos portais da internet. Para onde um debate rasteiro como esse vai nos levar? Gritamos e gritamos alto, mas gritamos por quê?

Política não é torcida de futebol, não adianta você torcer pela derrota do adversário para ficar feliz no domingo. A cada escândalo de corrupção, a cada pedreiro torturado, a cada cinegrafista assassinado, a cada dentista queimada, a cada homossexual espancado; todos perdemos. Perdemos a chance de conseguir dialogar com o outro e ganhamos mais um motivo para odiar quem defende o que não concordamos.


O discurso de ódio invade todos os lares e todos os segmentos (Reprodução/Gluck Project)

Eu também me arrependo muitas vezes de entrar no calor das discussões de ódio no Brasil; seja no Facebook, seja numa mesa de bar. Às vezes me pergunto se eu deveria mesmo me pronunciar publicamente sobre coisas que não conheço profundamente, me pergunto por que parece tão urgente exprimir minha opinião. Será essa a versão virtual do “quem não revida não é macho”? Se eu tivesse que escolher apenas um lado para tentar mudar o mundo, escolheria o lado da não-violência. Precisamos parar para respirar e pensar o que queremos e como queremos. Dialogar. Entender as vontades do outro. O Brasil vive um momento de efervescência, vamos usar essa energia para melhorar as coisas ou ficar nos matando com rojões, balas e bombas? Ou ficar prendendo trombadinhas no poste, torturando pedreiros e chacinando pessoas na periferia? Ou ficar pedindo bala na cabeça de políticos? Ficar desejando um novo câncer para o Reinaldo Azevedo ou para o Lula? Exigir a volta da ditadura? Ameaçar de morte quem faz uma piada que não gostamos?

Se a gente escutasse o que temos gritado, escrito e falado, perceberíamos como temos descido em direção às trevas interiores dos brasileiros às quais Nélson Rodrigues avisava que era melhor “não provocá-las. Ninguém sabe o que existe lá dentro.”

Será que não precisamos de mais inteligência e informação e menos ódio? Quando vamos sair dessa infantilidade de “papai bate nele porque ele é mau” e vamos começar a agir como adultos? Quando vamos começar a assumir que, sim, somos um povo violento e que estamos cansados da violência? Que queremos sofrer menos violência e provocar menos violência? Somos um povo tão religioso e cristão, mas que ignora intencionalmente diversos ensinamentos de Jesus Cristo. Não amamos ao nosso inimigo, não damos a outra face, não deixamos de apedrejar os pecadores. Esquecemos que a ira é um dos sete pecados capitais. Gostamos de ficar presos na fantasia de que vivemos numa ilha de gente de bem cercada de violência e barbárie e que a única solução para nossos problemas é exterminar todos os outros que nos cercam e nos amedrontam.

Mas quando tudo for só pó e solidão, quem iremos culpar pelo ódio que ainda carregaremos dentro de nós.

Reflitam.

Acredito que presídios não são a solução, mas são necessários. O trabalho deve focar na mudança cultural desse povo que mata por nada. E nada justifica matar!

Fonte: http://www.revistaforum.com.br/blog/2014...no-brasil/

"Não é quem eu sou por dentro e sim o que eu faço é que me define." Batman.
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